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siga a estrada de tijolos amarelos: Sociedades Secretas & Conspirações Textos Conspiracionais Nazi-Esoterismo: crenças e Magia no Reich de Hitler Ilha de Thulé e da Atlântida: lendas e história arcaica

Ilha de Thulé e da Atlântida: lendas e história arcaica

Sobre a antropogênese ─ origem e evolução do Homem, a teoria nazista das Raças era uma confusa e amadora  reunião de revelações espetaculosas dignas de um almanaque mal explicado ─ mas fascinante como tema de conversa dos salões e convescotes! [piqueniques]. A antropogênese nazista foi elaborada  com trechos arrancados das páginas do Livro de Dzyan [Doutrina Secreta] sobrepostos e misturados com literatura de ficção e teorias bizarras da pseudociência aplicada à astrofísica, astronomia, geologia e geografia.

Hitler pregava o advento do Homem Novo porém o modelo que apresentava foi resgatado das ruínas do Homem Velho, velhíssimo! Aliás, tão arcaico que pertence ao universo dos mitos; porque o Homem Novo dos nazistas é uma ressurreição dos Atlantes [Quarta Raça Humana] dotados de características e/ou conexões com os Hiperbóreos [Segunda Raça, habitantes do antigo Pólo Norte].

O mito da ilha de Thule [que deu nome à Sociedade Secreta dos nazi] pertence aos anais da Segunda Raça; mas os arianos corpóreos, os gigantes louros são típicos de uma das nações da Quarta Raça, Atlante. Trata-se de uma ilha mítica, localizada na fronteira do mundo conhecido foi, segundo as fontes mais minuciosas, a pátria da Segunda Raça Humana, em uma época tão recuada que a ciência oficial, hoje, considera um irracionalidade admitir qualquer ser egóico humano ou mesmo, qualquer forma de vida celular, quanto mais uma Humanidade pudesse existir nesse tempo [leia a descrição acima]. Fosse na Groenlândia, ou na Islândia, no mar Báltico ou em um centro exato do pólo Norte arcaico, Thule, a Ilha, teria sido o centro do continente Hiperbóreo, habitat preferencial da Segunda Raça.

Thule foi um paraíso; e Thule foi um inferno! Blavatsky descreve os seres humanos daqueles tempos pré-jurássicos! ─ "filamentosas e brilhantes formas". Para outros, eram aberrações; e como geração de uma Era, essa Humanidade teve seu apogeu e sua decadência:

O Segundo Continente estendia-se a sul e oeste do Pólo Norte; pode ter incluído Baffin Bay bem como parte de Groenlândia até Kamschatka. Nesse continente apareceu a Segunda Raça, de monstros, andróginos, seres semi-humanos. Foram os primeiros esforços da Natureza Material para construir/forjar corpos humanos. A maior parte dessa geração pereceu no primeiro grande cataclismo, quando a Groenlândia e outros Paraísos setentrionais, com suas "eternas primaveras" foram transformados em infernos hiperbóreos. [GODWIN, p 19]

Evolução da Raças Humanas: Pré-históricas e Pré-Diluvianas ─ Gigantes


Os teóricos, filósofos e ocultistas nazistas, em seu afã de atribuir aos brancos arianos um status de superioridade racial,  perceberam que embaralhando um pouco as páginas da Doutrina Secreta poderiam forjar uma teoria capaz de fascinar leitores mais apressados, capaz de seduzir o povo alemão de origem nórdica.

Enquanto o Livro de Dzyan deixa claro que não houve mistura genética entre Hiperbóreos, Lemurianos e Atlantes, Evola e outros adeptos do arianismo sugerem a coexistência de três raças raízes, supondo a troca de material genético entre Hiperbóreos e Lemurianos e entre Hiperbóreos e Atlantes.

Aqui vale um parenteses. É preciso esclarecer que esta NÃO É a teoria apresentada na Doutrina Secreta de H. P. Blavatsky [que se fundamenta no Livro de Dzyan]. Porém, para intelectuais arianistas como Julio Evola, não há problema em "forçar" uma aproximação entre as Raças contanto que a superioridade branca-loura seja afirmada.  A Teosofia, sobretudo, é acusada de fornecer os fundamentos do arianismo; os mestres da Alta Magia, teriam contribuído com as fórmulas e preparações relacionadas aos rituais. Mas as fontes principais da magia negra nazista são menos citadas: a magia Bon-Po, tibetana, um tipo de feitiçaria macabra que utiliza com freqüência e abundância crânios, ossos, pele humana e outros elementos colhidos entre o que existe de pior no esoterismo do extremo Oriente e da Eurásia, como a escola de Aleister Crowley [1875-1947], a besta, realmente, que começou a escrever sua série de Libers anotando os discursos alucinados de suas mulheres em transe; mulheres que acabaram entre loucas e drogadas.
 Os ocultistas alemães thulistas que leram Eliphas Levi desconsideraram completamente as inúmeras advertências do mestre Frances sobre a prática da magia negra, classificada como criminosa em Dogma e Ritual da Alta Magia.Para E. Levi, os praticantes da magia negra com suas bizarras exigências rituais são celerados, dementes ou ambas as coisas. Os iniciados de Thule fizeram tudo o que é explicitamente não recomendado, ao contrários, fizeram tudo o que é condenado e amaldiçoado pelos sábios que incluíram entre suas fontes de inspiração. A ligação entre Eliphas Levi, Blavatsky e outros nomes do ocultismo ocidental ofende a memória daqueles estudiosos.

Pouco lembrado é o fato de que a Alemanha dos nacionalistas-alucinados, ainda na década de 1920, começou a perseguir esotéricos de outras Sociedades, como os Antroposofistas, de Rudolf Steiner ─ que foi assassinado em 1925 ─ maçons, rosa-cruzes e mesmo a Sociedade Teosófica.

Evola fornece um panorama geral dos ciclos das civilizações pré-históricas [pré-diluvianas mesmo] e que correspondem aos quatro Yugas da Tradição [e também às quatro Raças-Humanas que precederam a atual]. A Primeira [os Sem-ossos, Sombras, Filhos do Ioga] e a Segunda [Filhos do Suor], estas Raças viveram na chamada Golden Age ─ Idade do Ouro e habitaram o lugar onde hoje se localiza o Círculo Polar Ártico. Um desastre ou evento, espiritual mas também, evidentemente, geológico-astrofísico, caracterizado por mudança na inclinação do eixo do Terra, teria forçado a migração da segunda Raça, a Hiperbórea.

Uma primeira onda migratória buscou refúgio na atual América do Norte e nas regiões setentrionais da Eurásia. Outros, em segunda instância, alcançaram o continente Atlante [hoje submerso, localizava-se, segundo acreditam muitos pesquisadores, no meio do Oceano Atlântico]. Esse segundo grupo teria se misturado com raças aborígenes [que Evola não explica de onde surgiram!] de proto-mongóis e proto-negroes que, ainda segundo Evola, deram origem à Raça dos Lemurianos [a Terceira Raça do Livro de Dzyan].
Em meio esta salada de Raças, Evola pretende estabelecer sobre a Terra uma espécie de Humanidade superior em função de sua elevação espiritual. Os Hiperbóreos que ficaram na Europa e Eurásia, foram estes os Homens superiores, ancestrais dos Arianos. Os outros, aqueles que desceram o Atlântico e cruzaram alinha do Equador rumo ao Sul, degeneraram-se ao miscigenarem-se com os tais Aborígenes [surgidos sabe Evola de onde!]. Assim, Evola localiza os Atlantes louros-altos no norte do planeta e os Lemurianos escuros, no sul, abaixo da linha do Equador, "onde mora o pecado".

Os primeiros migrantes Hiperbóreos permaneceram totalmente nórdicos; mais ao sul e ocidente, houve mistura de raças. Os Hiperbóreos puros do Hemisfério norte são identificados como Filhos do Sol, de espiritualidade masculina, uraniana [de Urano, céu, celestial]; os Hiperbóreos miscigenados, no Hemisfério Sul [que Julio Evola identifica, erradamente, com os Lemurianos] são os Filhos da Lua, de espiritualidade feminina, Demetrianos [de Deméter ou terrenos].

Gigantes Atlantes: Os indivíduos das quatro primeiras Raças Humanas foram todos gigantes em relação à Raça atual [ou Quinta Raça Humana]. O período que precede a aparecimento do homem físico propriamente dito compreende uma pré-história de, no mínimo, 300 milhões de anos! Conforme descreve Blavatsky:

O homem da Primeira Raça era um ser etéreo [filhos do ioga], não inteligente mas super-espiritual. Não tem sexo e, tal como os animais e vegetais do mundo em que vive, tem um corpo monstruoso. Na Segunda Raça [Heiperbórea], o homem ainda é gigantesco e etéreo; porém seu corpo já é um tanto mais denso e condensado [são os filhos do suor]. A Terceira Raça Humana, a Lemuriana, configurou-se, enfim, em um corpo concreto, compacto e, no princípio sua forma assemelhe-se à  de um macaco gigante, mais inteligente ou ,antes, mais astuto que espiritual. No meio da linha evolutiva dos Lemurianos, [Terceira Raça] a estatura gigantesca começa a decrescer e as formas, começam a perder o aspecto simiesco. Esta aparência perdura até quase que metade do ciclo da Raça Atlante quando, então, a inteligência cresce, a espiritualidade decresce e desenvolve-se a linguagem [as Raças anteriores era mudas em termos de fala articulada]. [BLAVATSKY, 2006 ─p 229]

Sobre a Ilha Branca ou Thule, escreve Blavatsky, em Síntese da Doutrina Secreta, flagrante estabelecendo desacordo com Julius Evola:

 A ilha Branca é uma alusão ao país dos nascidos do suor da Terceira Raça. Esse país ou continente havia desaparecido idades antes do advento de Asuramaya, posto que Asuramaya era um Atlante. [Blavatsky p 153].  ...Propomos o nome de Ilha Sagrada ou Imperecível para o primeiro continente onde evoluiu a Primeira Raça dos Progenitores Divinos. Segundo consta, esta Ilha Sagrada nunca participou do destino dos outros continentes, por ser a única que vai durar do começo ao fim do Manvâtara... É o berço do primeiro homem e morada do último mortal divino... Pouco se pode dizer desta terra sagrada e misteriosa sobre a qual a Estrela Polar fixa seu vigilante olhar durante todo um dia do Grande Alento [Idem, p 138].

E sobre os Atlantes:

Depois da destruição da Lemúria por uma série de cataclismos geológicos, vieram os Atlantes, os gigantes cuja formosura e forças físicas alcançaram o apogeu no meio do ciclo biológico-espiritual evolutivo da Quarta Raça Humana, à qual pertenciam. ...Os Atlantes construíram enormes imagens de vinte e sete pés de altura, [cerca de 8 metros], do tamanho de seus próprios corpos... [Os lemurianos eram ainda mais altos se bem que menos corporeamente densos]. Desde a destruição da Lemúria, a estatura humana foi decrescendo, de seis a sete pés [cerca de 2 metros]. [Ibdem, 193]

Os pensadores nazistas tomando conhecimento dessa antropogênese heterodoxa e se apropriando, ainda, de outras tradições lendárias, como as míticas cidades de Agarhta e Shamballa, elaboraram sua própria teoria,  adaptada da literatura esotérica, de modo que melhor se encaixassem em suas teorias/fantasias arianas relacionando-as: 1. ao ressurgimento de uma Raça Superior ariana, branca; 2. a uma liderança oculta, ancestral-arcaica, que se estabeleceu nos subterrâneos do Planeta, nos "ôcos da Terra".

Mas a antropogênese e a geologia-geografia arcaica dos nazistas era extremamente confusa: ao mesmo tempo em que identificavam Thule como a morada dos Hiperbóreos Filhos dos Deuses e que, portanto, devia estar situada em região ártica ─ localizaram Thule no Deserto de Gobi [e, então, seria a Ilha dos Jinas], muito longe da concepção original. A origem da confusão pode ser rastreada e encontrada na mistura de doutrina teosófica e ficção literária da época: enquanto Hitler publicava o Mein Kampf aparecia também no mercado Homens, Animais e Deuses, do russo Ossendovsky,  "no qual, pela primeira vez, foram revelados abertamente os nomes de Shambala e Agartha [ou Agarthi].

Pauwels e Bergier [196...], em O Despertar dos Mágicos, resumem o entendimento nazista das lendas de Thule e de outras localidades míticas:

Segundo a lenda... após  o cataclismo do Gobi [desertificação], os mestres da alta civilização, os detentores do conhecimento... instalaram-se em um imenso sistema de cavernas sob o Himalaia. No centro dessas cavernas dividiram-se em dois grupos, um seguindo a via da mão direita [magia branca], o outro, a via da mão esquerda [magia negra]. A primeira via, teria seu centro em Agarthi, lugar de contemplação, cidade oculta do Bem, templo da não-participação no mundo. A segunda via foi sediada em Shambala, cidade da violência e do poder, cujas forças comandam os elementos, as massas humanas, e ativam a chegada da Humanidade à charneira [fim] dos tempos. Aos magos condutores dos povos [e os nazistas acreditavam e/ou queriam ser esses magos] seria possível fazer um pacto com Shambala, mediante juramentos e sacrifícios [BERGIER/PAUWELS, 196...].

Como se viu até aqui, o misticismo nazista cultivado pelos membros da Sociedade de Thule em sua seção esotérica, oculta, era uma colcha de retalhos, pathwork de elementos míticos arcaicos que pudessem satisfazer ao desejo lúdico, anseio quase infantil [ou retardado] de fazer contato e aliança com supostos Mestres que controlavam  o mundo desde as mais remotas Eras [a rigor, há centenas de milhões! de anos e, portanto Mestres velhaços]; Mestres que habitavam um lugar misterioso, uma base secreta, subterrânea ou metafísica [invisível]. Esta ilha, base ou cidade oculta somente poderia ser acessada pelos Iniciados através de rituais que proporcionassem estados de consciência alterados, que permitiriam ao Espírito a comunicação telepática e/ou a entrada em universos paralelos da Existência.

Porém, tudo indica que os ocultistas nazistas eram tão impacientes quanto qualquer leigo em esoterismo. Não bastavam os rituais da Sociedade Secreta; era preciso o movimento físico de busca dessa localidade mítica, desses Mestres tão poderosos. Para tanto, foram organizadas as expedições científicas da Ahnenerbe a Secretaria do Reich dedicada à pesquisa do sobrenatural! Equipes foram enviadas ao Tibete, para caçar os mestres no Himalaia; ao Gobi, para encontrar a Ilha Branca. Outra, foi designada especialmente para investigar a teoria da Terra Ôca. Na lógica sofistica daqueles esotéricos "sem noção" a hipótese da cidade subterrânea, dos Sábios ocultos nas entranhas da Terra, tal hipótese era uma combinação conveniente que poderia conciliar a idéia de uma Cúpula de imortais agindo em segredo em local insuspeitado.

Nazi-Esoterismo: Crenças e Magia no Reich de Hitler