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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Maçonaria Manual do Aprendiz Franco Maçon Aplicação Moral e Operativa da Doutrina

Aplicação Moral e Operativa da Doutrina

Desbastar a pedra bruta, aproximando-a numa forma em relação ao seu destino: heis aqui, a tarefa ou trabalho simbólico ao qual deve dedicar-se todo o Aprendiz para chegar a ser o Obreiro que domina inteiramente sua Arte.

Neste trabalho simbólico, o Aprendiz é ao mesmo, tempo obreiro, matéria-prima e instrumento. Ele mesmo é a pedra bruta, representativa de seu atual e ainda muito imperfeito desenvolvimento, à qual e ainda mui imperfeito desenvolvimento, à qual tem de converter numa forma ou perfeição interior, que se encontra em estado latente dentro dessa imperfeição evidente, de modo que possa tomar e ocupar o lugar que lhe corresponde, de acordo com o Plano, no edifício ao qual está destinada.

Uma vez que a Perfeição, é infinita, e em seu estado absoluto inacessível, somente podemos esperar conseguirmos aproximarmo-nos da perfeição ideal que nos é dado conceber no estado ou etapa de progresso em que atualmente nos encontramos. Nosso progresso desenvolve-se, pois, através de graus sucessivos de perfeição relativa, e o próprio reconhecimento de nossa imperfeição por um lado (a pedra bruta), e o de um ideal que desejamos, pelo outro, são as primeiras condições indispensáveis para que possa existir um tal esforço ou trabalho.

O próprio trabalho consiste em despojar a pedra de suas asperezas, pondo primeiro em evidência as faces ocultas no estado de rudeza natural da pedra; depois retificar essas faces, alisando-as e tirando todas aquelas protuberâncias que a afastam de uma forma harmoniosa com aquela que é preciso obter.

É importante notar que não se trata de aproximar a pedra da forma de determinado modelo exterior, se bem que isto possa servir de motivação e inspiração, o importante é que o modelo ou perfeição ideal tem de ser procurado dentro da própria pedra, de cujo foro íntimo há de ser manifestada ou extraída a própria forma a qual cada pedra idealmente pertence. Ou seja, abandonando a metáfora, trata-se reconhecer e manifestar a perfeição inata do Ser Íntimo, da Idéia Divina que habita em cada um de nós, cuja expressão relativa e progressiva é o objeto constante da existência.

OS INSTRUMENTOS E A OBRA

Esse trabalho na pedra, que também historicamente é o primeiro trabalho humano requer para a sua perfeição três instrumentos característicos, que são o malho, o cinzel e o esquadro. Este último serve de medida afim de assegurar-nos que a obra mais especificamente ativa dos dois primeiros esteja de acordo com as normas ou critérios ideais universalmente reconhecidos e aceitos; aqueles são os meios complementares com os quais a perfeição concebida ou reconhecida fazer-se-á efetiva.

O esquadro representa fundamentalmente a faculdade do juízo que nos permite comprovar a retidão ou a sua falta, ou seja a forma octogonal das seis faces que tratamos de lapidar, assim como a de suas arestas e dos oito ângulos triedros nos quais elas se unem, como o objetivo de fazer com que a pedra se torne retangular, como deve ser toda pedra destinada a formar parte de um edifício.

É por intermédio do esquadro que nossos esforços para realizar o ideal ao qual nos propusemos podem ser constantemente comprovados e retificados. Isto é feito de maneira que estejam realmente encaminhados na direção do ideal, conforme é demonstrado pela simbólica marcha do Aprendiz, que ensina a cuidadosa aplicação desse valioso instrumento sobre cada passo e em cada etapa de nossa existência diária.

Desta forma, o malho e o cinzel, como instrumentos propriamente ativos, representam exatamente os esforços que, por meio da Vontade e da Inteligência, temos de fazer para nos aproximarmos da realização efetiva desses Ideais, que representam e expressam a perfeição latente de nosso Ser Espiritual. O malho, que utiliza a força da gravidade de nossa natureza subconsciente, de nossos instintos, hábitos e tendências, é pois, representativo da Vontade, que constitui a primeira condição de todo progresso e é ao mesmo tempo o meio indispensável para realizá-lo.

Temos de querer antes de poder realizar, assim como para realizar e poder realizar, sendo a Vontade a força primeira da qual podem se considerar originárias todas as demais forças, e portanto aquela que a todas pode dominar, atrair e dirigir.

Devemos entretanto, precaver-nos dos excessos aos quais poderão nos conduzir o culto exagerado da faculdade volitiva, uma vez que os resultados desta Força soberana entre todas as forças cósmicas podem também ser destrutivos, quando essa força não for aplicada e dirigida construtivamente por meio do discernimento necessário à sua manifestação mais harmônica, de acordo com a Unidade de tudo o que existe. Pois assim, como o malho utilizado sem o auxílio do cinzel, instrumento que concentra e dirige a força daquele em harmonia com os propósitos da obra, poderá facilmente destruir a pedra em vez de aproximá-la da forma ideal de sua finalidade assim igualmente a Vontade que não é acompanhada do claro discernimento da Verdade não pode nunca manifestar seus efeitos mais sutis, benéficos e duradouros.

O propósito inteligente que deve dirigir a ação da vontade é aquilo que é representado exatamente pelo cinzel, como instrumento que complementa o malho na Obra maçônica. Essa faculdade que determina a linha de ação de nosso potencial volitivo não é menos importante uma vez que de sua justa aplicação, iluminada pela Sabedoria que é manifestada como discernimento e visão geral, dependem inteiramente a qualidade e a bondade intrínsecas do resultado: ou uma formosa obra de arte sobre a qual se concentra a admiração dos séculos, ou então a obra tosca e mal formada que revela uma imaginação enferma e um discernimento ainda rudimentar.

Para que a ação combinada de ambos os instrumentos seja realmente maçônica, isto é, útil e benéfica para o propósito da evolução individual e cósmica, ela deve ser constantemente comprovada e dirigida pelo Esquadro da Lei ou norma de retidão, cujo ângulo reto representa a retidão de nossa visão, que nos coloca em harmonia com todos os nossos semelhantes fazendo-nos progredir retamente na Senda do Bem.

Esta atividade eminentemente diretora do Esquadro, que representa e expressa a Sabedoria, faz dele o símbolo mais apropriado do Ven. Mestre, assim como o malho, emblema da Força, pode ser atribuído ao 1° Vigilante, e o cinzel, produtor da Beleza, ao Segundo. Assim como a atividade combinada dos três instrumentos é indispensável à obra maçônica, da mesma forma a cooperação mais completa das três luzes da Loja e indispensável para que esta possa desenvolver um trabalho realmente fecundo.

IDEAL

Os dois Vigilantes representam também, respectivamente, o nível e o prumo. Este último principalmente diz respeito ao Aprendiz, ao demonstrar a direção vertical de seus esforços e de suas aspirações, para realizar o que há de mais elevado em seu ser e em suas potencialidades latentes.

Este esforço, em sentido oposto à gravidade dos instintos, é o que caracteriza o maçom no seu desejo de aperfeiçoamento. Sua mira deve, pois, dirigir-se constantemente ao Ideal mais elevado de sua alma, para realizá-lo em cada pensamento, palavra e ação.

Assim, como a planta cresce e progride por meio de seus esforços verticais, também, nós ao fixarmos nosso olhar no Ideal que nos revela a verdadeira luz, cresceremos em sua direção e chegaremos a encarná-lo, avançando na senda de nosso progresso individual.

Este é o uso que devemos fazer do prumo para erigir o simbólico Templo à Glória do Grande Arquiteto, do qual procedem nossas mais elevadas aspirações: o Templo que construímos ou erguemos em nosso interior com nossa própria vida, a atividade construtora que age em nós de acordo com os planos da Inteligência Criadora ou Princípio Evolutivo do Universo, com a qual temos o privilégio de cooperar conscientemente com nosso entendimento e boa vontade.

O Templo e a pedra cúbica são uma mesma coisa: o Ideal que devemos realizar individualmente em nossa vida esforçando-nos para superar nossos defeitos e debilidades, vencer e dominar nossos vícios, instintos e paixões, que são as asperezas da pedra bruta que representa nosso estado de imperfeição.

O aperfeiçoamento de si mesmo: heis aqui a parte essencial e fundamental da Obra do Aprendiz. Um aperfeiçoamento que consiste em educar, ou seja eduzir: exteriorizar e manifestar à Luz, as gloriosas possibilidades de nossa Individualidade, despojando-nos dos defeitos, erros, vícios e ilusões da personalidade, a máscara que esconde nossa verdadeira natureza.

Caminhar e esforçar-se para a Luz, buscar a Verdade e estabelecer em seu domínio o Reinado da Virtude, libertar-se progressivamente de todas as sombras que escurecem e impedem a manifestação desta Luz Interior que deve brilhar sempre, mais clara e firmemente esclarecendo e destruindo toda treva, é, em síntese, a nobre tarefa de todo verdadeiro maçom.

Uma vez que tenhamos aberto os olhos a este superior estado de consciência e que a tenhamos diretamente reconhecido, esta Luz que esta em nós, manifestar-se-á naturalmente ao nosso redor a vida toda, assim como em nossos pensamentos, palavras e ações.

PENSAMENTO, PALAVRA E AÇÃO

Pensar, falar e agir, conforme melhor for possível, de acordo, com nossos mais íntimos ideais e profundas convicções, é um trinômio que diretamente nos diz respeito em cada momento de nossa existência diária.

Pensar bem é pensar retamente, de acordo com o esquadro do Juízo, orientando toda nossa atividade mental para aquilo que em si for bom, belo e verdadeiro. O pensamento reto é pensamento positivo e construtivo, assentado sobre as funções invioláveis da Verdade e do Bem: os pensamentos inarmônicos que descansam sobre a ilusão devem ser afastados da mente, assim como foi feito simbolicamente por Jesus com os profanadores do Templo.

Esse esquadro deve apoiar-se, conforme é indicado pelo sinal do Aprendiz, sobre a garganta, para medir todas nossas palavras, em conformidade com nossos ideais e sentimentos mais elevados, rechaçando todas aquelas que não estiverem de acordo com essa medida, de forma que elas nunca se façam porta vozes de nossas tendências mais baixas e negativas, de nossos erros e juízos superficiais, de nossos ressentimentos e paixões mesquinhas, ou do domínio que a ilusão pode ainda ter sobre nós. Devemos assim mesmo, evitar toda crítica que não seja realmente construtiva, e sobre tudo não seja realmente construtiva, e sobre tudo não nos permitir nenhuma expressão que não seja inspirada por uma verdadeira benevolência.

O domínio das palavras é mais fácil que dos pensamentos, e na medida da sinceridade individual, tende a produzi-lo. Mas, este último é, naturalmente, o mais importante, uma vez que nossas palavras não podem expressar a não ser aquilo que "está em nosso coração". Desta forma à seleção das palavras deverá seguir a dos pensamentos, conforme é indicado, como veremos, pelo sinal de Companheiro.

Da mesma maneira, conforme dominemos nossas palavras e pensamentos, será possível dominarmos também nossas ações. Assim chegaremos ao terceiro ponto: agir bem, ou seja, acertadamente, e em nível com as leis morais de equidade e justiça que governam as relações harmônicas entre os homens, e em aprumo com nossos próprios princípios, ideais e aspirações. Este é pois, o sinal com o qual se dá universalmente a conhecer e reconhecer o Maçom.

Assim é como deve se usar o esquadro, horizontalmente, para medir nossas palavras, e verticalmente, para corrigir os pensamentos, e como nossas ações devem, por meio do nível e do prumo, estar igualmente em harmonia com estes e com aquelas.

O TOQUE

Também, o toque tem um sentido profundo, do fato que passa desapercebido à maioria dos maçons, uma vez que significa, de uma maneira geral, a capacidade de reconhecer a qualidade real que se esconde sob a aparência exterior de uma pessoa, e portanto, implica num grau de discernimento proporcional ao grau de compreensão que individualmente alcançamos.

Enquanto o homem profano ao conhecimento da Verdade (conhecimento que é conseguido por meio da iniciação) baseia seus juízos e suas apreciações em considerações puramente exteriores, o iniciado esforça-se em ver tudo à Luz do Real e julgar de uma forma bem diferente por ter adquirido, a faculdade de ver as qualidades reais, íntimas e profundas das coisas num grau proporcional à sua iniciação.

Em vez de ficar na superfície, na máscara, que constitui a personalidade, ou seja a parte mais superficial e ilusória do homem, esforça-se em ver sua individualidade, ou a expressão individualizada do Princípio Divino em si mesmo, que constitui seu Espírito, o Homem-Real, Eterno e Imortal.

As batidas são os toques simbólicos com os quais a qualidade do maçom vibrará em resposta natural e de forma expontânea manifestando-se como tal. Este reconhecimento prepara para o abraço fraternal através do qual é comunicada a Palavra, ou seja o Verbo e o Ideal mais elevado que está presente em seus corações que escondem zelosamente para o mundo profano da crítica e da malevolência, as "más ervas" que sufocariam e impediriam o crescimento desses preciosos germes espirituais.

Cada golpe é um esforço para penetrar sob a pele, ou seja debaixo da ilusão da aparência, até encontrar o Ser Real; é a busca individual, para descobrir o Mistério Final dentro de si mesmo e de todas as coisas nas três etapas que representam as palavras evangélicas: Buscai e achareis, pedi e vos será dado, batei e vos será aberto, referindo-se à Verdade, à Luz e à Porta do Templo.

Assim, pois, o toque manifesta e reconhece a qualidade do iniciado nos Mistérios da Construção, que se desenvolvem no indivíduo e em todo o Universo. E expressa também, como conseqüência natural, a solicitude fraternal que o iniciado manifestará em todas suas relações com seus semelhantes, e particularmente com seus irmãos.

A PALAVRA

Assim como o toque mostra que o maçom deve esforçar-se por penetrar na essência profunda das coisas em vez de ficar na superfície, a palavra mostra seu ato de fé e a atitude interior de sua consciência.

A palavra Sagrada que o Aprendiz obtém como prêmio final de seus esforços, depois de ter-se submetido às provas de iniciação, longe de ser uma palavra sem sentido, possui um significado profundo cuja compreensão e aplicação vale o esforço que foi empreendido para consegui-la. É uma palavra que é dada secretamente para que permaneça no segredo da consciência, e o aprendiz dela faça o uso fecundo que demonstra sua compensação.

A Palavra Sagrada significa: Na Força, e é, portanto o implícito reconhecimento (conseqüência da iluminação recebida, como resultado de seus esforços nas viagens do Ocidente ao Oriente) de que a Força Verdadeira e Real não reside no mundo da aparência nem nas coisas materiais, mas no Mundo Transcendente no qual reside o Princípio Imanente de tudo.

Este reconhecimento, quando for efetivo e profundo convencimento da alma, deve produzir uma mudança completa na atitude do ser: o iniciado diferenciar-se-á assim do profano, e em vez de pôr, como este, sua confiança nas coisas e meios exteriores, pô-la-á unicamente no princípio da Vida, que é o Princípio do Bem, cuja presença e onipotência terá reconhecido dentro de seu próprio ser.

O conhecimento e o uso da Palavra Sagrada é, pois, a base da verdadeira liberdade e independência: cessando de depender por completo das coisas externas e do capricho dos homens, o iniciado liberta-se das considerações materiais, que prendem a todos os que ainda não sabem onde se encontram a Força e o Verdadeiro Poder e que assim são geralmente escravos destas coisas.

Deste modo aprende o iniciado a não dobrar nunca o joelho ante os homens, elevados que sejam seus postos e os cargos que possam ocupar na sociedade, tornando-se igual aos reis ao tratar a todos os homens sem orgulho nem arrogância, e igualmente sem medo e sem temor, ou seja, simplesmente como irmãos.

Mas, sabe dobrá-lo ante o Eterno, reconhecendo-o como a única Realidade e o único poder, tirando como Moisés, ante a sarça ardente, os sapatos da ignorância e presunção, e humilhando diante Dele as asperezas de sua personalidade, para poder receber Sua Luz e tornar-se receptivo à Sua Influência, em íntima comunhão, no místico segredo da alma.

O PRIMEIRO MANDAMENTO

A Palavra Sagrada do Aprendiz possui um significado análogo ao Primeiro Mandamento: Eu sou o Senhor teu Deus: não terás outro Deus diante de mim. Aqui também vemos o implícito reconhecimento de uma só Realidade, a Realidade Espiritual de tudo; de um só Princípio, Poder e Força: o Princípio da vida, que é o Princípio do Bem e o Poder e a Força que Nele unicamente residem.

A segunda parte do mandamento mostra como neste reconhecimento devemos encontrar o poder soberano que nos assiste e nos faz triunfar sobre toda ilusão ou crença no poder ou na força da coisas exteriores. A confiança deve ser depositada única e exclusivamente no Real, naquela Realidade da qual adquirimos (como resultado da iniciação) a consciência e o contato interior, que é portanto, nosso "Pai ou Senhor", e não nos falsos deuses das considerações triviais aos quais tributam sua adoração a maioria dos homens.

Este Princípio que vive em nós é nosso Deus, ou seja, a Luz que nos conduziu para fora do Egito, a ilusão dos sentidos, o país das trevas e da escravidão. O Êxodo de Israel é pois, uma pitoresca imagem da iniciação, do êxodo individual do povo eleito dos iniciados, fora do falsos deuses, ou seja, as ilusões dos sentidos, para chegar à Terra Prometida da liberdade e da independência.

A PRIMEIRA COLUNA

A Palavra Sagrada do Aprendiz é também o nome da primeira das duas colunas que se encontram à entrada do simbólico Templo erigido pela iniciação: o Templo da Verdade e da Virtude.

Isto quer dizer que seu reconhecimento é o Princípio Básico (ou coluna) que pode nos conduzir a atravessar a Porta daquele Templo: sem este reconhecimento nunca poderemos esperar nele adentrar; sua porta permanecerá fechada até que reconheçamos essas duas colunas, das quais unicamente a primeira diz respeito ao grau de Aprendiz.

Esta coluna próxima à qual o Aprendiz recebe seu salário é pois a Coluna da Fé, coluna que ele mesmo deve erigir em si dela fazendo um ponto de apoio. E um princípio do qual nunca deve se separar, em seus pensamentos, palavras e ações, sob cuja condição poderá atuar de uma maneira sempre segura e construtiva em todas as circunstâncias de sua vida.

De tudo quanto já temos dito percebe-se com toda a clareza e importância da Palavra e da interpretação de seu significado, por ser a inteligência e o uso desta Palavra o que verdadeiramente faz o iniciado e o maçom. Esta Palavra pode e deve ser aplicada indistintamente em todas as condições da existência, estando nela o Poder de libertar-nos do mal e estabelecer-nos no Bem.

Se, portanto, aprendemos a permanecer fiéis, a esta Palavra ou de temor cessará de nos dominar e de Ter poder sobre nós: se a Força está Nele (que é a Realidade e o Princípio do Bem), toda aparência do mal é só uma ilusão que tem poder sobre nós enquanto nossa mente reconhece esta ilusão como "realidade", mas que desaparece tão logo paramos de lhe dar em nosso foro íntimo realidade e poder.

O temor é pois, a única corrente que nos prende ao mal e pode lhe dar domínio sobre nós: se cessamos de temer o mal e, com plena e profunda convicção de nossa consciência, lhe negamos uma verdadeira existência e realidade, fugirá de nós como fogem as trevas ao aparecer a luz. Isto explica como Daniel, verdadeiro iniciado e fiel à Palavra, pode estar perfeitamente tranqüilo em meio aos leões famintos, e como estes não lhe causaram dano algum.

Esta coluna de Fé absoluta no Princípio ou Realidade cuja existência e onipotência reconhecem em si mesmo, é aquela que o Iniciado deve levantar em seu interior para que lhe sirva de base para apoiar todos seus esforços, tanto de baluarte como de defesa em qualquer circunstância ou perigo.

O PRINCÍPIO DO BEM

A palavra reconhece implicitamente o Bem como único Princípio, Realidade e Poder, e consequentemente o Mal como pura ilusão e aparência que não tem Realidade nem poder verdadeiros.

Este é o ensinamento de todos os iniciados: daqueles que chegaram a penetrar e estabelecer-se com sua consciência por cima do domínio do aparente, onde o Bem e o Mal figura como poderes iguais, como pares de opostos irreconciliáveis que lutam constantemente um contra o outro, e que se alternam como o dia e a noite, a luz e as trevas, a vida e a morte.

O iniciado sabe que, detrás do mundo da aparência, existe uma só e única Realidade, e que esta Realidade é o Bem: Bem Infinito, Onipresente e Onipotente; que além desta única e pura Realidade, nada existe e nada pode existir. Que aquilo que consideramos mal é uma sombra inconsistente, uma verdadeira irrealidade, uma pura e simples ilusão de nossos sentidos e de nossa imaginação, que deve ser superada no mais íntimo de nossa consciência para que possa desaparecer como concretização exterior.

A primeira letra da Palavra Sagrada, com a qual costuma-se nomear a Coluna do Norte, lembra-nos esse Princípio do Bem, no qual devemos por toda nossa confiança, e que assim nos fará partícipes de seus benefícios, pois um Princípio faz-se operativo unicamente quando é reconhecido, vive e reina em nossa alma.

O homem escravo da ilusão do mal, reconhecendo-o como poder e realidade, dá-lhe preponderância em sua vida, e seus esforços para combatê-lo reforçam as correntes da escravidão. Só quando o reconhece como ilusão, e cessa consequentemente de Ter poder em sua consciência, é quando na realidade dele se liberta.

USO DA PALAVRA

A Palavra torna-se efetiva por meio de sua aplicação nas oportunas afirmações e negações entendidas para conduzir nosso ser interno ao reconhecimento ou percepção da Verdade que essa mesma Palavra quer reverlar-nos. Muito explícitas e oportunas são, sob esse aspecto, as palavras do maior Iniciado que conhecemos: Se perseverardes na minha Palavra (ou na Palavra) conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.

A Palavra deve pois, afirmar-se e repetir-se com fidelidade e perseverança para que possa conduzir-nos à consciência da Verdade que encerra. Então, esta Verdade tornar-se-á efetiva em nossa vida, convertendo-se em verdadeiro poder que nos libertará do erro, do mal e da ilusão.

Além disso todas nossas palavras, indistintamente, possuem um poder construtivo ou destrutivo; as primeiras unem e atraem , as segundas desunem e afastam. É pois, de importância essencial que selecionemos com extremo cuidado aquilo em que pensamos e aquilo que dizemos, pois por trás de cada palavra ou pensamento, esta aquele mesmo Poder do Verbo que se encontra no princípio de toda coisa: Todas as coisas por ele foram feitas; e sem ele nada se fez.

A firmar o Bem, negar o Mal; afirmar a Verdade, negar o Erro; afirmar a Realidade, negar a Ilusão: heis aqui em síntese como deve ser usada construtivamente a Palavra. Como exemplo damos uma afirmação característica que deve ser lida e repetida individualmente, em íntimo segredo, e a semelhança da qual muitas outras podem ser formuladas:

Existe uma única Realidade e um único Poder no Universo: Deus, o Princípio, a Realidade e o Poder do Bem, Omnipresente e Omnipotente.

Consequentemente, não existe nenhum Princípio do Mal, este não tem realidade e poder verdadeiros, e é só uma imagem ilusória que deve ser reconhecida como tal para que desapareça.

Existe uma única Realidade e um só Poder em minha consciência: Deus, o Princípio, a Realidade e o Poder do Bem, a Omnipresença, Omnisciência e Omnipotência do Bem.

Por conseguinte, o mal não pode ter sobre mim e sobre minha vida poder algum, se eu mesmo (dando-lhe) vida ou combatendo-o) não o reconheço e confiro temporalmente realidade e poder: é um deus falso que se antepõe ao Verdadeiro Deus, que é Bem Infinito, uma sombra ilusória que impede que resplandeça a luz do Real.

O Espírito Divino é em mim, Vida Eterna, Perfeição Imortal, Infinita Paz, Infinita Sabedoria, Infinito Poder, Satisfação de todo o justo desejo, Providência e Manancial de tudo o que necessito e é manifestado em minha vida: meus olhos abertos à Luz da Realidade vêem em toda parte Harmonia e Boa Vontade: o Princípio Divino que se expressa em todo ser e em toda coisa.

O PLANO DO GRANDE ARQUITETO

O maçom coopera para a expressão ou realidade do plano do Grande Arquiteto, ou Inteligência Criadora, cujas obras aparecem em todo o Universo. Este plano é a Evolução Universal de todos os seres, o progresso incessante e a elevação da consciência, em constante esforço numa superação igualmente constante das imitações, constituídas por suas realizações anteriores.

O Plano do Grande Arquiteto age automaticamente na vida dos seres inconscientes, que sentem serem empurrados para a frente até o momento em que eles próprios atinjam o plano ou nível da autoconsciência, que caracteriza o estado humano e diferencia o homem do animal, que não tem necessidade de perceber a razão dos impulsos que o dominam, nem das Forças que o conduzem.

Mas para os seres dotados de autoconsciência e de faculdades de juízo e livre arbítrio (os que comeram do simbólico fruto da Árvore do Bem e do Mal), o progresso deixa de ser possível num estado de mera passividade, e percebe a necessidade de compreensão e inteligente cooperação, na proporção do desenvolvimento destas faculdades.

Em outras palavras, enquanto a Natureza, por seus próprios esforços, evolui como resultado de uma atividade de milhões de anos, através dos reinos mineral, vegetal e animal, até produzir sua Obra Mestra, o homem, cujas possibilidades espirituais o diferenciem por completo dos seres inferiores; e para que possa transformar-se num ser ainda mais elevado e perfeito, um Mestre, é necessário que o homem coopere voluntariamente com a Obra da Natureza, ou Plano do Grande Arquiteto.

Assim, o maçom distingue-se do profano, ao entender e realizar esta cooperação voluntária e consciente, convertendo-se num Obreiro dócil e disciplinando na Inteligência Criadora, esforçando-se em seguir a Senda que conduz ao Magistério, ou seja, à perfeição da Magna Obra do Domínio completo de si mesmo e da redenção e regeneração individual.

Mas para o aprendiz este Magistério é um Ideal necessariamente distante: ele ainda se encontra nos primeiros passos do caminho, nos primeiros esforços dessa cooperação Voluntária, com um Plano, uma Lei e um Princípio Superior que o conduzirão à realização das mais elevadas possibilidades de seu ser, e para isto, as qualidades que antes de mais nada deve adquirir são exatamente docilidade e disciplina.

É digno de nota que estas duas palavras sejam originárias respectivamente dos verbos latinos "docere" e "discere", que significam "ensinar" e "aprender". Dócil é o adjetivo que denota a disposição para aprender, a atitude ou capacidade necessária para receber o ensinamento.

Disciplina, em seus dois sentidos de "ensinamento" e "método ou regras às quais alguém se sujeita, vem de discípulo, termo equivalente ao de aprendiz. Portanto, ser disciplinado deve considerar-se como o requisito fundamental da Aprendizagem, que é a disciplina à qual o aprendiz ou discípulo naturalmente se submete para poder ser considerado como tal.

A disciplina é a parte que ao aprendiz compete no Plano do Grande Arquiteto: a harmonização de todo seu ser e de todas suas faculdades, que o fará progredir de acordo com as Leis Universais, transformando-o de pedra bruta na pedra polida capaz de ocupar dignamente seu lugar e preencher o papel e as obrigações que lhe competem.

Essa disciplina é voluntária, e de nenhuma forma poderá ser imposta de fora, ou por parte dos outros: é a disciplina da liberdade que tem na liberdade individual sua base indispensável, e é ao mesmo tempo a que outorga ao homem sua mais verdadeira liberdade e a custódia. E é uma disciplina libertadora, uma vez que libera as Forças Espirituais latentes, do "Deus acorrentado" que vive e espera no coração de todo homem, e é a fonte de seus mais íntimos anseios, de seus mais nobres ideais, de suas mais altas aspirações.

A GRANDE OBRA

O Plano do Grande Arquiteto está previsto para a realização de uma Grande Obra. Esta tem dois aspectos: individual e universal, com os quais o maçom é igualmente chamado a cooperar através de seus esforços e atividades.

Já vimos que a autodisciplina é o meio pelo qual o aprendiz se prepara para conseguir compreender e realizar as fases mais elevadas da Grande obra de Redenção e Regeneração Individual, através da qual o homem transformar-se-á num ser que estará num nível superior ao da humanidade, num verdadeiro sábio ou Mestre, num super-homem.

Seus esforços não devem ser dirigidos exclusivamente para o interior, mas será nas profundezas de sua alma que o maçom buscará a Luz que guia e ilumina a consciência, e que é ao mesmo tempo inspiração para sua atividade exterior, com a qual tem o privilégio de cooperar no Plano do Grande Arquiteto, na Grande Obra para o bem e o progresso do mundo e de seus semelhantes.

Por modesta que seja a atividade, tarefa ou trabalho que a cada maçom compete na vida profana, esta deixa de ser uma carga e converter-se assim numa atividade nobre e digna enquanto ele a considerar como realmente é, isto é como sua parte no grande Plano para a evolução de todos os seres, como sua cooperação individual e consciente na Grande Obra Universal.

Não há dessa forma, trabalho humilde que não esteja enobrecido e dignificado. Por outro lado, não há dificuldade ou problema superior às nossas forças que não nos seja dado resolver, quando percebemos que o Plano do Grande Arquiteto é e tem realmente de ser perfeito em todos os seus detalhes, nenhum dos quais pode ter esquecido a Inteligência Suprema, que além do mais se acha constantemente conosco e ao alcance de nossa inspiração para guiar-nos e iluminar-nos.

A dignificação do trabalho como a de toda atividade feita com a devida disposição de espírito, isto é, com a melhor inteligência e boa vontade de que dispomos, como cooperação para uma Grande Obra Universal, dirigida pela Inteligência Suprema ou Grande Arquiteto do Universo, é sem dúvida um dos maiores méritos da Maçonaria. Nenhum ser humano, qualquer que sejam suas condições e sua posição social, tem o direito de viver ocioso, senão que cada um deve esforçar-se por trabalhar construtivamente a serviço, utilidade ou benefício de seus semelhantes. Deve dedicar-se àquilo que sabe e pode fazer melhor, considerando que seja útil e proveitoso ao máximo.

A atividade de cada homem tem de ser pura e simplesmente expressão daquela parte do Plano do Grande Arquiteto que particularmente lhe diga respeito. Isto é, a expressão de seu Ideal mais elevado de atividade, em relação às suas capacidades atuais, e a que lhe melhor expresse as qualidades, faculdades e potencialidades latentes do seu ser, que eleve seu espírito e o faça progredir constantemente.

Por esta razão as profissões desonrosas e as que especulam sobre a desgraça alheia, como as de verdugo, açougueiro, agiota, espião, mantenedor de prostíbulos, etc., são indignas da qualidade de maçom, enquanto as nobres profissões materiais, por humildes que sejam (não esquecendo que de uma delas a Maçonaria tem sua origem e simbolismo), sempre dignificam sua categoria maçônica.

Finalmente, qualquer que seja sua atividade ou ofício, o maçom deve agir constantemente em perfeito acordo com seus Princípios e seu Ideal mais elevado, antepondo as razões e considerações espirituais às materiais, abstendo-se de tudo aquilo que sua consciência não aprovar e do que não lhe parecer perfeitamente justo, reto e digno de sua qualidade de maçom. Mas ao mesmo tempo deve cuidar para que um juízo superficial não lhe faça depreciar e considerar como indigno aquele que, na realidade, significa um real benefício e constitui uma atividade útil ou necessária.

A SUA GLÓRIA

A maçonaria dedica constantemente seus trabalhos à Glória do G. A.. Assim, também, deve fazê-lo cada maçom, em sua atividade individual, sem preocupar-se com a compreensão, aprovação ou reconhecimento dos homens ou com a compensação de seus esforços, buscando inicialmente realizar em si a Glória ou expressão do Princípio Divino.

Deve ter presente que sua obra ou trabalho, ainda que dirigidos a uma finalidade particular, não servem a não ser para glorificar ao Deus silencioso que nele mora, o inspira e o guia a cada momento, desejoso de encontrar sempre uma mais plena e perfeita expressão de si mesmo.

Igualmente deve Ter presente que este Princípio interior e transcendente, que é a Perfeição Inteligência e Onipotência, é a quem deve servir primeiramente, qualquer que seja sua direta ou indireta dependência exterior, e não antepor a aprovação e satisfação desta à Daquele.

Como a palavra "servir" nos conduz naturalmente a falar do serviço, é necessário que alguma coisa seja dito sobre como isto deve entender-se maçonicamente. Todas estas palavras provêem do latim servus, que significa originalmente "escravo", por ser "salvo" ou conservado com vida em lugar de ser morto, como se fazia naquele tempo com os prisioneiros.

É claro que o maçom, sendo um homem livre, nunca deve trabalhar com espírito servil, isto é como um escravo. Ainda que é certo que qualquer atividade, desde a mais humilde à mais elevada, pode e deve ser considerada como um serviço feito em benefício dos demais (o rei ou presidente de uma república que compreenda perfeitamente seu dever serve a seus cidadãos, do mesmo modo que o faz o simples varredor), o maçom, fiel a seus Princípios, tem o privilégio de ser vir com liberdade, isto é, fazendo-se guiar constantemente pelos motivos mais elevados e por considerações morais e ideais, mais que por conveniências materiais, como o faz o escravo destas, que não deixa de sê-lo, ainda que em sua mundana dignidade de rei.

A BUSCA DA VERDADE

Sem dúvida o primeiro é fundamental entre os deveres do maçom é realizar essa qualidade esforçando-se em compreender aquilo que ela verdadeiramente significa. Se bem é certo, que a iniciação confere o título de maçom, a qualidade deve ser adquirida individualmente, esforçando-se este para por em prática, como fórmula operativa, a iniciação simbólica que recebeu.

Estudar o simbolismo maçônico é esforçar-se para tornar efetiva a Verdade encontrada ou descoberta, de forma que a cada passo do pé esquerdo (inteligência ou compreensão da Verdade) corresponda um igual passo do pé direito (aplicação prática daquela Verdade), em perfeito esquadro com o primeiro. Nisto deve o maçom de qualquer grau, aplicar-se com todas suas energias, pois nunca perde mesmo com seu progresso na carreira maçônica, seu caráter inicial de aprendiz.

A busca da Verdade deve ser feita individualmente (como individual é a iniciação, e o caminho que a realiza), e a ajuda dos outros pode servir unicamente de guia, com a condição de que seja um experto, isto é, de que já conheça o caminho. Todas as demais teorias, opiniões e crenças que são vociferadas ao vosso redor são outros tantos murmúrios aos quais não devemos dar importância, se verdadeiramente queremos chegar ao termo de nossas aspirações.

Mas, para buscar eficazmente a Verdade e alcançá-la é necessário o veemente desejo de possuí-la, isto é, um desejo cuja força seja suficiente para impulsionar-nos, com a necessária energia, para fora do caminho usual das frivolidades, dentro e por cima da própria ilusão dos sentidos, conduzindo gradualmente nossos passos do Ocidente para o Oriente. Se este desejo não existe, é necessário esperar até que desperte, pois seria vão empreender a viagem sem este impulso íntimo pois só ele pode nos dar a força de superar e vencer todos os obstáculos que encontramos em nosso simbólico Caminho.

A busca deve realizar-se igualmente com perfeita liberdade de espírito, tendo-nos despojado de todos os erros, prejuízos e crenças que são os metais ou moeda corrente do mundo profano, exercitando-nos em pensar por nós mesmos, sem Ter outro objetivo que a Verdade, á qual chegaremos quando conseguirmos superar os próprios limites de nosso pensamento.

OS TRÊS DEVERES

A procura da Verdade conduzir-nos-á naturalmente ao reconhecimento dos três deveres, objeto de nossa consideração no Testamento, isto é, de nossa tríplice relação: 1º com o Princípio de Vida; 2º com nós mesmos, como expressão individualizada e pessoal de dito Princípio; e 3º com a humanidade, na qual devemos reconhecer outros tantos irmãos, quer dizer, outras tantas expressões paralelas do mesmo Princípio da Vida.

Desta trina relação, o maçom, como executor testamenteiro de si mesmo, é chamado a ser e dar testemunho vivo.

Seu dever com o Princípio da Vida está implícito na busca da Verdade que acabamos de considerar e que conduz naturalmente o Indivíduo a reconhecer sua exata relação com este Princípio e a reconhecê-lo como Realidade e Essência Verdadeira de tudo. Mas, o maçom não pode simplesmente limitar-se a reconhecer a Grande Realidade do Universo como um Princípio Abstrato, senão que é chamado a fazer deste reconhecimento um uso construtivo e prático.

Isto faz-se por intermédio do uso da palavra à qual já nos referimos anteriormente, a Palavra da Verdade que estabelece nossa íntima e direta relação com o Princípio da Verdade, que é também o Princípio da Verdade, que é também o Princípio da Vida do Ser.

Nosso dever ou relação com nós mesmos consiste em estabelecer a mais perfeita conexão ou alinhamento entre as duas partes ou polaridades de nosso ser, isto é, entre a personalidade e a individualidade, entre nosso Ser Mortal e nosso Ser Imortal, de forma que a primeira, em vez de ser a máscara que esconde, seja sempre uma melhor expressão da Segunda, atingindo-se a perfeição quando as duas estiverem intimamente unificadas e cesse toda a distinção.

Este é o simbólico trabalho da pedra bruta que deve ser conduzida, por meio do esforço constante da Vontade e do Pensamento, em harmonia com os Princípios Ideais, a fim de realizar sua perfeição interior até que a forma exterior tenha se identificado com a própria Perfeição Ideal e Latente.

Nosso dever ou relação com a humanidade não é menos importante que todos os deveres já anteriormente citados, dos quais é a conseqüência natural: o iniciado reconhece em cada homem um irmão, e em cada ser vivente uma expressão do mesmo Princípio de Vida que sente em si mesmo. Este reconhecimento manifestar-se-á primeiramente com a abstenção de tudo o que possa prejudicar, danificar ou fazer sofrer a outro ser vivo; e depois amando nossos irmãos ou semelhantes como a nós mesmos.

Em outras palavras, trata-se de por em prática os dois aspectos do mandamento ou Regra Áurea da vida: Não faças aos outros o que não queres que te façam, e Faz aos outros aquilo que desejarias que a ti fosse feito.

SEGREDO E DISCREÇÃO

A disciplina do silêncio é um dos ensinamentos fundamentais da Maçonaria. Quem fala muito pensa pouco, rápida e superficialmente, e a Maçonaria quer que seus adeptos se tornem mais pensadores do que faladores.

Não se atinge a Verdade com muitas palavras e discussões, mas sim com o estudo, a reflexão e a meditação silenciosa. Portanto apreender a calar é aprender a pensar e meditar. Por esta razão a disciplina do silêncio tem uma importância tão grande na escola pitagórica, onde a nenhum discípulo era permitido falar, sob nenhum pretexto, antes de que houvessem transcorrido os três anos de sua aprendizagem, período que corresponde exatamente ao do aprendizado maçônico.

Saber calar não é menos importante que saber falar, e esta última arte não é perfeitamente aprendida antes de que tenhamos nos adestrado na primeira, retificando por meio do esquadro da reflexão todas nossas expressões verbais instintivas.

No silêncio as idéias amadurecem e clareiam, e a Verdade aparece como a Verdadeira Palavra que é comunicada no segredo da alma a cada ser. A Arte do Silêncio é pois, uma arte complexa, que não consiste unicamente em calar a palavra exterior, mas que requer para que seja realmente completa, que também ocorra o silêncio interior do pensamento: quando soubermos calar nossos pensamentos então é quando a Verdade poderá intimamente revelar-se e manifestar-se em nossa consciência.

Para poder realizar esta disciplina do silêncio, temos igualmente de compreender o significado e o alcance do segredo maçônico. O maçom deve calar-se ante as mentalidades superficiais ou profanas sobre tudo aquilo que somente os que forem iniciados em sua compreensão podem entender e apreciar.

Por outro lado, os sinais e meios de reconhecimento, e tudo quanto se refere aos trabalhos maçônicos, devem conservar-se no mais absoluto segredo, posto que deste segredo depende a perfeita aplicação, utilidade e eficácia dos mesmos. São estes os meios exteriores ou materiais com os quais está formada e é soldada fazendo-se efetiva, a mística cadeia de solidariedade, que através da Maçonaria abraça toda a superfície da Terra.

Nenhuma razão justificaria que o maçom violasse o segredo ao qual se obrigou com solene juramento, sobre a forma de reconhecimento entre os maçons e o caráter de seus simbólicos trabalhos, nem sequer quando lhe parecer útil para sua própria defesa ou para a defesa da Ordem.

Como os iniciados sempre fizeram, os maçons devem suportar estoicamente e deixar sem resposta as acusações e calúnias das quais forem objeto, esperando com tranqüila segurança que a verdade triunfe e se revela por si mesma, pela própria força inerente a ela, como inevitavelmente sempre ocorre.

O iniciado deve, pois, renunciar sempre à sua própria defesa, quaisquer que possam ser as acusações e ofensas que lhe sejam dirigidas. Deve, além disso, estar disposto a sofrer, se necessário, uma condenação imerecida: Sócrates e Jesus, entre outros, são dois exemplos luminosos, cujo martírio foi transmutado em apoteose. A Verdade que silenciosamente atesta sua conduta, fará de per si, sem dúvida, sua defesa segura e infalível.

No que diz respeito ao ritual maçônico, é certo que boa parte das formalidades em uso na Sociedade não permaneceram inteiramente secretas. Mas, é igualmente certo que não podem ser de utilidade verdadeira senão para os maçons, da mesma maneira que os instrumentos de determinada arte só servem para os obreiros conhecedores e capacitados nessa arte. A grande maioria das obras que tratam de Maçonaria sempre caem, direta ou indiretamente, nas mãos de maçons, que, por outro lado, são os únicos capacitados para realmente entendê-las.

Assim pois, é dever do maçom cuidar de que seja observado o segredo também, naquelas partes do ritual maçônico que possam ter chegado a conhecimento público, abstendo-se de igualmente negar como de confirmar a autenticidade das pretensas revelações encontradas nas obras que tratam de nossa Instituição e que muitas vezes revelam extrema ignorância além de superficialidade.

Quanto ao verdadeiro "segredo maçônico", a sua natureza esotérica coloca-o para sempre ao abrigo dos espíritos superficiais, tanto fora como dentro de nossa Sociedade. Ainda que se possa falar deste segredo com toda clareza em obras similares à presente, quem as escreve bem sabe que sua compreensão e entendimento não podem ir mais além daquilo que lhe tenha sido destinado pela Hierarquia Oculta que governa a Ordem: os que lêem e entendem ou bem são maçons desejosos de conhecer o significado oculto do simbolismo de nossa; Arte, ou bem o são em espíritos superficiais estas obras não exerceram atração alguma.

A discrição do maçom que entende os segredos da Arte também deve ser exercida, com os irmãos que não possuem ainda a suficiente maturidade espiritual que é condição necessária para que possam fazer uso proveitoso de suas palavras.

A verdade não serve e não pode ser recebida por aquele que não se encontre ainda em condições de entendê-la, ou prefira viver no erro: todo esforço que for feito para convencê-lo transmutar-se-á em vosso prejuízo pessoal. Deixai, pois, em paz a todos aqueles irmãos sinceros, e muitas vezes entusiastas, que entendam a Maçonaria à sua maneira, com espírito semi-profano, e que se esforçam em praticá-la com boa Vontade, na medida de seu entendimento.

O maçom que conhece a verdadeira palavra deve estar sempre disposto a dar a letra que lhe corresponde quantas vezes esta lhe for pedida. Mas deve esperar sempre que esta letra lhe tenha sido direta ou indiretamente pedida fazendo com que ela esteja em perfeita correspondência e harmonia com a letra encontrada que lhe é dirigida como pergunta. A cada um se responde quando se julga necessário, de acordo com as idéias que ele expressar: não se fazer compreender bem causa dano igualmente a quem fala e a quem escuta.

NECESSIDADE DA TOLERÂNCIA

A mais ampla Tolerância é portanto necessária em matéria de idéias e opiniões, impondo-se como primeira condição da vida e da atividade maçônica, e como postulado necessário para que as diferenças entre as idéias não impeçam a realização da solidariedade e do espírito de fraternidade que sempre deve reinar entre os maçons.

Que cada um se esforce individualmente e de acordo com as possibilidades de sua inteligência e faça o melhor e mais sábio uso de seus conhecimentos; mas que cuide de não censurar os demais, seja porque ele não os entende ou porque eles não o entendem já que sempre ocorre um dos casos, e freqüentemente ambos de uma só vez.

Toda opinião sincera merece por tal razão ser respeitada ainda que possa haver discordância em seus méritos. A verdadeira liberdade de pensamento mede-se pela liberdade que cada indivíduo sabe conceder aos demais.

A diferença de idéias nunca deve produzir como resultado uma falta de simpatia e menos ainda de antipatia entre dois irmãos: aqueles que o fazem faltam a seus deveres de maçons. Devem isto sim, tratar de compreender e de identificar-se mutuamente o melhor possível com o ponto de vista contrário. Toda antipatia é fundamentalmente uma falta de compreensão, enquanto que compreensão e simpatia são sinônimos.

Por outro lado, sendo infinitos os pontos de vista desde os quais pode considerar-se a Verdade, é sempre presunçoso, denotando fanatismo e estreiteza de visão tornar-se juiz das opiniões alheias. Na realidade, ninguém pode ser os que podem afirmar estar absolutamente imbuídos da Verdade: a maioria da opiniões que se expressam participam, em diferente medida, do erro e da verdade, sendo as duas polaridades.

Além disso, é acima de tudo importante que cada homem busque, encontre e abra seu próprio caminho individual em direção à Luz: nunca podemos, portanto, pretender encontrar uma absoluta uniformidade de opiniões e de idéias, se bem que é correto dizer que estas se aproximam entre si próprias tanto quanto mais convergem as mentes individualmente para a Verdade. Mas cada um tem de pensar por si mesmo e ninguém pode tomar para si este trabalho alheio, se bem que pode se ajudar aos outros estimulando seus pensamentos.

DEVERES DA LOJA

Os maçons agrupam-se em lojas conforme as suas afinidades naturais, de ordem intelectual social e profissional. Cada Loja tem assim, sua particular fisionomia e orientação, expressão coletiva dos ideais e tendências individuais dos que a integram.

Como fundamental unidade maçônica, toda Loja representa uma diferente encarnação da Ordem da qual é o expoente, uma particular interpretação e realização da finalidades, propósitos e ideais da Maçonaria Universal. Esta vive, se manifesta e age em cada uma de suas Lojas indistintamente, como o Espírito Único que anima a todos os seres do universo, sendo cada ser uma diferente expressão individualizada do mesmo Princípio.

Cada Loja encontra-se diretamente relacionada com as que a precederam, nas quais foram iniciados seus fundadores e membros filiados; e da mesma forma está relacionada com as Lojas que podem ser formadas por seus membros, e que nesta receberam a investidura e qualidade de maçom. Assim, todas as lojas do Universo, as que existiram nos anos e séculos passados, as que existem na atualidade, e as que serão criadas no futuro, formam, com sua filiação e descendência, uma cadeia ininterrupta que se estende desde épocas imemoriais, testemunhando a Vida única que anima o múltiplo corpo da Instituição e faz com que todas as Lojas estejam enlaçadas umas às outras.

Assim, foram transmitidos universalmente, de Loja em Loja, modificando-se e adaptando-se parcialmente as antigas tradições e os usos e fórmulas rituais. Assim, toda Loja formada por maçons regularmente iniciados, sem distinção de filiação ou obediência, pode se dizer que é, efetivamente, em sua jurisdição, a representante da Ordem.

Todo maçom tem o dever de filiar-se ou contribuir para a formação de uma Loja; e, dentro de sua Loja, todo maçom deve cooperar como melhor puder com a atividade impessoal do conjunto do qual forma parte integrante, anexando à Obra Comum o tributo de seu pensamento e boa vontade.

Cada um dos membros da Loja tem seu dever particular de acordo com o posto que ocupa e a atividade que lhe corresponde, devendo ser o seu intérprete fiel. Todo cargo indistintamente é uma oportunidade para manifestar e exercer as qualidades que para aquele cargo especialmente se exigem.

Assim, o Venerável é especialmente quem deve iluminar a Loja com a Sabedoria e o Reto Juízo que simbolicamente representa, dirigindo construtivamente sua atividade. O 1° Vigilante deve manifestar discernimento, clareza e força nas decisões, cooperando com o Venerável na ordem dos trabalhos, na sua exatidão e perfeito desenvolvimento. O 2° Vigilante deve tornar-se o expoente da Harmonia, cuidando para que todos se mantenham em um nível de perfeita equidade e compreensão, resolvendo assim suas dificuldades.

O Secretário tem a incumbência de anotar e registrar fielmente todas as atividades da Loja, assim como a de traçar suas pranchas. Enquanto o Orador, que toma assento em frente dele, tem a seu cargo tornar-se o porta voz das palavras e dos pensamentos de seus irmãos, assim como de toda a Ordem em seu conjunto, fazendo o uso fecundo e construtivo da palavra.

O Tesoureiro é o depositário tanto dos valores espirituais como materiais, e seu mais especial cuidado tem de ser que estes sejam sempre empregados para fomentar e enaltecer àqueles. O Hospitaleiro faz-se o expoente da solidariedade da Loja, cuidando para que nunca se enfraqueça o laço de união que sempre deve existir entre todos os membros da Ordem.

O Mestre de Cerimônias deve cuidar da ordem e da harmonia, assim como do prestígio dos trabalhos. O porta-estandarte deve custodiar o ideal ou Logos particular que a Loja representa e encarna.

Os dois diáconos, à semelhança de Mercúrio e Isis, são mensageiros da Sabedoria e da Vontade que se expressam na Oficina. E os dois Expertos tem de demonstrar sua perícia como guias dos candidatos e demais membros ainda inexpertos sobre o Caminho simbólico da Luz.

O Guarda do templo deve cuidar com toda atenção da cobertura da Loja, e da qualidade realmente construtiva dos elementos e materiais que adentram nela de forma que seus trabalhos sejam eficientes e completos.

Finalmente, cada membro da Loja esforçar-se-á em ser realmente uma das colunas do simbólico Templo que a própria Loja representa, fixando seu olhar nos Princípios Ideais que constituem seu telhado, e apoiando firmemente os pés sobre o solo da contingência e da realização objetiva. Desta forma, o cumprimento individual dos deveres designado a cada irmão fará com que a Loja prospere e seja uma contribuição efetiva à prosperidade e ao progresso da Ordem.

OS TRABALHOS MAÇÔNICOS

Os trabalhos representam a atividade coletiva dos irmãos na Loja. O que caracteriza estes trabalhos e os distingue das reuniões e assembléias profanas é o cerimonial especial segundo o qual se desenvolvem, e particularmente, são abertos e encerrados; cerimonial este cuja peculiar nota distintiva é a ordem, manifestando-se nesse ritmo constante que favorece a continuidade dos já realizados.

Tanto a abertura como o fechamento dos trabalhos verifica-se em horas convencionais e simbólicas, sobre as quais o Ven. Mestre sede informações ao 1 Vig. Na maioria dos rituais atualmente em uso, estas horas são do meio dia à meia-noite para os três graus simbólicos, significando o meio-dia (a hora em que o sol está no zênite, na plenitude de seu poder luminoso e calorífico) a maturidade espiritual necessária para ser maçom, e a meia noite (hora na qual a luz do dia desapareceu por completo por estar o sol no nadir), o momento em que já não é possível atuar nesses trabalhos de modo eficaz.

Entretanto, em nossa opinião é mais razoável e mais coerente com as antigas tradições maçônicas que os trabalhos sejam abertos e encerrados em horas diferentes para os distintos graus (que representam diferentes épocas ou etapas de evolução) e que, particularmente para o grau de evolução) e que, particularmente para o grau de aprendiz, os trabalhos sejam iniciados a saída do sol (isto é, naquele período da vida no qual a luz espiritual se manifesta primeiro na consciência) e sejam concluídos ao meio-dia (ou seja na hora em que a plenitude da luz permite a passagem para uma câmara ou grau superior).

Também do ponto de vista do simbolismo material, estas horas são as mais apropriadas para o trabalho especial do aprendiz (desbastar a pedra bruta, aproximando-a de uma forma em relação ao seu destino), enquanto as horas sucessivas podem ser utilmente aproveitadas por outros obreiros que completem o trabalho dos primeiros, levando as pedras e dispondo-as, oportunamente, no edifício em construção, para cuja finalidade foram lavradas.

O reconhecimento da hora deve ser acompanhado da idade, que possui um valor equivalente, representando aquela época ou estado na evolução individual em que é possível tomar parte nos trabalhos maçônicos, isto é, agir em harmonia com a lei e o Princípio Construtivo do Universo. Os três anos do aprendiz significam, na evolução individual, a passagem pelas três grandes etapas evolutivas representadas pelos três reinos da natureza; mineral, vegetal e animal, nos quais se desenvolve progressivamente aquela individualidade que no estado humano aparece em sua perfeição, como autoconsciência, com as qualidades que a acompanham: o pensamento consciência, o juízo e a vontade livre.

Não devemos nos descuidar da particularidade de que o Ven. Mestre toma informação exatamente do 1 Vig. tanto a respeito da hora quanto da idade. Por intermédio destas perguntas, o primeiro não só se assegura da qualidade maçônica da pessoa com a qual fala, o que constitui a primeira condição para que os trabalhos ocorram, mas que torna evidente a necessidade (ou Segunda condição) de que o tempo, que representa o momento evolutivo e as circunstâncias externas, seja além do mais oportuno e favorável.

A atividade maçônica requer tempo e condições especialmente adaptadas; necessita que a responsabilidade do ambiente faça fecundo e próspero o labor que queremos empreender. Quando este não o for, a pergunta ficará sem resposta, e será necessário esperar até que chegue a hora.

Em outras palavras, permanecendo dentro de nosso coração tenazmente fiéis a nossos ideais, projetos e aspirações, assim como aos esforços que tenhamos empreendido, haveremos de saber esperar a hora com Fé imutável: o tempo não pode deixar de nos fazer justiça e recompensará infalivelmente nossa perseverança.

ABERTURA DOS TRABALHOS

A primeira condição para que possa proceder-se à abertura dos trabalhos é que a Loja esteja coberta, tanto exterior como interiormente: exteriormente coberta das indiscrições profanas, e interiormente pela qualidade de maçons que todos os presentes devem demonstrar.

Ao Guarda do Templo, é a quem se incumbe de assegurar que o templo esteja perfeitamente isolado do exterior e além disso cuidá-lo, constantemente, durante o desenvolvimento dos trabalhos, vigiando a Porta do Templo, armado de espada, e abrindo-a, com a permissão do Ven., unicamente aos que forem reconhecidos como genuínos e legítimos maçons. Simboliza o Guarda-Templo a faculdade que se encontra no umbral de nossa consciência, faculdade esta que deve vigiar para que naquela consciência não penetrem os erros profanos e todos aqueles pensamentos que não venham a receber a aprovação de seu Ser mais elevado (o Ven. Mestre).

O fechamento hermético interior é assegurado por intermédio do sinal que fazem os presentes, a convite do Ven. Mestre, e de cuja exatidão este se assegura com a ajuda dos dois Vigilantes. O sinal indica a qualidade do maçom ou Obreiro consciente e disciplinado do Princípio Construtivo do Universo, e assegura ao mesmo tempo a fidelidade e discrição que devem sempre acompanhar dita qualidade, representando a vigilância que o maçom se dispõe a observar em suas palavras, e a perfeita retidão com as qual as medirá, do mesmo modo que os seus pensamentos e ações.

Segue a esta dupla segurança um diálogo entre o Ven. e os principais oficiais da Loja, pelo qual certifica-se de que cada um esteja em seu lugar e seja consciente dos deveres e obrigações que lhe correspondem. O Guarda-templo, o 2° e 1° Diácono, o 2° e 1° Vigilante, são interrogados sucessivamente, e cada um declara sua respectiva função, como razão explicativa do lugar em que se assentam.

O diálogo prossegue entre o Ven. e o 1 Vig., declarando este último as atribuições e deveres do primeiro, pelo fato de sentar-se no Oriente, e os princípios e finalidades da Ordem em geral e das reuniões maçônicas em particular.

Tendo cumprido estas diferentes formalidades iluminativas e explicativas, e com a segurança de que a hora e a idade são convenientes, adequadas e oportunas, o Ven. Mestre e depois ambos os Vigilantes, fazem a todos os presentes o convite para que lhe ajudem a abrir os trabalhos. Este convite demonstra em primeiro lugar a necessidade de que todos percebam a importância e solenidade do momento, preliminar para a invocação do G. A. em sua tríplice expressão, fixando toda a atenção nas palavras que vão ser pronunciadas, e que necessitam o uníssono espiritual dos corações de todos os membros da Loja, despertando em cada um deles um eco profundo. Em segundo lugar frisar bem a necessidade de cooperação, como condição indispensável para a eficiência de qualquer atividade maçônica.

O ACENDER DAS LUZES

Tendo o Ven. a certeza de que todos os presentes receberam o convite que lhes foi transmitido, põe-se todos de pé e à ordem, e o Ven. acende o círio simbólico da Sabedoria do Grande Arquiteto, invocando-o para que ilumine os trabalhos.

O 1° Vigilante imita-o, acendendo sua luz, que simboliza a Força Onipotente do Eterno, invocando-a para que acrescente e faça prosperar esses mesmos trabalhos. O 2° Vigilante faz o mesmo com seu círio, que simboliza a Beleza Imortal do Princípio da Vida Universal, invocando-a para que os adorne.

Esta iluminação preventiva da Loja precede e predispõe à solene invocação feita à Glória do Grande Arquiteto e em Nome da Maçonaria Universal, com a qual são declarados abertos os trabalhos, sendo esta declaração acompanhada pelos toques da três luzes e confirmada com o sinal e a bateria de todos os presentes. Estes elementos, que sublinham a invocação, conferem à cerimônia uma austera e profunda beleza.

Havendo declarado abertos os trabalhos, à Glória do Ser Supremo, o primeiro cuidado será agora que a Palavra Divina, ou seja o Logos, brilhe na Loja e dirija a atividade construtora dos obreiros no Templo simbólico. Com este fim, estando todos os representantes de pé e à ordem, o 1° Vigilante, acompanhado pelo Mestre de Cerimônias, encaminha-se solenemente ao Altar, para abrir o Livro Sagrado e o Compasso, dispondo oportunamente este e o esquadro sobre as misteriosas palavras com as quais se inicia o Evangelho de S. J..

Ao pronunciar-se estas palavras, brilha a luz do Delta e toda a Loja se ilumina completamente para que os trabalhos possam desenvolver-se em ordem e harmonia, manifestando-se efetivamente a presença do Grande Arquiteto no interior de todos os presentes, como Ideal Inspirador da atividade.

FECHAMENTO DOS TRABALHOS

Antes de proceder ao fechamento dos trabalhos, concede-se a palavra "a bem da Ordem, da Oficina em particular, e da humanidade", depois do que circula o tronco da solidariedade.

Com o primeiro destes dois atos dá-se a todo irmão que o desejar a oportunidade de falar sobre algum assunto particular de seu interesse, dirigindo a atenção da Loja para ele. Também, nesta ocasião, aproveita-se para apresentar as escusas dos irmãos que não tenham podido assistir à presente, e para saudar os irmãos visitantes que representam suas respectivas Lojas. Estes, igualmente, podem tomar a palavra, trazendo à Loja a expressão de seus sentimentos fraternos, assim como as mensagens especiais das quais tenham sido encarregados, estreitando-se assim, intimamente, as relações de amizade entre as diferentes Lojas.

Pelo segundo ato, cada maçom expressará sua solidariedade com toda a Família Maçônica e Humana, por meio de uma contribuição proporcional às suas possibilidades e depositada secretamente no tronco, que será destinada a aliviar as desgraças alheias, ou servirá de cooperação para alguma obra benéfica.

O fechamento dos trabalhos verifica-se de forma inversamente análoga à cerimônia de abertura: tendo sido concedida a palavra, circulado o tronco, e feita a leitura da ata do Secretário (é mais conveniente que isto seja feito ao término da própria reunião, em vez de deixá-la para a seguinte, para que todos possam melhor julgar sua exatidão), o Ven. informa-se se os irmãos das duas colunas estão contentes e satisfeitos.

Este será, pois, a atitude de todos os irmãos na Loja, quando os trabalhos tiverem sido convenientemente conduzidos. Obtida a confirmação de que assim é, o Ven. pede informação ao 1 Vig. sobre a idade e a hora, e como estas são justas, anuncia por meio dos Vigilantes a toda Loja que vai proceder ao fechamento dos trabalhos, requerendo-se para este ato, a cooperação unânime de todos os presentes, da mesma forma que para a abertura.

Feito o anúncio, com o fim de que todos os irmãos se disponham em atitude conveniente para participar da cerimônia, a palavra sagrada passa do oriente ao Ocidente, e do Ocidente ao Sul por meio dos Diáconos, e, sendo devidamente recebida pelo 2 Vig., este o anuncia, comunicando que todo está justo e perfeito.

Pode agora proceder-se ao fechamento propriamente dito, que é feito por intermédio dos golpes simbólicos repetidos pelas três luzes, e mediante a fórmula pronunciada pelo Ven. Mestre com o qual se declaram fechados, seguindo-se também a esta declaração, o sinal e a bateria.

Então o 1 Vig., acompanhado pelo Mestre de Cerimônias, procede ao fechamento do Livro e do Compasso, e se apaga a Luz do Delta, depois do que apagam-se as três velas simbólicas, que correspondem às três luzes da Loja, com palavras análogas às que foram pronunciadas ao serem acesas.

Antes de separar-se, é costume jurar segredo sobre os trabalhos dos quais os presentes acabam de participar. Este segredo construtivo representa o silêncio que deve preceder a toda nova atividade, podendo-se compará-lo à escuridão protetora, que dentro do seio a terra, favorece à germinação da semente em seus primeiros estados até que tenha aberto seu caminho para a Luz.

Depois disto procede-se à formação da cadeia, manifestando esta de forma tangível o laço de fraternidade que deve existir entre todos os maçons, símbolo da união íntima de todas as boas vontades, necessária ao triunfo das boas causas e ao progresso da humanidade.

É conveniente que se dedique este momento que precede à separação dos irmãos ao recolhimento por alguns instantes, concentrando-se a mente sobre alguma afirmação que o Ven. Mestre possa ter sugerido.

COMO DEVE SER ENTENDIDA A SOLIDARIEDADE

A solidariedade é o sentimento de união que nasce de um Ideal comum, de uma comunhão de aspirações, uma união consolidada no mundo espiritual, manifestada exteriormente em pensamentos, palavras e obras por meio dos quais evidencia-se e se realiza em termos efetivos de vida.

Os que lutam por uma idéia particular são solidários em tudo o que se relaciona com aquela idéia. Os que principalmente por uma idéia particular, esforçam-se para obter o triunfo impessoal do Bem, da Verdade e da Virtude (como são, ou deveriam ser, os maçons), conviria que estivessem ainda mais irmanados entre si, uma vez que o triunfo das mais nobres aspirações humanas não pode ser conseguido senão com a cooperação e os esforços unidos de todos os que as compreendam.

A solidariedade dos maçons deve ser, pois solidariedade no Bem, na Verdade e na Virtude, solidariedade em tudo o que for Justo, Nobre, Digno e Elevado. Uma solidariedade pronta para expressar-se em qualquer momento com palavras e ações perfeitamente de acordo com estas aspirações que devem dirigir-nos e com as quais verdadeiramente se realiza o místico Reino dos Céus sobre a terra e se faz a Vontade de Deus, que é o Bem e seu triunfo, assim na terra como no céu.

Quando assim o fazem os verdadeiros maçons demonstram serem verdadeiros cristãos, entendendo e pondo em prática as palavras do sublime Mestre de Nazaré, palavras que interpretam e aplicam por meio do Compasso e do Esquadro, que são os instrumentos da inteligência com os quais conhecemos a Verdade e estamos capacitados a aplicá-la construtivamente às necessidades da existência.

COMO DEVE SER REALIZADA A FRATERNIDADE

Fala-se muito de fraternidade entre os maçons, como entre os membros de outras sociedades que a sustentam entre seus objetivos; mas, se do campo da palavra e da pura teoria, dirigimos nosso olhar à prática da vida diária, vemos como a efetiva realização da fraternidade deixa muito a desejar, e esta é a causa da desilusão e perda total da confiança de muitos na veracidade deste ideal.

E, entretanto, nunca podemos esperar uma realização de fraternidade diferente do entendimento particular de cada um. Em outras palavras, não é suficiente ser chamado maçom ou ser membro de outra fraternidade para que os demais sintam-se no direito de exigir uma manifestação de fraternidade em todos os campos da vida, conforme os seus ideais particulares.

O amor é dado, mas nunca pode ser exigido: o mesmo deve ser dito da fraternidade, que não pode ser senão uma manifestação do amor. Nenhuma verdadeira e sincera manifestação de fraternidade pode obter-se a não ser quando verdadeiramente a sentimos e realizamos interiormente: um maçom tornar-se-á verdadeiro maçom e irmão conforme sinta em si mesmo o Ideal Maçônico e possa se reconhecer como irmão dos demais.

Quando se progride no Caminho da Vida (do qual a Maçonaria nos oferece em suas cerimônias uma maravilhosa interpretação) e se aproxima do reconhecimento (que não é unicamente o frio conceito ou percepção intelectual, mas a direita consciência e sentimento) da realidade do Princípio Único de tudo, sente-se então, interiormente e de uma forma sempre mais clara, sua íntima união e solidariedade com toda a manifestação da Vida, e desta íntima consciência e sentimento, uma verdadeira compreensão e realização da fraternidade será a conseqüência espontânea e natural.

Que cada um, pois se eleve, à sua maneira , e conforme lhe for possível, sobre seu egoísmo e sua ignorância, e que reconheça sua verdadeira natureza, manifestação do Princípio da Vida que vive em todos os seres (e que tem recebido na Maçonaria o nome de Grande Arquiteto), reconhecendo assim seus deveres, ou seja sua relação com o próprio Princípio da Vida, consigo mesmo e com seus semelhantes. Este é o caminho por meio do qual a Maçonaria ensina a fraternidade e busca sua mais prática e efetiva realização.

Esta fraternidade será primeiramente entre irmãos, pois só os que a entendem e se reconhecem como irmãos podem realizá-la; mas, como o Amor não pode Ter nenhum limite verdadeiro, e não existe condição ou estado em que não possa manifestar-se, não há ser ou manifestação de Vida Universal quem não possa ou deva estender-se. Esta é a Fraternidade dos Iniciados e dos verdadeiros Mestres.

Busquemos, pois, o Princípio Supremo e básico de tudo, reconheçamos a Verdade da Unidade da Vida e da íntima indivisibilidade de todos os seres: na proporção em que efetivamente cheguemos a este conhecimento, chegaremos, também, a reconhecer e realizar a verdadeira Fraternidade Maçônica, e esta cessará de ser uma vã utopia e um ideal abstrato fora das possibilidades humanas. Assim se realiza o Grande Mandamento do qual nos falava Jesus, cuja segunda parte, "ama a teu próximo como a ti mesmo", é o corolário natural da primeira: "ama a Deus (o Princípio ou Realidade da Vida) com todas as tuas forças, com toda tua alma e com todos teus pensamentos.

COMO DEVE PRATICAR-SE A CARIDADE

Fala-se também muito, na Maçonaria e em outras instituições filantrópicas, da caridade e beneficência, como deveres que os mais afortunados tem para com os "desafortunados e deserdados da sorte". Mas, dificilmente a caridade e beneficência chegam a ser verdadeiramente caritativas e benéficas, porquanto procedem do erro, bem mais que da verdade, e assim contribuem muitas vezes a reforçar e tornar estático ou crônico o mal que querem eliminar, reforçando sua raiz.

Como ensinado por todos os sábios em todos os tempos (e esta pode ser, de certa maneira, a pedra de medição da verdadeira Sabedoria), a raiz e a causa primeira de todos os males, deve ser procurada no erro ou na ignorância. E até que não se remedie este erro e esta ignorância, toda a forma de caridade não será mais que um paliativo, pois não elimina a raiz do mal, senão que muitas vezes a torna ainda mais forte e vital com a própria consciência do mal que estimula.

Por exemplo, não há dúvida que o Tronco de Solidariedade oportunamente circulando em favor de um irmão necessitado, ou de outro caso piedoso, possa constituir uma ajuda útil e providencial a ajuda direta a esta ou aquele irmão. Mas, se a ajuda pecuniária (cujo valor e efetividade não podem ser senão temporais e transitórios) é acompanhada pelos presentes, como quase sempre acontece, por seus sentimentos e pensamentos de compaixão, e pior ainda, de comiseração, ou, se a pessoa necessitada for considerada impotente e em estado de inferioridade, a influência destes pensamentos de compaixão, e pior ainda, de comiseração, ou, se a pessoa necessitada for considerada impotente e em estado de inferioridade, a influência destes pensamentos torna muito pouco desejável e efetiva a ajuda, pois que contribui para abater bem mais que a realçar seu estado moral e a confiança em si mesmo.

O mesmo deve ser dito, e com maior razão, de toda forma de beneficência que mais que uma simples e espontânea manifestação do espírito de fraternidade entre irmãos livres e iguais, torne manifesta a distância entre benfeitor e beneficiado, ou de alguma forma em humilhação, se transforme para este a dádiva, com a qual paga muito cara a ajuda recebida. Não vamos dizer nada da beneficência que serve de pretexto à ostentação e à vaidade, pois neste caso dificilmente poderá considerar-se digna de tal nome.

A verdadeira beneficência deve ser secreta e espontânea e não deve envolver em si nenhuma forma de humilhação. Prever as necessidades de um irmão que se ache manifestamente em dificuldades é muito mais fraternal que esperar que este peça uma ajuda, pois com o pedido esta já está quase paga e nada se paga tão caro como quando se pede.

A mão que dá com verdadeiro espírito de fraternidade deve ser escondida, e "a esquerda não deve saber o que faz a direita". Deveria assim condenar-se absolutamente a prática em uso em algumas Lojas, de pedir a outras uma contribuição para ajuda a algum irmão, especialmente dando o nome deste irmão. Nem na própria Oficina deveria ser divulgado o nome da pessoa socorrida, pois não há necessidade de que se torne conhecida, com exceção daquelas que diretamente intervêm para ajudá-la.

A MAIS VERDADEIRA AJUDA

Ainda que a ajuda direta possa ser, em alguns casos, útil e necessária (sempre que for uma verdadeira manifestação espontânea de solidariedade e fraternidade) é muito melhor dirigir-se à raiz do mal, em vez de contentar-se com remediar temporariamente seus sintomas exteriores.

A pessoa que se acha em circunstâncias materiais difíceis tem antes de tudo, necessidade de ser ajudada espiritual e moralmente, com pensamentos positivos que reergam seu estado de ânimo abatido, e tenham para ela o efeito das palavras taumatúrgicas: Levanta-se e anda! Ajudar um irmão a caminhar sobre seus próprios pés é muito melhor que provê-lo de muletas. Facilitar um meio de ganhar por si mesmo aquilo de que necessita é muito mais fraternal, desejável e digno que facilitar-lhe uma ajuda que o ponha, como beneficiado, em condições de inferioridade.

Mas quando isto não for possível momentaneamente, compartilhar o que temos, com verdadeiro espírito de solidariedade fraternal, segundo o próprio ditado da consciência, deve ser considerado como um dever elementar, um privilégio e uma oportunidade para todo iniciado que verdadeiramente sinta em seu coração o laço de fraternidade, a mística cadeia de união que o une a todos os seres, e em particular aqueles com os quais tem uma mais profunda afinidade moral e espiritual.

As precedentes considerações não devem ser entendidas com meios para afastar alguém de seus deveres de solidariedade para com seus semelhantes em geral, e seus irmãos em particular, mas ao contrário, para que eles sejam melhor atendidos e praticados, despojados de toda ostentação por parte de quem dá e de toda humilhação por parte de quem recebe, como convêm para uma verdadeira expressão do espírito maçônico, que não pode ser nunca isolamento negativo nem deprimente solicitude.

Elevar-se sobre os sentimentos e os conceitos profanos de caridade, para realizar a verdadeira fraternidade dos iniciados, na qual aquilo que é feito por um irmão possui o mesmo espírito como se fosse feito para si mesmo, sem que disso nasça nenhuma obrigação ou dever de mostrar-se reconhecido, este tem de ser o ideal de todos os verdadeiros maçons.

O RESPEITO À LEI

O respeito a Lei e à Autoridade Constituída (e, por conseqüência, a qualquer forma de governo sem distinção) tem sido sempre um dos primordiais requisitos da Maçonaria e das regras de conduta dos iniciados de todos os tempos.

Ainda que estes reconheçam por cima de toda Lei e Autoridade humana a Lei Suprema da Verdade e a Suprema Autoridade do Espírito, e num tão íntimo reconhecimento encontrem uma perfeita liberdade e nela descansem (uma liberdade interior que nenhuma condição externa poderia tirar-lhes e nem limitar), não podem desconhecer nas Leis e Autoridades Humanas outras tantas manifestações e emanações da Lei e Autoridade Divina, na qual unicamente podem aquelas exercer e possuir o poder.

Por esta razão o iniciado, se bem perfeitamente livre de todo espírito de sujeição ou humilhação, se impõem o dever de respeitar as Leis e Autoridades do país em que se encontre, sem discutir sua legitimidade; e se fosse vítima de um preterimento ou de uma injustiça, não se oporia ao adversário, mas, ao contrário esperaria da Lei e do Poder Supremo aquela perfeita justiça que nunca será esperada em vão quando nela se depositar absoluta confiança.

Em outras palavras, o iniciado vê os homens e as coisas como expressões muitas vezes inconscientes de poderes, forças, leis ou necessidades que aqueles desconhecem: por esta razão, nunca culpa aos homens e às circunstâncias, senão que aceita serenamente a aparência do mal, sem deixar-se cegar por ele, e sem considerá-lo como definitivo (pois nesse caso ele mesmo tornar-se-ia seu escravo e sua vítima), preparando-se para ver em tudo o triunfo inevitável da Justiça e do Bem.

Por conseguinte, o verdadeiro iniciado nunca será um revolucionário ou um rebelde, um conspirador contra a Lei e a Autoridade constituída: conhecendo a ilusão do meios e remédios exteriores, procurará remediar interiormente as coisas e males externos; e isto é feito por meio da compreensão do amor e da cooperação mais útil, eficaz e construtivamente que com meios exteriores de violência e rebeldia.

Para os maçons, as Leis e Autoridades Maçônicas (assim como as Leis e Autoridades Religiosas para os membros de determinada religião) devem ser consideradas com respeito da mesma forma que as Leis e Autoridades exteriores. Mas, por cima destas Leis escritas, o verdadeiro maçom deve lembrar que a Suprema e mais verdadeira Lei Maçônica é a que o Grande Arquiteto grava no coração de todo Adepto fiel, isto é, a que é interiormente reconhecida como expressão da própria verdade; e que nenhuma autoridade Maçônica é superior à Suprema Autoridade do Grande Arquiteto, que é o Princípio e a Realidade sobre a qual se apoia todo o Universo.

O SALÁRIO DO APRENDIZ

O salário que o Aprendiz recebe, como resultado de seus esforços, à semelhança do salário percebido pelo obreiro como prêmio e compensação de seu trabalho, deve ser objeto de uma especial consideração.

Os antigos obreiros recebiam, além dos víveres em espécie, um soldo ou compensação em dinheiro para comprar o sal e outras coisas de que necessitavam; daqui vem o nome de salário. Mas talvez não seja completamente estranho o fato de que, em termos de salário do Aprendiz estes o recebam na Coluna B. a qual corresponde ao princípio hermético feminino do sal, do qual já falamos anteriormente.

O Aprendiz recebe o salário depois de realizado o seu trabalho, aproximando-se da Coluna B. Isto significa que o iniciado somente consegue obter o resultado de seus esforços quando se aproxima do reconhecimento do Princípio da Onipotência, expresso pelo sentido da Palavra que é o próprio nome desta coluna e que, como dissemos, significa: "Na Força".

Em outras palavras, o Aprendiz progride, e neste progresso recebe a compensação de seus esforços, conforme se aproxima, como fim de seus estudos e deduções, a este reconhecimento vital que realiza o primeiro dever de seu testamento; isto é, na medida da Fé que desenvolve no Princípio da Vida e em seu poder, como coluna ou sustentáculo de sua vida individual.

O progresso do Aprendiz está caracterizado pelo desenvolvimento desta Fé e confiança no Princípio Espiritual da Vida, no qual temos nossa origem, que nos criou ou manifestou (como diferentes expressões individualizadas de seu Ser ou Realidade, divididas e separadas na aparência, mas intimamente unidas e inseparáveis em essência e realidade), que continuamente nos sustentam, guiam e dirigem para o desenvolvimento e a expressão das mais elevadas possibilidades que ainda se encontram em estado latente em nosso ser.

Esta fé, própria de quem se iniciou no conhecimento do Real que se esconde atrás da aparência exterior ou visível das coisas - e que não é fé cega, uma vez que se baseia na própria consciência da realidade -, é algo desconhecido para o profano, escravo da ilusão dos sentidos, que confunde a aparência com a realidade, e não o tendo reconhecido (por não Ter podido adentrar à sua consciência), nega a existência de um Princípio Espiritual como Causa Imanente e Transcendente da realidade visível.

Não pode obter-se este conhecimento, esta convicção que é um estado interior, sem o estudo, o trabalho e a perseverança: A Fé iluminada de que falamos, é pois, um verdadeiro salário, fruto ou resultado de longos e persistentes esforços sobre o Caminho da Verdade, depois de temo-nos despojado de todas as superficialidades, crenças positivas e negativas, erros e prejuízos do mundo profano.

Assim, estabelece o iniciado uma relação iluminada com o Princípio da Vida, cuja realidade reconheceu em sua consciência, relação que tem sua base no reconhecimento expresso pela própria Palavra Sagrada, que será daqui para frente, uma verdadeira coluna na qual pode apoiar-se com toda confiança e que o suporta em suas dúvidas e vacilações.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final desta resenha interpretativa dos símbolos do primeiro grau maçônico, na qual nos propusemos, como objeto fundamental, a dar a quem avidamente busca a Verdade, a quem deseja penetrar e reconhecer o sentido iniciático destes símbolos, uma chave que lhe sirva para abrir, por seus próprios esforços, a Porta Hermética do Mistério, atrás da qual eles se encerram impenetravelmente ao entendimento profano.

Não demos nem pretendemos ter dado a verdade, pela simples razão de que esta nunca pode ser dada exteriormente, senão que deve ser buscada e reconhecida nas profundezas da alma; só indicamos, ou melhor dizendo, temo-nos esforçado em esclarecer o Caminho que a maçonaria ensina nesta busca individual por intermédio de seus símbolos, cerimônias e alegorias. O segredo maçônico deve ser procurado e encontrado individualmente, pois de outra forma deixaria de ser um segredo.

Os lábios da Sabedoria estão fechados a não ser para os ouvidos da compreensão. Só quem se encontra num particular estado de consciência e maturidade espiritual pode reconhecer interiormente determinada Verdade, compreendendo e tirando proveito das palavras que querem indicá-la ou revelá-la.

A Esfinge, aquele maravilhoso monumento que restou da mais antiga civilização egípcia, é uma representação escultural deste fato: é muito difícil dizer se os seus lábios estão abertos ou fechados; pode-se talvez dizer que estão abertos e fechados ao mesmo tempo, atrás do misterioso sorriso que os anima. Verdadeiro símbolo do ensinamento esotérico, a Esfinge fala ainda para quem tem ouvidos para ouvir, mas permanece em hermético silêncio para quem não tenha adentrado naquele estado de consciência no qual a Verdade espiritual pode ser reconhecida e assimilada.

O mesmo deve ser dito dos símbolos maçônicos; como a Esfinge, eles falam para quem os escuta com os ouvidos da compreensão, mas guardam seu segredo para quem não sabe descobri-lo.

A Maçonaria é uma Ciência e uma Arte que se revela progressivamente a quem se esforça e persevera no estudo e na prática, por meio da compreensão e do uso de seus instrumentos simbólicos. Assim pois, a distinção entre maçom e profano não pode ser determinada unicamente pela cerimônia através da qual um profano é admitido e reconhecido como membro da Ordem, senão que depende da efetiva realização desta qualidade.

A maioria dos maçons permanece irremediavelmente profana no que se refere ao entendimento e à realização da finalidade iniciática da Ordem e ao verdadeiro sentido dos símbolos e cerimônias. Mas, isto não lhes impede de ser bons maçons, se eles se esforçarem sinceramente, na medida de sua compreensão e, sobre tudo, se são fiéis aos seus ideais pondo em prática o que entenderam dos Princípios Morais da Ordem. Não há necessidade de conhecer a Doutrina Esotérica revelada pelos símbolos maçônicos para praticar os princípios da fraternidade, mas, é necessário saber discernir entre a ilusão exterior do egoísmo e da separatividade, e a realidade da Unidade Interior de tudo, para compreendê-la e realizá-la efetivamente.

Todo homem sincero encontra, pois, na Maçonaria um Caminho de Progresso que se torna sempre mais efetivo na medida da sua boa vontade e perseverança, um progresso ao mesmo tempo intelectual e moral, adaptando-se perfeitamente seu ensinamento simbólico à compreensão de todas as inteligências, ainda que não lhes seja dado a todos penetrar no verdadeiro significado íntimo deste ensinamento.

Mas sempre o progresso será o resultado do esforço individual e do ardor e da perseverança através dos quais cada um se esforça em realizar as finalidades da Ordem, encaminhando-se para uma mais profunda compreensão da Verdade, pondo os pés de uma maneira mais firme, equilibrada e segura sobre a senda da Virtude.

Manual do Aprendiz Franco Maçon