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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos O Livro Negro do Satanismo 'Satanismo de prisão' ou 'Que fazer depois que Deus fracassa'

'Satanismo de prisão' ou 'Que fazer depois que Deus fracassa'

Introdução ao Livro Negro do Satanismo

O satanismo no Brasil teve seus primeiros capítulos escritos nos anos noventa, na chamada Deflagração Satânica, quando Rev. Obito começou a organizar encontros e sermões irados no parque Trianon em São Paulo e o Rio de Janeiro testemunhou a concepção da Igreja de Lúcifer e posteriormente da Fraternitas Templi Satannis. Antes disso, seria um contra-senso falar de um satanismo nacional senão pelo sincretismo dos cultos afro-brasileiros com os medos e preconceitos da maioria católica que dominava o país nas décadas anteriores. Mas esse livro que você está lendo agora saiu no Brasil no início da década de 70.

Poucos anos depois da formação da Church of Satan na California, mas sem qualquer conexão política ou filosófica com o satanismo proposto por LaVey esta obra foi a primeira expressão nacional séria de uma religião satânica em nosso país. E ao contrário do que o  título homônimo a obra pode sugerir, este é um tomo completamente diferente do manual da Order of Nine Angles. Embora também trate da prática do Satanismo Tradicional não tem qualquer ligação com a visão de mundo e ritualística do grupo inglês.

A origem do Livro Negro do Satanismo ainda é motivos de disputa, mas está claro que já era conhecido e reproduzido pelo grande publico na segunda metade dos anos setenta. Seu conteúdo alega ser muito mais antigo, mas entre lendas urbanas e suposições o mais provável esta seja a compilação brasileira nacional de tradições européias que chegaram ao Brasil por meio de praticantes de magia negra oriundos da Argélia.

O Livro Negro de Satanás representa a reação do podre, enjeitado, perseguido, injustiçado, diante de uma sociedade cristã dominada pelo nobreza e manipulada pelo sacerdócio. Assim não demorou para ser acolhido pela parcela pobre da população cansada das missas católicas.  Ele tem de fato uma afinidade muito grande com as religiões afro, mas sem a hipocrisia cristã que permeia a umbanda nem natureza puramente paganista do camdomblé.

Ao contrário do satanismo maduro que conhecemos hoje, o Livro Negro do Satanismo é um retrato do satanismo cristão, uma reação emocional ao deus dos ricos e poderosos que não atendia os pobres e miseráveis. Uma vontade, ainda que ingênua, genuinamente humana de se vingar do Deus que teria virado as costas para a humanidade em primeiro lugar.

Esta origem baseada no ódio e na transgressão pura quase que profetizaram o futuro deste livro no Brasil. Quando satanistas tradicionais começaram realmente a se organizar no Brasil isso foi feito em um ambiente de marginalidade. Coincidência ou não nos anos 70 o sistema penitênciário paulista assistiu o nascimento da 'Seita Satânica' um grupo dedicado ao crime organizado e ao culto do demônio, dentro das casas de detenção de São Paulo.

Seria uma irresponsabilidade dizer que a Seita Satânica pratica hoje as instruções contidas neste livro, o mais provável é que o livro tenha sido sua base original para a fundação e que depois foi complementado com normas administrativas e procedimentos próprios da prisão. Se é verdade que o Livro Negro do Satanismo é hoje utilizado por eles, também é verdade que muitas inovações foram incluídas desde então, entre elas podemos destacar:

- A obrigação  de seus membros de cortar a falange do dedo mínimo.
- A inclusão de doutrinas espíritas e da quimbanda.
- A liberdade do fundador: Qualquer filho que sair para rua terá por obrigação tirar o seu pai espiritual da cadeia.
- O auxilio de saúde, financeiro e processual de presos membros.
- A personificação de entidades em alguns rituais
- etc...

O livro contém ainda instruções para sacrifícios de seres vivos como era a norma no satanismo tradicional cristão e é baseado, como já foi dito numa visão de mundo absolutamente medieval. Sabendo desta natureza do livro, resta a pergunta: qual a relevância dele para o satanista esclarecido de hoje e demais adeptos do caminho da mão esquerda? Em síntese, este livro deve ser encarado como uma fonte de inspiração para a magia cerimonial no mesmo estilo com o qual foi escrito os Rituais Satânicos de Anton LaVey. Uma apreciação teatral estética com real impacto psicológico e conseqüentemente uma ferramenta mágica de grande potencial.

Hail Satã, Hails Lúcifer, Hail Lusbel, Hail Asmodeus, Hail Belial.

Morbitvs Vividvs