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siga a estrada de tijolos amarelos: Sinfonias Música e Ocultismo O Que Aprendi Ouvindo Metal O Que Aprendi Ouvindo Metal - Welcome Home (Sanitarium)

O Que Aprendi Ouvindo Metal - Welcome Home (Sanitarium)

masterOutra música tirada do Master of Puppets, terceiro album de estúdio do Metallica.

Qual é a música:

Welcome to where time stands still 
No one leaves and no one will 
Moon is full, never seems to change 
Just labeled mentally deranged 
Dream the same thing every night 
I see our freedom in my sight 
No locked doors, no windows barred 
No things to make my brain seem scarred  

Sleep, my friend, and you will see 
The dream is my reality 
They keep me locked up in this cage 
Can't they see it's why my brain says “rage”  

Sanitarium, leave me be 
Sanitarium, just leave me alone  

Build my fear of what's out there 
Cannot breathe the open air  

Whisper things into my brain 
Assuring me that I'm insane 
They think our heads are in their hands 
But violent use brings violent plans 
Keep him tied, it makes him well 
He's getting better, can't you tell?  

No more can they keep us in 
Listen, damn it, we will win 
They see it right, they see it well 
But they think this saves us from our hell  

Sanitarium, leave me be
Sanitarium, just leave me alone 
Sanitarium  

Just leave me alone

Fear of living on 
Natives getting restless now 
Mutiny in the air 
Got some death to do 
Mirror stares back hard
kill is such a friendly word
seems the only way
for reaching out again 

--------------

Bem-vindo ao lugar onde o tempo não passa
De onde ninguém sai agora e ninguém sairá 
A Lua cheia nunca parece mudar 
Apenas rotulado como um desajustado mental 
Sonho a mesma coisa todas as noites 
Eu vejo nossa liberdade diante dos meus olhos 
Não há portas fechadas, sem janelas barradas 
Não há coisas para fazer meu cérebro parecer cicatrizes 

Durma, meu amigo, e você vai ver 
O sonho é a minha realidade 
Eles me mantém trancado, nesta jaula 
Não percebem que é por isso que o meu cérebro diz "raiva"  

Sanatório, me deixe em paz 
Sanatório, me deixe em paz  

Constrói meu medo, com o que está lá fora 
Não posso respirar o ar livre 
Sussurram coisas em meu cérebro 
Assegurando-me de que sou louco 
Eles acham que nossas mentes estão em suas mãos 
Mas hábitos violentos geram planos violentos 
Mantenha-o amarrado, isto lhe faz bem 
Ele está melhorando, você não consegue perceber?  

Eles não podem mais nos manter presos
Ouça, maldição, nós vamos vencer 
Eles vêem isso como sendo correto, como sendo bom 
Mas eles acham que isso nos salva do nosso inferno  

Sanatório, me deixe em paz 
Sanatório, me deixe em paz 

Sanitório 

Me deixe em paz 

Medo de continuar vivendo 
Os nativos estão ficando inquietos agora 
Motim no ar 
Tenho algumas mortes a fazer 
O espelho me encara de volta com um olhar duro 
Matar é uma palavra tão amigável 
Parece a única maneira 
para conseguir sair novamente

(tradução minha) 

 

O que aprendi com ela:

jackJames Hetfield, disse que a idéia da música veil do filme "Um Estranho no Ninho". 

O filme, estrelando Jack Nicholson e co-produzido por Michael Douglas, ganhou cinco Oscars, foi lançado em 1975. Ele, por sua vez, foi uma adaptação de uma peça de teatro estrela pelo pai de Douglas, Kirk Douglas, e Gene Wilder. E essa peça foi produzida a partir do livro escrito em 1962 por Ken Kesey.

A história se passa em um hospital psiquiátrico no Oregon e a narrativa é um estudo dos processos institucionais, da mente humana e uma crítica severa ao behaviorismo. A revista Times inclui o livro em sua lista dos 100 melhores livros escritos em inglês.

Ken Kesey escreveu seu livro em 1959, quando o movimento a favor dos direitos humanos atingia seu ápice, na mesma época estavam ocorrendo grandes mudanças na maneira que a psicologia e a psiquiatria estavam sendo administradas nos Estados Unidos. O próprio Kesey

fez parte do sistema enquanto escrevia, trabalhando como plantonista em um estabelecimento de tratamento da saúde mental, em Menlo Park, Califórnia, lá ele não s´ø conversava com os internos como também era testemunha do funcionamento da instituição.

O livro constantemente se refere a diferentes tipos de autoridade que controlam o indivíduo através de métodos que podem ser sutis ou coercivos, o narrador da história, inclusive, combina todas essas figuras de autoridade em sua mente, dando a elas o nome de "O Combinado", em referência à maneira mecânica com a qual eles manipulam e processam os indivíduos.

O livro conta a história de Randle Patrick McMurphy, um malandro que após ser preso, se finge de louco para ir para um hospital psiquiátrico e assim esquivar-se dos trabalhos forçados da prisão. Uma vez internado ele começa a influenciar os outros pacientes, por fim McMurphy instaura uma revolta na clínica e se torna alvo do Combinado, personificado no personagem da enfermeira Ratched que controla os habitantes de hospital psiquiátrico do romance através de uma combinação de recompensas e humilhação. 

A crítica central do livro se revolve em torno de como instituições mentais eram instrumentos de opressão, muito similares a prisões. Uma crítica defendida pelo intelectual francês Foucault, que afirmava que as formas invisíveis da disciplina oprimem indivíduos em uma escala social enorme.

holocaustoEsta realidade foi tratada em outro livro, da jornalista Daniela Arbex, que resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da história do Brasil: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. O livro Holocausto Brasileiro - Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes No Maior Hospício do Brasil, escrito em 2003, traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população.

Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças. 

A letra da música mostra justamente a transformação de uma pessoa internada em alguém alienado para alguém que se vê obrigado a matar para conseguir fugir. A instituição que deveria curar as pessoas acaba se tornando um centro que apenas piora as neuroses, inseguranças e aguça cada vez mais o desequilíbrio mental.

E vocês, povo do carrinho de mão. Contra que abuso vocês se opõe?

Por Rev. Obito