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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Despertar dos Mágicos As Civilizações Desaparecidas - Capítulo V

As Civilizações Desaparecidas - Capítulo V

Memória mais antiga do que nós... - Onde os autores voltam a encontrar pássaros metálicos. - História de um curioso mapa do Mundo. - Bombardeamentos atómicos e naus interplanetárias nos "textos sagrados". - Outra ideia sobre as máquinas. - O culto pelo "cargo". - Outra visão do esoterismo. - A sagração da inteligência. - Mais uma história, por favor.
 
De há dez anos para cá, a exploração do passado foi facilitada pelos novos métodos baseados na radioactividade e pelo progresso da cosmologia. Daí ressaltam dois factos extraordinários[1].
 
1.o - A Terra seria contemporânea do Universo. Dataria portanto de há 4500 milhões de anos. Ter-se-ia formado ao mesmo tempo e talvez antes do Sol, por condensação das partículas a frio.

2.o - O homem tal como nós o conhecemos, o homo sapiens, só existiria há 75 000 anos. Esse período muito curto teria sido suficiente para passar do pré-hominiano ao homem.
 

Aqui, permitimo-nos fazer duas perguntas:

a) Durante esses 75 000 anos, a humanidade conheceu outras civilizações técnicas além da nossa? Em coro, os especialistas respondem-nos que não. Mas não é manifesto que eles saibam distinguir um instrumento de um objecto considerado de culto. Nesse domínio, a investigação nem sequer começou. No entanto, há problemas perturbantes. A maior parte dos paleontologistas consideram os eólitos (pedras descobertas em 1867 perto de Orleães) objectos naturais. Mas outros vêem neles a obra do homem. De que "homem"? Outro sem ser o homo sapiens. Encontraram-se outros objectos em Ipswich, no Norfolk: eles provariam a existência de "homens" terciários na Europa ocidental.

b) As experiências de Washburn e de Dice provam que a evolução do homem pode ter sido causada por modificações muito banais. Por exemplo, uma ligeira alteração dos ossos do crânio[2]. Uma única mutação, e não, como se supôs, uma conjunção complexa de mutações, teria bastado para passar do pré-hominiano ao homem.

Portanto, em 4500 milhões de anos, apenas uma mutação? É possível. Por que motivo seria certo? Não seria possível que tivessem havido vários ciclos de evolução antes desse ano de 75 000? Outras formas de humanidade, ou antes, outros seres pensantes podem ter surgido e desaparecido. Não teriam deixado, a nossos olhos, rastos visíveis, mas a sua recordação persistiria nas lendas. "O busto sobrevive à cidade": a sua recordação poderia ter sobrevivido às centrais de energia, às máquinas, aos monumentos das suas civilizações extintas. É possível que a nossa memória remonte a uma época muito anterior à nossa existência, à própria existência da nossa espécie. Que registos infinitamente longínquos se dissimulam nos seus cromossomas e nos seus genes? "De onde te vem isto, alma do homem, de onde te vem isto?. . . "
 
*

Em arqueologia tudo é diferente. A nossa civilização acelera as comunicações, e as observações feitas sobre o conjunto da superfície do globo, reunidas, confrontadas, põem em relevo grandes mistérios. Em Junho de 1958, o Instituto Smithson publica os resultados obtidos por americanos, índios e Russos[3]. Nas buscas efectuadas na Mongólia, Escandinávia, Ceilão, perto do lago Baikal e sobre o curso superior da ribeira Lena, na Sibéria, descobrem-se exactamente os mesmos objectos de ossos e pedras. Ora a técnica de fabricação desses objectos já não se encontra senão entre os Esquimós. O Instituto Smithson julga-se portanto no direito de concluir que há dez mil anos os Esquimós habitavam na Ásia central, Ceilão e Mongólia. Em seguida teriam emigrado bruscamente para a Gronelândia. Mas porquê? De que maneira puderam esses seres primitivos decidir bruscamente, e, todos ao mesmo tempo, trocar essas terras pelo mesmo ponto inóspito do globo? Aliás, como o puderam atingir? Ainda agora ignoram que a Terra é redonda e não têm a menor ideia do que é geografia. E abandonaram o Ceilão, paraíso terrestre? O Instituto não responde a estas perguntas. Nós não pretendemos impor a nossa hipótese e só a formulamos como exercício de amplificação do espírito: uma civilização superior, há dez mil anos, controla o globo. Ela cria no Grande Norte uma zona de deportação. Ora, que diz o folclore esquimó? Fala de tribos transportadas para o Grande Norte, na origem dos tempos, em gigantescos pássaros metálicos. Os arqueólogos do século xIx insistiram muito no contra-senso desses "pássaros metálicos". E nós?

Ainda não foi feito qualquer trabalho comparável ao do Instituto Smithson a respeito de objectos mais bem definidos. Por exemplo, sobre as lentes. Foram encontradas lentes ópticas no Iraque e na Austrália Central. Serão provenientes da mesma origem, da mesma civilização? Não foi chamado a pronunciar-se qualquer óptico moderno. Todos os vidros de óptica, há cerca de vinte anos, na nossa civilização, são polidos por meio de óxido de cerium. Dentro de mil anos, a análise espectroscópica provará, por meio de análise feita a esses vidros, a existência de uma civilização única no globo. E será verdade.

De estudos neste género poderia nascer uma nova visão do mundo passado. Deus queira que o nosso livro superficial e mal documentado suscite em qualquer jovem ainda cândido a ideia de um trabalho louco que um dia lhe dará a chave das antigas causas.

Há outros factos:

Sobre vastas regiões do deserto de Gobi observam-se vitrificações do solo semelhantes às que as explosões atómicas
produzem.

Nas cavernas do Bohistão foram encontradas inscrições acompanhadas de mapas astronómicos representando as estrelas na posição que ocupavam há treze mil anos. Vénus está ligada à Terra por algumas linhas.

A meio do século xIx, um oficial de marinha turco, Piri Reis, oferece à Library of Congress um pacote de mapas que descobriu no Oriente. Os mais recentes datam de Cristóvão Colombo, os mais antigos do século I após Cristo, copiados uns pelos outros. Em 1952, Arlington H. Mallery, grande especialista em cartografia, examina esses documentos[4]. Apercebe-se de que, por exemplo, tudo o que existe no Mediterrâneo foi inscrito, mas não no devido lugar. Pensariam eles que a Terra é plana? A explicação não é suficiente. Terão organizado o seu mapa por projecção, tendo em conta a rotundidade da Terra? Impossível, geometria projectiva data de Monge. Em seguida Mallery confia o estudo a Walters, cartógrafo oficial, que transfere esses mapas para um globo terrestre moderno: estes são exactos, não apenas quanto ao Mediterrâneo, mas em relação a toda a Terra, incluindo as Américas e o Antárctico. Em 1955, Mallery e Walters submetem o seu trabalho à comissão do Ano Geográfico. A comissão confia os documentos ao padre jesuíta Daniel Linehan, director do Observatório de Weston e responsável pela cartografia da marinha americana. O padre constata que o relevo da América do Norte, a localização dos lagos e montanhas do Canadá, o traçado das costas, na extremidade norte do continente, e o relevo antárctico (coberto pelos gelos e dificilmente revelado pelos nossos instrumentos de medida) estão certos. Cópias de mapas mais antigos ainda? Traçados a partir de observações feitas a bordo de um engenho voador ou espacial? Notas tomadas por visitantes vindos do Exterior?

Seremos censurados por fazer estas perguntas? O Popul Vuh, livro sagrado dos Quichuas da América, fala de uma civilização infinitamente remota que conhecia as nebulosas e todo o sistema solar. "Os da primeira raça, segundo ali se lê, eram capazes de tudo saber. Examinavam os quatro pontos do horizonte, os quatro pontos da abóbada celeste e a superfície redonda da Terra".
 
*

"Algumas dessas crenças e dessas lendas que a Antiguidade nos legou estão tão universalmente e tão profundamente enraizadas que adquirimos o hábito de as considerar quase tão velhas como a própria humanidade. Ora somos levados a investigar até que ponto a conformidade de várias dessas crenças e lendas é realmente produto do acaso, ou até que ponto poderia ser o reflexo da existência de uma antiga civilização, totalmente desconhecida e insuspeitada, e da qual todos os outros vestígios tivessem desaparecido."

O homem que, em 1910, escrevia estas linhas não era nem um escritor de ficção científica, nem um vago ocultista. Era um dos pioneiros da ciência, o professor Frédéric Soddy, prémio Nobel, descobridor dos isótopos e das leis de transformação em radioactividade natural[5].
 
A Universidade de Oklahoma publicou em 1954 os anais das tribos índias da Guatemala, que datavam do século xvI. Narrativas fantásticas, aparições de seres lendários, costumes imaginários de deuses. Examinando-as mais cuidadosamente apercebemo-nos de que os índios cackchiquels não contavam histórias loucas: mencionavam à maneira deles os seus primeiros contactos com os invasores espanhóis. Estes últimos, no espírito dos "historiadores" cackchiquels, tomavam lugar ao lado dos seres pertencentes à sua própria mitologia e tradição. Desta forma o real era descrito sob um aspecto fabuloso, e é muito provável que textos considerados puramente folclóricos ou mitológicos se baseiem em factos reais mal interpretados e integrados noutros factos por sua vez imaginários.

A divisão não foi feita e uma literatura completa, várias vezes milenária, repousa nas nossas bibliotecas especializadas sobre as prateleiras destinadas às "lendas" sem que ninguém, nem por instantes, imagine que talvez ali se dissimulem crónicas iluminadas de acontecimentos verdadeiros.

O que nós sabemos da ciência e da técnica modernas deveria no entanto obrigar-nos a ler com espírito diferente essa literatura. O livro de Dzyan fala de "mestres de rosto fascinante" que abandonam a Terra, retirando os seus conhecimentos aos homens impuros e apagando por meio da desintegração os vestígios da sua passagem. Partem em carros voadores, impelidos pela luz, ao encontro do país "do ferro e do metal" a que pertencem.
 
Num recente estudo da Literatournaya Gazeta[6], o professor Agrest, que admite a hipótese de uma antiga visita de viajantes interplanetários, descobre, entre os primeiros textos introduzidos na Bíblia pelos sacerdotes judeus, a recordação de Seres vindos de algures, que, tal como Enoch, desapareciam para subir novamente ao céu em misteriosas arcas. As obras sagradas hindus, o Ramayana e o Maha Bhratra, descrevem as aeronaves que circularam no céu, no início dos tempos, e que se assemelhavam "a nuvens azuladas em forma de ovos ou, de globo luminoso".
 
Podiam efectuar várias vezes a volta à Terra. Eram accionadas "por uma força etérea que fustiga o solo à partida", ou "por uma vibração proveniente de uma força invisível". Emitiam "sons agradáveis e melodiosos", irradiavam "brilhando como fogo" e a sua trajectória não era em linha recta, mas surgia como "uma longa ondulação aproximando-as ou afastando-as da Terra". A matéria desses engenhos é definida, nessas obras com mais de três mil anos e sem dúvida escritas à base de recordações infinitamente mais longínquas, como sendo formada por vários metais, uns brancos e leves, outros vermelhos.

No mausola Purva pode ler-se esta singular descrição, incompreensível para os etnólogos do século xIx, como é evidente,
mas não para nós:

"É uma arma desconhecida, um raio de ferro, gigantesco mensageiro da morte, que reduziu a cinzas todos os membros da raça dos "Vrishnis" e dos "Andhakas". Os cadáveres queimados nem sequer eram reconhecíveis. Os cabelos e as unhas caíam, os barros quebravam sem causa aparente, os pássaros tornavam-se brancos. Ao fim de algumas horas toda a alimentação era malsã. O raio ficou reduzido a uma poeira fina.

E isto:

"Cukra, voando a bordo de um vimana de grande potência, lançou sobre a tríplice cidade um projéctil único carregado com a potência do Universo. Um fumo incandescente, semelhante a dez mil sóis, se elevou no seu esplendor... Quando o vimana aterrou apareceu como um magnífico bloco de antimónio pousado no solo..."

Objecção: se admitis a existência de civilizações tão fabulosamente avançadas, como explicais que as inúmeras buscas, feitas sobre todo o globo terrestre, não tenham trazido para a luz do dia um único resto de qualquer objecto susceptível de nos fazer acreditar nessa existência?

Respostas:

1.o - Há apenas um século que se pesquisa sistematicamente, e a nossa civilização atómica ainda não conta vinte anos. Não foi feita a menor exploração conscienciosa na Rússia do Sul, na China, na África Central ou na África do Sul. Extensões imensas continuam a guardar o seu passado secreto.

2.o - Foi necessário que um engenheiro alemão, Wilhelm Kónig, ao visitar por acaso o museu de Bagdade, se apercebesse de que certas pedras planas, encontradas no Iraque, e como tal classificadas, eram afinal pilhas eléctricas, utilizadas dois mil anos antes de Galvani. Os museus de arqueologia regurgitam de objectos classificados como "objectos de culto" ou "diversos" sobre os quais nada se sabe. Os russos descobriram recentemente em cavernas do Gobi e do Turquestão meias esferas de cerâmica ou vidro, terminadas por um cone com uma gota de mercúrio. De que se trata? Finalmente, poucos arqueólogos têm conhecimentos científicos ou técnicos. Muito menos ainda estão em condições de se aperceber de que um problema técnico pode ser resolvido de várias maneiras, e de que há máquinas que não se parecem com aquilo a que nós chamamos máquinas: sem biela, sem manivela, sem rodagem. Algumas linhas traçadas com uma tinta especial sobre papel preparado constituem um receptor de ondas electromagnéticas. Um simples tubo de cobre serve de ressoador quando da produção de ondas de radar. Um diamante é um detector sensível à radiação nuclear e cósmica. Certos cristais podem conter gravações complexas. Será caso que estejam encerradas bibliotecas completas em pequenas pedras esculpidas. Se, dentro de mil anos, depois de a nossa civilização se ter extinguido, os arqueólogos descobrissem fitas magnéticas, por exemplo, que fariam delas? E de que maneira se aperceberiam da diferença entre uma fita virgem e uma fita gravada?

Actualmente estamos prestes a descobrir os segredos da antimatéria e da antigravitação. Amanhã, o manejo desse segredos exigirá uma aparelhagem pesada, ou, pelo contrário, de uma desconcertante leveza? Ao desenvolver-se, a técnica não complica, simplifica, reduz o equipamento até o tornar quase invisível. No seu livro Nlagie Chaldéenne, Lenormand, referindo-se a uma lenda que recorda o mito de Orfeu, escrevia: "Nos tempos antigos, os sacerdotes de On, servindo-se de sons, provocavam tempestades e erguiam no ar, para construir os seus templos, pedras que não poderiam ser levantadas por mil homens". E Walter Owen: "As vibrações sonoras são forças. . . A criação cósmica é mantida por vibrações que poderiam igualmente interrompê-la." Esta teoria não se afasta muito das concepções modernas. Amanhã será fantástico: todos o sabem. Mal talvez o seja duplamente, tirando-nos a ideia de que ontem era banal.
 
*

Nós temos da Tradição, isto é, do conjunto dos textos mais antigos da humanidade, uma concepção muito literária, religiosa,
filosófica. E se se tratasse de imemoriais recordações, consignadas por pessoas já muito afastadas do tempo em que se desenrolavam os acontecimentos, transpondo, fantasiando? Imemoriais recordações de civilizações técnica e cientificamente tão avançadas como a nossa, se não infinitamente mais? Que diz a Tradição, vista sob este aspecto?

Em primeiro lugar, que a ciência é perigosa. Esta ideia podia surpreender um homem do século xIx. Sabemos agora que bastaram duas bombas sobre Nagasaki e Hiroshima para matar 300 000 pessoas, que aliás essas bombas já estão ultrapassadas, e que um projéctil de cobalto de quinhentas mil toneladas poderia acabar com a vida sobre a maior parte do Mundo.

Em seguida, que pode haver contacto com seres não terrestres. Contra-senso para o século xix, mas não para nós. Já não é impensável que existam universos paralelos ao nosso, com os quais se poderia estabelecer comunicação[7]. Os radio-telescópios captam ondas emitidas há dez biliões de anos-luz, moduladas de tal forma que se assemelham a mensagens. O astrónomo John Krauss, da Universidade de Ohio, afirma ter captado, a 2 de Junho de 1956, sinais provenientes de Vénus. Outros sinais, provenientes de Júpiter, teriam sido recebidos no Instituto de Princeton.
 
 
Finalmente a Tradição assegura que tudo o que se passou, desde o início dos tempos, foi gravado na matéria, no espaço, nas energias, e pode ser revelado. É exactamente o que diz um grande sábio como Bowen na sua obra A Exploração do Tempo, e é um pensamento de que hoje participa a maior parte dos investigadores.

Nova objecção: uma elevada civilização técnica e científica não desaparece inteiramente, não se extingue completamente.

Resposta: "Nós, as civilizações, sabemos agora que somos mortais." São justamente as técnicas mais evoluídas que se arriscam a provocar o desaparecimento total da civilização de que brotaram. Imaginemos a nossa própria civilização num futuro próximo. Todas as centrais de energia, todas as armas, todos os emissores e receptores de telecomunicações, todos os aparelhos de electricidade e de nucleónica, enfim, todos os instrumentos tecnológicos se baseiam no mesmo princípio de produção de energia. Após qualquer reacção em cadeia, todos esses instrumentos, gigantescos ou de algibeira, explodem. Todo o potencial material e a maior parte do potencial humano de uma civilização desaparece. Só restam as coisas que não testemunham essa civilização, e os homens que viviam mais ou menos afastados dela. Os sobreviventes tornam a cair na simplicidade. Só restam recordações, consignadas desajeitadamente após a catástrofe: narrativas de aparência lendária, mítica, onde se sente o tema da expulsão de um paraíso terrestre e o sentimento de que há grandes perigos, grandes segredos escondidos no seio da matéria. Tudo recomeça a partir do Apocalipse: "A Lua adquiriu um aspecto sangrento e os céus fecharam-se como um rolo de pergaminho..."

*

Em 1946, as patrulhas do governo australiano, ao aventurarem-se nas altas regiões incontroláveis da Nova Guiné, ali encontraram tribos agitadas por um grande vento de excitação religiosa: acabava de nascer o culto do "cargo". O "cargo" é um termo inglês que designa as mercadorias comerciais destinadas aos indígenas: latas de conserva, garrafas de álcool, candeeiros de parafina, etc. Para esses homens ainda na idade da pedra o súbito contacto com semelhantes riquezas não podia deixar de ser profundamente perturbante. Seria caso que os homens brancos pudessem ter fabricado tais riquezas? Impossível. Os Brancos que se vêem é evidente que são incapazes de construir com as próprias mãos um objecto maravilhoso. Sejamos positivos, era mais ou menos o que pensavam os indígenas da Nova Guiné: já alguma vez se viu um homem branco fabricar fosse o que fosse? Não, mas os Brancos dedicam-se a tarefas muito misteriosas: vestem-se todos da mesma maneira. Por vezes sentam-se diante de uma caixa de metal sobre a qual há mostradores e escutam ruídos estranhos que de lá saem. Fazem sinais sobre folhas em branco. Trata-se de ritos mágicos, graças aos quais obtêm dos deuses que estes lhes enviem "o cargo". Os indígenas resolveram então copiar esses "ritos": experimentaram vestir-se à europeia, falaram para dentro de latas de conserva, espetaram troncos de bambu sobre as suas choupanas, a imitarem antenas. E construiram falsas pistas de aterragem, na expectativa do "cargo".

Ora bem. E se os nossos antepassados tivessem interpretado desta forma os seus contactos com as civilizações superiores? Restar-nos-ia a Tradição, quer dizer, o ensinamento de "ritos" que na realidade eram formas muito legítimas de agir em função de conhecimentos diferentes. Teríamos imitado infantilmente atitudes, gestos, manipulações, sem os compreender, sem os relacionar com uma realidade complexa que nos escapava, na expectativa de que esses gestos, essas atitudes, essas manipulações nos trouxessem qualquer coisa. Qualquer coisa que não vem: um maná "celestial", na verdade conduzido por vias que a nossa imaginação não podia conceber. É mais fácil cair no ritual do que atingir o conhecimento, mais fácil inventar deuses do que compreender técnicas. Posto isto, acrescento que nem Bergier nem eu próprio pretendemos reduzir todo o impulso espiritual a uma ignorância material. Pelo contrário. Para nós, a vida espiritual existe. Se Deus ultrapassa a realidade, encontraremos Deus quando conhecermos toda a realidade. E se o homem tem poderes que lhe permitem compreender todo o Universo, Deus é talvez o Universo todo, mais qualquer outra coisa.

Mas continuemos o nosso exercício de desenvolvimento espiritual: se aquilo a que chamamos esoterismo não passasse, de facto, de um exoterismo? Se os mais antigos textos da humanidade, a nossos olhos sagrados, não passassem de traduções adulteradas, de divulgações sem autoridade, de relatos em terceira mão, das recordações um pouco falseadas de realidades técnicas? Nós interpretamos esses velhos textos sagrados como se realmente fossem a expressão de "verdades" espirituais, de símbolos filosóficos, de imagens religiosas. É que, ao lê-los, só recorremos a nós próprios, homens ocupados pelo nosso pequeno mistério interior: gosto do bem e faço o mal, vivo e vou morrer, etc. Eles dirigem-se a nós: esses engenhos, esses raios, esses manás, esses apocalipses são representações do mundo do nosso espírito e da nossa alma. É a mim que falam, a mim; para mim... E se se tratasse de longínquas recordações deformadas de outros mundos que existiram, da passagem por esta terra de outros seres que procuravam, que sabiam, que trabalhavam?

Imaginai uma época muito remota em que as mensagens provenientes de outras inteligências do Universo eram captadas e interpretadas, em que os visitantes interplanetários tinham instalado uma rede sobre a Terra, onde fora estabelecido um tráfico cósmico. Imaginai que ainda existe em qualquer santuário notas, diagramas, relatórios, decifrados com dificuldade, no decorrer dos milenários, por monges detentores dos segredos antigos, mas de forma nenhuma qualificados para compreender esses segredos na sua totalidade, que não cessaram de interpretar, de extrapolar. Exactamente como seriam capazes de fazer os feiticeiros da Nova Guiné ao tentarem compreender uma folha de papel sobre a qual estivessem inscritos os horários dos aviões entre Nova Iorque e São Francisco. Por fim, tendes o livro de Gurdjieff: Narrações de Belzebu a seu Neto, cheio de referências a conceitos desconhecidos, a uma linguagem inverosímil. Gurdjieff diz que teve acesso a "fontes". Fontes que não passam de desvios. Faz uma tradução em milésima mão, acrescentando-lhe ideias pessoais, edificando uma simbólica do psiquismo humano: eis o esoterismo.

Um prospecto-guia das linhas internas de aviação dos U.S.A.: "Pode marcar o seu lugar em qualquer parte. Esse pedido de marcação é registado por um autómato electrónico. Outro autómato marca o lugar no avião que você deseja. O bilhete que lhe for entregue será perfurado conforme, etc." Imaginai o que isto daria à milésima tradução em dialecto amazónico, feita por pessoas que nunca tivessem visto um avião e que ignorassem o que seja um autómato, bem como o nome das cidades citadas no guia. E agora: imaginai o esoterista perante esse texto, remontando às origens da sabedoria antiga e procurando um nsinamento para a conduta da alma humana...
 
*

Se existiram, na noite dos tempos, civilizações edificadas sobre um sistema de conhecimentos, também houve manuais. As catedrais seriam manuais do conhecimento alquímico. Não está posto de parte que alguns desses manuais, ou fragmentos, tenham sido novamente descobertos, piedosamente conservados e indefinidamente recopiados por monges cuja tarefa era mais salvaguardar do que compreender. Indefinidamente recopiados, fantasiados, transpostos, interpretados, mas em função do limitado saber da época seguinte. Mas, no fim de contas, todo o real conhecimento técnico, científico, levado ao extremo, conduz a um conhecimento profundo da natureza do espírito, dos recursos do psiquismo, leva a um estado superior de consciência. Se, a partir dos textos "esotéricos" - mesmo que não sejam senão aquilo que aqui dizemos -, alguns homens puderam ascender a esse estado superior de consciência, de certa maneira restabeleceram contacto com o esplendor das civilizações extintas. Também não está excluído que haja duas espécies de "textos sagrados": fragmentos de testemunhos de um antigo conhecimento técnico, e fragmentos de livros puramente religiosos, inspirados por Deus. Ambos se confundiriam, à falta de referências que permitissem distingui-los. E, na verdade, tanto num caso como noutro, trata-se de textos igualmente sagrados.

Sagrada é a aventura indefinidamente recomeçada, e no entanto indefinidamente progressiva, da inteligência sobre a Terra. E sagrado é o olhar que Deus lança sobre essa aventura, o olhar sob o qual se encontra suspensa essa aventura.
 
*

Permitem que terminemos este estudo, ou antes, este exercício, com uma história? É uma narrativa de um jovem escritor americano, Walter M. Miller. Quando a descobrimos, Bergier e eu, sentimos uma profunda alegria.

Oxalá os nossos leitores tenham a mesma sensação!



1 Doutor Bowen: The exploration of time, Londres, 1958.

2 Para provar a legitimidade da sua tese, Washburn modificou o crânio dos ratos fazendo-o passar de uma forma "neandertalóide" à forma "moderna".

3 New York Herald Tribune, 11 de Junho de 1958.

4 Todo este assunto foi examinado no decorrer de um debate organizado na Georgetown University em Dezembro de 1958. Ver o estudo de Ivan T. Sanderson, em Fantastic Universe, Janeiro de 1959.

5 Professor em Oxford, membro da Real Sociedade de Londres. Estas, linhas são extraídas da sua obra Le Radium, traduzida por Adolphe Lepage, chefe do laboratório de Químico-Física do Instituto de Hidrologia e de Climatologia de Paris.

6 1959.

7 Esta ideia da existência de Universos paralelos ao Universo visível encontra-se constantemente na investigação contemporânea. Ver, por exemplo a revista Indústrias Atómicas, n." 1, 1958, pág. 17, artigo de E.C.G. Stuckuelberg.

Louis Pauwels e Jacques Bergier