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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Despertar dos Mágicos As Civilizações Desaparecidas - Capítulo IV

As Civilizações Desaparecidas - Capítulo IV

Onde os autores, que não são nem muito crédulos, nem muito incrédulos, se interrogam a respeito da Grande Pirâmide. - E se existissem outras técnicas? - O exemplo hitleriano. - O império de Almançor. - Muitos fins do Mundo. - A impossível ilha de Páscoa. - A lenda do Homem Branco. - As civilizações da América. - O mistério Maia. - Da ponte de luz, à estranha planície de Nazca. - Onde os autores não passam de pobres quebradores de pedras.
 
De Aristarco de Samos aos astrónomos de 1900, a humanidade levou vinte e dois séculos para calcular com uma aproximação satisfatória a distância da Terra ao Sol: 149400000 quilómetros. Teria bastado multiplicar por um bilião a altura da pirâmide de Kéops, construída 2900 anos antes de Jesus Cristo.

Hoje sabemos que os Faraós depositaram nas pirâmides os resultados de uma ciência da qual ignoramos a origem e os métodos. Ali se volta a encontrar o número n, o cálculo exacto da duração de um ano solar, do raio e do peso da Terra, a lei de precessão dos equinócios, o valor do grau de longitude, a direcção real do Norte, e talvez muitos outros dados ainda por decifrar. De onde vêm estas informações? Como foram obtidas? Ou transmitidas? E, nesse caso, por quem?

Para o padre Moreux, Deus deu aos homens antigos conhecimentos científicos. Eis-nos em plena imaginação. "Escuta, ó meu filho: o número 3,14116 permitir-te-á calcular a superfície de um círculo!" Para Piazzi Smyth, Deus ditou estas informações a Egípcios demasiado ímpios e ignorantes para poderem compreender aquilo que inscreviam na pedra. E por que motivo Deus, que tudo sabe, se teria tão estrondosamente enganado sobre a qualidade dos seus alunos? Para os egiptólogos positivistas, as mensurações efectuadas em Gizé foram falseadas por investigadores iludidos pela sua ânsia de maravilhoso: nenhuma ciência está inscrita. Mas a discussão vacila entre as decimais, e nem por isso a construção das pirâmides deixa de ser o testemunho de uma técnica que para nós continua a ser totalmente incompreensível. Gizé é uma montanha artificial de 6.500.000 toneladas. Tem blocos de doze toneladas ajustados com uma precisão de meio milímetro. A ideia mais banal é a que geralmente se admite: o Faraó disporia de uma mão-de-obra colossal. Restava explicar como foi resolvido o problema do atravancamento dessas imensas multidões. E os motivos de um tão louco empreendimento. E a maneira como foram os blocos extraídos das pedreiras. A egiptologia clássica não admite como técnica senão o emprego de cunhas de madeira molhada introduzidas nas fendas da rocha. Os construtores só deviam dispor de martelos de pedra, e de serras de cobre, metal mole. Eis o que adensa o mistério. De que forma foram içadas e unidas pedras cortadas com dez mil quilos e mais de peso? No século xIx tivemos a maior dificuldade em transportar dois obeliscos que os Faraós transportavam às dúzias. De que forma é que os Egípcios se iluminavam dentro das pirâmides? Até 1890 só conhecemos as candeias com chama que se alonga e enegrece o tecto. Ora não se vislumbra nas paredes o menor vestígio de fumo. Captariam a luz solar fazendo-a penetrar por meio de um sistema óptico? Não foi encontrado o mais pequeno fragmento de lente.
 
Não se encontrou nenhum instrumento de cálculo científico, nenhum vestígio como testemunho de uma grande tecnologia. Das duas uma: ou temos de admitir a tese místico-primária: Deus dita informações astronómicas a obreiros obtusos mas aplicados e dá-lhes uma ajuda. Então há informações inscritas nas pirâmides. Os positivistas, à falta de argumentos, declaram que se trata de uma coincidência. Quando as coincidências são tão claramente exageradas, como diria Fort, como se lhes deve chamar? Ou temos de admitir que arquitectos e decoradores surrealistas, para satisfazerem a megalomania do seu rei, mandaram, segundo medidas que lhes passaram pela cabeça ao acaso da inspiração, extrair, transportar, decorar, erguer e ajustar perfeitamente os 2.600.000 blocos da grande pirâmide por empreiteiros que trabalhavam com pedaços de madeira e serras de cortar cartão atropelando-se uns aos outros.

As coisas datam de há cinco mil anos e nós ignoramos quase tudo. Mas o que sabemos é que as pesquisas foram feitas por pessoas para quem a civilização moderna é a única civilização técnica possível. Partindo deste critério, temos de imaginar que tiveram, ou o auxílio de Deus, ou um colossal e estranho trabalho de formigas. No entanto, é possível que um pensamento completamente diferente do nosso possa ter concebido técnicos tão aperfeiçoadas como as nossas, mas diferentes, instrumentos de medida e métodos de manipulação da matéria sem relação com os que nós conhecemos, e que não tenham deixado, a nossos olhos, nenhum vestígio aparente. Pode ser que uma ciência e uma tecnologia poderosas, que deram soluções diferentes das nossas aos problemas postos, tenham desaparecido totalmente com o mundo dos Faraós. É difícil acreditar que uma civilização possa morrer, extinguir-se. É ainda mais difícil acreditar que possa ter divergido da nossa a tal ponto que temos certa relutância em reconhecê-la como civilização. E no entanto!...

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, a 8 de Maio de 1945, a Alemanha vencida começou imediatamente a ser percorrida por missões de investigação. Os relatórios dessas missões foram publicados. Só o catálogo contém 300 páginas. A Alemanha só se separou do resto do mundo a partir de 1933. Em doze anos, a evolução técnica do Reich tomou caminhos singularmente divergentes. Se os Alemães estavam em atraso no domínio da bomba atómica, puseram em estado de funcionar foguetões gigantescos sem equivalente na América ou na Rússia. Se ignoravam o radar, produziram detectores de raios infravermelhos, igualmente eficazes. Se não inventaram os silicones, desenvolveram uma química orgânica completamente nova, Para além destas diferenças radicais em matéria de técnica, diferenças filosóficas ainda mais espantosas... Tinham posto de lado a elatividade e abandonado em parte a teoria dos quantas. A sua cosmogonia teria deixado estupefactos os astrofísicos aliados: era a tese do gelo eterno, segundo a qual planetas e estrelas seriam blocos de gelo flutuando no espaço z. Se tais abismos se puderam formar em doze anos, no nosso mundo moderno, a despeito dos intercâmbios e comunicações, que pensar das civilizações tal como se puderam desenvolver no passado? Em que medida é que os nossos arqueólogos são qualificados para avaliar o estado das ciências, das técnicas, da filosofia, do conhecimento entre os Maias ou dos Khmers?

Não cairemos na armadilha das lendas: Lemúria ou Atlântida, Platão, no Critias, ao cantar as maravilhas da cidade desaparecida, e, antes dele, Homero, na Odisseia, ao evocar a fabulosa Scheriá, descrevem talvez Tartesso, a Tarshih bíblica de Jonas e objectivo da sua viagem. Na embocadura do Guadalquivir, Tartesso é a mais rica cidade mineira do Mundo e exprime a quinta-essência de uma civilização. Floresceu há não se sabe quantos séculos, depositária de uma sabedoria e de segredos. Por volta do ano 500 antes de Cristo sumiu-se completamente, não se sabe como nem porquê[1]. Pode ser que Numinor, misterioso centro celta do século v antes de Cristo, não seja uma lenda, mas nada sabemos. As civilizações de cuja existência passada estamos certos, e que desapareceram, são na verdade tão estranhas como a Lemúria. A civilização árabe de Córdova e de Granada inventa a ciência moderna, descobre a investigação experimental e as suas aplicações práticas, estuda a química e até a propulsão a reacção. Alguns manuscritos árabes do século xII apresentam esquemas de foguetões de bombardeamento. Se o império de Almançor estivesse tão avançado em biologia como nas outras técnicas, se a peste não se tivesse aliado aos espanhóis para o destruir, a revolução industrial talvez se tivesse dado no século xv e xvI na Andaluzia, e então o século xx seria uma era de aventureiros interplanetários árabes prontos a colonizar a Lua, Marte e Vénus.

O império de Hitler, o de Almançor desmoronaram-se no meio do fogo e do sangue. Uma bela manhã de Junho de 1940, o céu de Paris escureceu, o ar ficou carregado de vapores de gasolina, e sob aquela imensa nuvem que ensombrou os rostos alterados pelo espanto, o pavor, a vergonha, uma civilização vacila, milhares de seres fogem ao acaso pelas estradas metralhadas. Quem viveu esses momentos, e presenciou também o crepúsculo dos deuses do III Reich, pode imaginar o fim de Córdova e de Granada, e milhares de outros fins do mundo, no decorrer dos milenários. Fim do mundo para os Incas, fim do mundo para os Tolteques, fim do mundo para os Maias. Toda a história da Humanidade: um fim sem fim...
 
*

A ilha de Páscoa, a 3000 quilómetros ao largo da costa do Chile, é tão grande como Jersey. Quando o primeiro navegador europeu, um holandês, ali acostou, em 1722, julgou-a habitada por gigantes. Sobre aquela pequena superfície vulcânica da Polinésia erguem-se 593 imensas estátuas. Algumas têm mais de vinte metros de altura e pesam cinquenta toneladas. Quando foram erigidas? Como? Porquê? Julga-se poder distinguir, por meio do estudo desses misteriosos monumentos, três categorias de civilizações, cuja mais perfeita seria a mais antiga. Como no Egipto, os enormes blocos de tufo, de basalto, de lava são ajustados com prodigiosa habilidade. Mas a ilha é acidentada, e as poucas árvores enfezadas não podem servir de cilindros: como foram as pedras transportadas? E poder-se-á invocar uma mão-de-obra colossal? No século xIx, os pascoanos eram duzentos: três vezes menos numerosos que as suas estátuas. Jamais puderam ser mais de três ou quatro mil sobre essa ilha de terreno fértil e sem animais. Então?

Como em África, como na América do Sul, os primeiros missionários que desembarcaram em Páscoa tiveram o cuidado de fazer desaparecer todos os vestígios da civilização extinta. Na base das estátuas havia tabuinhas de madeira, cobertas de hieróglifos: foram queimadas ou enviadas para a biblioteca do Vaticano, onde repousam inúmeros segredos. Tratar-se-ia de destruir os vestígios de antigas superstições, ou de apagar os testemunhos de outro saber, A recordação da passagem pela Terra de outros seres? De visitantes vindos de algures?

Os primeiros europeus que exploraram Páscoa descobriram entre os pascoanos homens brancos e barbudos. De onde provinham? Descendentes de que raça várias vezes milenária, degenerada, hoje totalmente submersa? Pedaços de lendas falavam de uma raça de mestres, de docentes, vinda dos confins dos séculos, caída do céu.

O nosso amigo, o explorador e filósofo peruano Daniel Ruzo, parte em 1952 para estudar a planura desértica de Marcahuasi, a 3800 metros de altitude, a oeste da cordilheira dos Andes[2]. Essa planura sem vida, que só pode ser atingida a cavalo numa mula, mede três quilómetros quadrados. Ruzo descobre animais e rostos humanos esculpidos na rocha, e somente visíveis no solstício de Verão, por meio do jogo das luzes e das sombras. Ali encontra estátuas de animais da época secundária, como o estegossauro; leões, tartarugas, camelos, desconhecidos na América do Sul. Uma colina esculpida representa uma cabeça de velho.
 
O negativo da fotografia revela um jovem radiante. Visível no decorrer de que rito de iniciação? Datar a carbono 14 ainda não foi possível: nem o menor vestígio orgânico sobre Marcahuasi. Os indícios geológicos obrigam a regressar à noite dos tempos. Ruzo pensa que essa planura teria sido o berço da civilização Masma, talvez a mais antiga do Mundo.

Volta a encontrar-se a recordação do homem branco sobre outra fabulosa planura, Tiahuanaco, a 4000 metros. Quando os Incas conquistaram essa região do lago Titicaca, Tiahuanaco era já aquele campo de ruínas gigantescas, inexplicáveis, que nós conhecemos. Quando Pizarro ali chegou, em 1532, os Índios deram aos conquistadores o nome de Viracochas: senhores brancos. A sua tradição, já mais ou menos perdida, fala de uma raça de grandes senhores desaparecida, gigantesca e branca, vinda de algures, surgida dos espaços, de uma raça de Filhos do Sol. Ela reinava e ensinava há vários milénios. Desapareceu subitamente. E há-de voltar. Por toda a parte, na América do Sul, os europeus que se encarniçavam na conquista do ouro encontraram essa tradição e dela beneficiaram. O seu mais baixo desejo de conquista e de lucros foi auxiliado pela mais misteriosa e maior recordação.
 
A exploração moderna revela, sobre o continente americano, uma enorme profundidade de civilização. Cortês apercebe-se com assombro de que os Astecas são tão civilizados como os espanhóis. Hoje sabemos que eles viviam dos restos de uma cultura mais elevada, a dos Tolteques. Os Tolteques construíram os monumentos mais gigantescos da América. As pirâmides do Sol de Teotihuacão e de Cholula são duas vezes mais importantes do que o túmulo do rei Kéops. Mas os próprios Tolteques eram os descendentes de uma civilização ainda mais perfeita, a dos Maias, cujos restos foram descobertos nos matagais das Honduras, da Guatemala, do lucatão. Enterrada sob a desordem da natureza, revela-se uma civilização muito anterior à grega, mas superior a ela. Extinta quando e como? Duas vezes morta, em todo o caso, pois os missionários também ali se empenharam em destruir os manuscritos, quebrar as estátuas, fazer desaparecer os altares. Resumindo as investigações mais recentes sobre as civilizações desaparecidas, Raymond Cartier escreve:

"Em inúmeros domínios, a ciência dos Maias ultrapassou a dos gregos e dos romanos. Senhores de profundos conhecimentos matemáticos e astronómicos, desenvolveram até uma perfeição minuciosa a cronologia e a ciência do calendário. Construíam observatórios com cúpulas muito melhor orientados que o de Paris no século xvII, como o Caracol colocado sobre três terraços na sua capital de Chichen Itza. Eles utilizavam o ano sagrado de 260 dias, o ano solar de 365 dias e o ano venusiano de 584 dias. A duração exacta do ano solar hoje é fixada em 365,422 dias. Os Maias tinham calculado 365,2420 dias, ou seja, com uma diferença de decimal, o número a que nós chegámos após demorados cálculos. É possível que os egípcios tenham obtido a mesma aproximação, mas, para o admitir, é preciso acreditar nas discutidas concordâncias das Pirâmides, enquanto possuímos o calendário Maia.

"Na arte admirável dos mexicanos são visíveis outras analogias com o Egipto. As suas pinturas murais, os seus frescos, as partes laterais dos seus vasos mostram homens com o violento perfil semita em todas as tarefas da agricultura, da pesca, da construção, da política, da religião. Só o Egipto pintou esse labor com uma verdade tão cruel, mas os barros vidrados dos Maias fazem lembrar os Etruscos, os seus baixos-relevos a Índia e as grandes escadarias abruptas dos seus templos piramidais, Ankor. Se não receberam tais modelos do exterior, então os seus cérebros eram constituídos de tal maneira que passou pelas mesmas formas de expressão artística que todos os grandes povos antigos da Europa e da Ásia. Terá a civilização surgido numa região geográfica determinada e ter-se-á propagado pouco a pouco como um incêndio numa floresta? Ou terá aparecido espontânea e separadamente em diferentes regiões do globo? Terá existido um povo instrutor e povos alunos, ou vários povos autodidactas? Sementes isoladas ou um tronco único e estacas espalhadas um pouco por toda a parte?"

Não sabemos, e não possuímos qualquer explicação satisfatória sobre as origens de tais civilizações - nem o seu desaparecimento

Certas lendas bolivianas reunidas por Cynthia Fainl e que ascendem a mais de cinco mil anos, contam que as civilizações dessa época se teriam extinguido após um conflito com uma raça não humana, cujo sangue não era vermelho.

O "altiplano" da Bolívia e do Peru evoca outro planeta. Não é a Terra, é Marte. Ali a pressão do oxigénio é inferior à metade da que existe ao nível do mar, e no entanto encontram-se homens até uma altitude de 3500 metros. Eles têm mais dois litros de sangue do que nós, oito milhões de glóbulos vermelhos em vez de cinco, e o seu coração bate mais lentamente. O método de datar com radiocarbono revela uma presença humana há nove mil anos. Certas determinações recentes levam a pensar que os homens ali viveram há 30000 anos. Não se pode de forma alguma excluir a hipótese de que seres humanos que sabiam trabalhar metais, que possuíam observatórios e uma ciência, tenham edificado há 30 000 anos cidades gigantescas. Conduzidos por quem?

Certos trabalhos de irrigação efectuados pelos pré-Incas dificilmente seriam realizáveis com as nossas turbo-brocas eléctricas. E por que motivo homens que não utilizavam rodas terão construído estradas pavimentadas?

O arqueólogo americano Hyatt Verrill consagrou trinta anos à investigação das civilizações desaparecidas da América Central e da América do Sul. Na sua opinião, os grandes trabalhos dos homens antigos não foram realizados com utensílios para cortar a pedra, mas com uma pasta radioactiva que corrói o granito: uma espécie de gravura à escala das grandes pirâmides. Essa pasta radioactiva, legada por civilizações ainda mais antigas, pretendia Verrill tê-la visto nas mãos dos últimos feiticeiros. Num belo romance, The Bridge of Light, descreve ele uma cidade pré-Inca que se atinge por meio de uma "ponte de luz", uma ponte de matéria ionizada, que aparece e desaparece à-vontade e permite transpor um desfiladeiro rochoso que de outra forma seria inacessível. Até aos últimos dias de vida (morreu com oitenta anos).
 
Verrill afirmou que o seu livro era muito mais do que uma lenda, e sua mulher, que morreu mais tarde, continuou a afirmá-lo.

Que significam as figuras de Nazca? Trata-se de linhas geométricas imensas traçadas na planície de Nazca, apenas visíveis de avião ou de balão, e que a exploração aeronáutica permitiu que fossem descobertas. O professor Mason, que não poderia ser suspeito de fantasista, como Verrill, perde-se em conjecturas. Terá sido necessário que os construtores fossem auxiliados por um engenho suspenso no espaço. Mason rejeita a hipótese e pensa que essas figuras foram colocadas a partir de um modelo reduzido ou de um esquema. Tendo em conta o nível da técnica dos pré-Incas admitido pela arqueologia clássica, torna-se ainda mais improvável. E qual seria a significação desse traçado? Religiosa? É o que sempre se diz, mais ou menos ao acaso. A explicação por meio da religião desconhecida, método corrente. Prefere supor-se toda a espécie de loucuras do espírito, mas não outros estados do conhecimento e da técnica. É uma questão de precedência: as luzes de hoje são as únicas luzes. As fotografias que possuímos da planície de Nazca fazem pensar irresistivelmente na balizagem de um terreno de aterragem. Filhos do Sol, vindos do céu... O professor Mason evita cuidadosamente referir-se a essas lendas e prefere inventar uma espécie de religião da trigonometria, da qual a história das crenças não nos dá, aliás, qualquer exemplo. E, no entanto, um pouco mais adiante, menciona a mitologia pré-Inca segundo a qual as estrelas são habitadas e os deuses desceram da constelação das Plêiades.

Não nos recusamos a admitir visitas de habitantes do exterior, civilizações atómicas desaparecidas sem quase deixar vestígios, etapas do conhecimento e da técnica comparáveis à etapa presente, vestígios de ciências submersas em diversas formas daquilo a que chamamos esoterismo, e realidades operativas naquilo que colocamos na categoria de práticas mágicas. Não afirmamos que acreditamos em tudo, mas mostraremos no próximo capítulo que o campo das ciências humanas é provavelmente muito mais vasto do que imaginámos. Integrando todos os factos, sem qualquer exclusão, e aceitando considerar todas as hipóteses sugeridas por esses factos, sem qualquer espécie de "a priorismo", um Darwin, um Copérnico da antropologia criarão uma ciência completamente nova se 'estabelecerem uma circulação constante entre a observação objectiva do passado e todos os segredos do conhecimento moderno em matéria de parapsicologia, de física, de química, de matemática. Talvez lhes pareça que a ideia de uma constante e lenta evolução da inteligência, de um sempre longo avançar do saber, não é uma ideia sólida mas um tabo que nós instituímos para nos supormos beneficiários, hoje, de toda a história humana. Qual o motivo por que as civilizações passadas não teriam conhecido súbitos clarões durante os quais a quase totalidade do conhecimento lhes teria sido revelada? Por que motivo aquilo que por vezes se produz numa vida de homem, a inspiração, a intuição fulgurante, a explosão do génio, não se teria produzido várias vezes na vida da humanidade? Não interpretamos nós as poucas recordações desses instantes de uma forma bastante falsa ao falar de mitologia, de lendas, de magia? Se me mostrarem uma fotografia não falsificada de um homem flutuando no espaço, não direi: é a representação do mito de Ícaro, mas direi: é o instantâneo de um salto ou de um mergulho. Qual o motivo por que não haveria estados instantâneos nas civilizações?

Vamos citar outros factos, efectuar outras aproximações, formular outras hipóteses ainda. Haverá sem dúvida muitos disparates no nosso livro, repetimo-lo, mas isso importa muito pouco se este livro suscitar algumas vocações e, em certa medida, preparar caminhos mais amplos à investigação. Não passamos de dois pobres quebradores de pedras: outros construirão a estrada.



1 Daniel Ruzo: La Culture Masma, Revista da Sociedade Etnográfica de Paris, 1956 e 1959.

2 Cynthia Fain: Bolivie, Ed. Arthaud, Paris

Louis Pauwels e Jacques Bergier