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siga a estrada de tijolos amarelos: Satanismo Livros Satânicos Satanomicon A Igreja de Satan

A Igreja de Satan

Como principal fruto da Década de Satan, na noite de 30 de abril de 1966 (Walpurgisnacht), Anton Szandor LaVey fundou The Church of Satan[1] em São Francisco, Califórnia, proclamando-se o Papa Negro e declarando ser o ano 1 da Era Satânica. A doutrina buscou elementos no Vodu clássico, no Hell Fire Club, na Magick de Crowley e na Black Order da Alemanha das décadas de 20 e 30. Aproveitou, ainda, elementos da filosofia de Nietzsche, Maquiavel e Darwin. Pela primeira vez, houve o reconhecimento do Satanismo como uma religião oficialmente estabelecida.

Para se ter um breve resumo de sua vida, LaVey nasceu em Chicago, na noite tempestuosa de 11 de abril de 1930, como se fosse um vaticínio do porvir. Foi, entre outras coisas, treinador de leões, organista profissional, fotógrafo policial, hipnotizador, investigador psíquico e um grande estudioso do oculto, buscando sempre o lado inexplorado da psique humana. Em 1998, LaVey falece de edema pulmonar, exatamente no dia 29 de outubro, no St. Mary's Hospital, em San Francisco. Misteriosamente, o atestado de óbito certificou a data do fenecimento como sendo a manhã do dia 31, coincidindo com o Halloween. LaVey foi cremado após um funeral satânico no Woodlawn Memorial Chapel em Colma.

Deixou o Satanismo estruturado como uma religião sólida, na qual, só nos Estados Unidos, há mais de vinte mil adeptos. Pessoas famosas, como Sammy Davis Jr. e Jayne Mansfield, confessaram publicamente serem satanistas. Um militar americano pode contar com um rito fúnebre satanista depois do seu falecimento, dentro da própria caserna. Paralelamente, todos os dias surgem pessoas que se apercebem da sua condição de satanista, aceitando-a amplamente, apesar dos resquícios divinos, que sempre tentam vincular a doutrina ao lado negro da história do mundo que eles mesmos criaram.

O livro básico da doutrina, The Satanic Bible, vendeu mais de meio milhão de cópias no mundo inteiro, possuindo apenas versão inglesa e, neste exato momento, perfaz, a doutrina satânica, estatisticamente, 3% das páginas religiosas expostas na web. Escreveu, ainda, mais quatro obras, The Devil Notebook, The Satanic Rituals, The Satanic Witch e Satan Speaks. Apesar de alguns erros doutrinários, passíveis de críticas, sua obra é fundamental para o entendimento do Satanismo.

A primeira dissidência da COS foi a de Michael Aquino, que se retirou da Igreja e fundou o Temple of Set. Enquanto LaVey considera Satan a grande energia negra da Natureza, Aquino como originário do deus egípcio Set ou Sata (daí Satan).  Infelizmente, LaVey começou sua decadência ao cometer os mesmos erros cristãos, ao vender cargos dentro de sua igreja e aceitar a contribuição financeira do infame Marilyn Manson, que advoga o uso de drogas, abuso infantil, automutilação e outras estultices, sem nenhuma relação com a religião, fato este denunciado por autênticos satanistas, dentro da internet. De qualquer forma, a obra, uma vez criada, desvincula-se do autor, passa a ter uma hegemonia própria.

É o momento de um importante adendo. Uma interessante metáfora acerca da criação da Church of Satan veio a público através da obra de Ira Levin, O Bebê de Rosemary (1968), em seguida adaptada para o cinema por Roman Polanski. Estrelado por Mia Farrow, John Cassavetes e outros atores, o filme elevou Polanski aos píncaros da fama, levando Ruth Gordon a receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Na verdade, este filme foi o precursor de vários outros do tipo “bebê maligno”.

Numa breve sinopse, o filme trata da história de um casal, em que o marido (John Cassavetes), para auferir fama como ator, firma um pacto com o diabo através da seita dos vizinhos bruxos, de forma a permitir a vinda do filho de Satan ao mundo. Destarte, Rosemary (Mia Farrow), pensando tratar-se de um sonho, tem um intercurso sexual com o próprio demônio. No final da película, o obstetra diz que ela perdera o filho, mas, ao ouvir um choro de criança, entra no apartamento dos vizinhos armada de uma faca de cozinha e descobre a trama, mas logo verifica que, longe do intento de sacrificar o bebê, este é venerado por todos. Ao final, Rosemary se transforma numa doce mãe.

Curiosamente, tanto na obra de Ira Levin quanto no filme de Polanski, o filho de Satan nasceu em 1966, que também é o ano em que LaVey anuncia a criação da Church of Satan, ou seja, um ano antes de Levin publicar sua história. Em ambos 1966 é anunciado como o Ano Um, que reforça ainda mais a metáfora. Roman Castavet, na festa do Ano Novo, proclama “A 1966, o Ano Um”. Muitos críticos cinematográficos acharam essa frase ser uma paródia do Anno domini, ano do suposto nascimento de Jesus, o que foi um tremendo erro.

Um detalhe na obra de Levin, que Polanki não inclui no filme, é a visita do papa a New York. É interessante notar que, imediatamente antes da cena entre Rosemary e o demônio, ela pede absolvição a um papa e a recebe. LaVey foi chamado pela mídia de Papa Negro. E, finalmente, os nomes LaVey e Levin também não soam similares?

Finalmente, quem é o demônio do filme senão LaVey? Apesar de não receber nenhum crédito, ele foi também o consultor por detrás das câmeras.

Lamentavelmente, Polanksi perdeu sua esposa grávida de oito meses, Sharon Tate, mais quatro amigos íntimos, nas mãos da “família” de Charles Manson, de forma brutal, menos de um ano após o lançamento da película, ou seja, em 9 de agosto de 1969. Tratou-se de um acaso nefasto, pois Manson pretendia assaltar outra casa, e entrara nesta por engano, depois tudo desandou.

Quanto ao filho de Satan? Está vivo e passa bem!

Finalmente, para terminar a parte histórica do Satanismo, torna-se imprescindível trazer alguns textos básicos de LaVey.

As Nove Declarações Satânicas:

1)       Satan representa indulgência, em vez de abstinência!

2)       Satan representa existência vital, em vez de sonhos espirituais!

3)       Satan representa sabedoria pura, em vez da auto-ilusão hipócrita!

4)       Satan representa bondade para quem a merece, em vez de amor desperdiçado aos ingratos!

5)       Satan representa vingança, em vez de virar a outra face!

6)       Satan representa responsabilidade para o responsável, em vez de se ligar a vampiros espirituais!

7)       Satan representa o homem como um outro animal, algumas vezes melhor, mais freqüentemente pior do que os outros que caminham de quatro, porque, em seu “divino desenvolvimento espiritual e intelectual”, se tornou o pior animal de todos!

8)       Satan representa todos os denominados pecados, pois eles se direcionam a uma gratificação física, mental e emocional!

9)       Satan tem sido o melhor amigo que a igreja já teve, pois ele cuidou de seus negócios todos esses anos!

As Onze Regras Satânicas da Terra:

1)       Nunca dê opiniões e conselhos, a menos que seja perguntado.

2)       Nunca conte suas dificuldades aos outros, a menos que esteja certo de que eles querem ouvi-las.

3)       Quando no lar de outrem, mostre-lhe respeito ou nunca vá lá.

4)       Se um convidado em seu lar lhe ofende, trate-o cruelmente e sem piedade.

5)       Nunca faça avanços sexuais, a menos que você receba o sinal de acasalamento.

6)       Nunca apanhe o que não lhe pertence, a menos que seja um peso para a outra pessoa e ela implore para ser ajudada.

7)       Reconheça o poder da mágica se você a tem empregado com sucesso para obter os seus desejos. Se você negar o poder da mágica depois de tê-la evocado com sucesso, perderá tudo o que obteve.

8)       Nunca se queixe de nada de que não necessite para si.

9)       Nunca moleste crianças.

10)   Nunca mate animais não-humanos, a menos que seja atacado ou para comer.

11)   Quando caminhando em território aberto, não aborreça ninguém. Se alguém lhe aborrece, peça-o para parar. Se ele não parar, destrua-o.

Os textos são auto-explicativos, contudo a 11a. regra satânica da terra tem gerado algumas controvérsias, razão por que passo a explicá-la. A destruição mencionada na chave é, acima de tudo, a completa ostracização do microcosmos do ser, e não se refere necessariamente à destruição física, a não ser que tal seja imperativo para a própria sobrevivência. Uma forma de destruição sutil é quando alguém tenta caluniá-lo em seu local de trabalho (um território aberto) e, instado a desistir, prossegue no intento vilanesco. Torna-se mais do que natural eliminar este aborrecimento, destruindo o agressor pela reversão do quadro, quando este é que passa a ser totalmente alijado pelos demais colegas de trabalho.


[1] Igreja de Satan

Satanomicon