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siga a estrada de tijolos amarelos: Thelema Livros Thelemitas O Livro das Mentiras

O Livro das Mentiras

O Livro das MentirasTradução: Dom Marcelo Santos

[N.T. - Uma perfeita adaptação do texto original ao idioma Português é verdadeiramente impossível, devido aos inúmeros trocadilhos e detalhes de cunho técnico, somente apreciáveis no texto em Inglês. Porém, ainda assim, o texto deixa transparecer a genialidade e o alcance

da percepção espiritual do autor.]

O LIVRO DAS MENTIRAS,

o qual é também falsamente chamado

QUEBRAS,

 os devaneios ou falsificações do único pensamento de FRATER PERDURABO, (Aleister Crowley) cujo pensamento é, em si mesmo, falso.

  "Quebra, quebra, quebra / nos pés de tuas pedras, oh mar! / e eu pronunciaria / os pensamentos que nascem em mim!".

COMENTÁRIO (Página do Título)

O número do livro é 333, como implicando dispersão, de modo a corresponder ao título: "Quebras"  e  "Mentiras".    De qualquer forma, o  pensamento é, em si mesmo, falso e, portanto, suas falsificações são relativamente verdadeiras. Por conseguinte, este livro consiste em declarações tão verdadeiras na linguagem humana quanto possíveis.

            O verso de Tennyson é inserido, em parte, por causa do trocadilho com a palavra quebra e quebrar, e pela referência do significado da página do título; e, em parte, por ser  divertido para Crowley citar Tennyson.

 

 


 

 

 

 

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KEFALH H OUK ESTI KEFALH

 

0! (1)

A Tríade Anterior Primitiva A Qual É

NÃO-DEUS

Nada é.

Nada virá a ser.

Nada não é.

A Primeira Tríade A Qual é DEUS

EU SOU.

Eu pronuncio A Palavra.

Eu ouço A Palavra.

O Abismo

A Palavra é quebrada.

Há Conhecimento.

Conhecimento é Relação.

Estes fragmentos são Criação.

A quebra manifesta Luz. (2)

A Segunda Tríade A Qual é DEUS

DEUS, o Pai e Mãe, é ocultado em Geração.

DEUS é ocultado em rodopiante energia da Natureza.

DEUS é manifestado em concentração: harmonia:

consideração: o Espelho do Sol e do Coração.

A Terceira tríade

Paciência: preparar.

Agito: fluir: flamejar.

Estabilidade: gerar.

A Décima Emanação

O mundo.


COMENTÁRIO (O Capítulo que não é um Capítulo)

Este capítulo, de número 0, corresponde ao Negativo, o qual é anterior a Kether no sistema Cabalístico.

Os pontos de interrogação e exclamação nas páginas anteriores são os dois outros véus.

O significado destes dois símbolos é inteiramente explicado em  The Soldier and The Hunchback (O Soldado e o Corcunda).

            Este capítulo começa com a letra O, seguida por um ponto de exclamação; sua referência à teogonia de  Liber Legis  é explicada na observação, mas é também referente a KTEIS PHALLOS e SPERMA, e é a exclamação de assombro ou êxtase, a qual é a natureza ultimal das coisas.

OBS.: (1) Silêncio. Nuit, O; Hadit; Ra-Hoor-Khuit, 1.

COMENTÁRIO (A Tríade Anterior Primitiva)

   Esta é a Trindade Negativa; suas três declarações são, em último sentido, idênticas. Elas harmonizam Ser, Vir-a-Ser, e Não-Ser, os três modos possíveis de se conceber o universo.

   A expressão Nada é (tecnicamente equivalente a Algo é) é totalmente explicada no ensaio Berashit.

   O resto do capítulo segue o sistema Sephirótico da Cabala e consiste numa espécie de comento quintessencial sobre tal sistema.

   Aqueles que estão familiarizados com esse sistema reconhecerão Kether, Chokmah e Binah na Primeira Tríade; Daath, no Abismo; Chesed, Geburah e Tiphareth na Segunda Tríade; Netzach, Hod e Yesod na Terceira Tríade; e Malkuth na Décima Emanação.

   O capítulo pode, então, ser considerado o mais completo tratado sobre a existência já escrito.

OBS.: (2) O Inteiro, absorvendo tudo, é chamado Escuridão.


1

KEFALH A

O SABBATH DO BODE

O! o coração de N.O.X., a Noite de Pan

PAN: Dualidade: Energia: Morte.

Morte: Geração: os mantenedores de O!

Gerar é morrer; morrer é gerar.

Lança a Semente no Campo da Noite.

Vida e Morte são dois nomes de A.

Mata a ti mesmo.

Nada disto basta por si só.


COMENTÁRIO (A)

O formato do algarismo 1 sugere o Phallus; este capítulo é, então, chamado O Sabbath do Bode, o Sabbath das Bruxas, no qual o Phallus é adorado.

O capítulo começa com a repetição de O!, já comentado no capítulo anterior. É explicado que esta tríade vive na Noite, a Noite de Pan, a qual é misticamente chamada N.O.X., e este O é identificado com o O nesta palavra. N é o símbolo da Morte no Tarô; e o X, ou Cruz, é o signo do Phallus. Para um comentário completo sobre Nox, ver Liber VII , Cap. I.

   Nox soma 210, o que simboliza a redução da dualidade à unidade e, portanto, à negatividade; conseqüentemente é um hieróglifo da Grande Obra. (Nota Trad.: Em numerologia, Nox soma 17, que é o número do arcano A Estrela no Tarô, o qual é associado a Nuit.)

A palavra Pan é então explicada,  P, a letra de Marte, é um hieróglifo de dois pilares, e portanto sugere dualidade; A, por seu formato, é o pentagrama, energia; e N, pela sua atribuição com o Tarô, é morte.

Nox é mais bem explicada posteriormente, e é mostrado que a Trindade final, O!, é mantida ou alimentada pelo processo de morte e geração, os quais são a lei do universo.

A identidade destes dois é explicada posteriormente.

O Estudante é, portanto, incumbido de entender a importância espiritual deste processo físico na linha 5.

É então assegurado que a letra A final tem dois nomes ou fases: Vida e Morte.

            A linha 7 equilibra a linha 5. Nota-se que a fraseologia dessas duas linhas é de tal modo concebida que uma contém a outra mais do que a si mesma.

A linha 8 enfatiza a importância de se realizar as duas.


2

KEFALH B

O GRITO DO FALCÃO

Hoor tem um nome secreto quádruplo: esse é Faze O Que Quiseres. (3)

Quatro Palavras: Nada - Um - Muitos - Todos.

                                Tu - Criança!

                                Teu Nome é sagrado.

                                Teu Reino é vindo.

                                Tua Vontade é feita.

                                Aqui está o Pão.

                                Aqui está o Sangue.

           Leva-nos através da Tentação!

           Livrai-nos do Bem e do Mal!

Que Minha, como Tua, seja a Coroa do Reino, mesmo agora.

                                               ABRAHADABRA

Estas dez palavras são quatro, o Nome do Um.


COMENTÁRIO (B)

    O  Falcão  refere-se a Hórus.

    O capítulo começa com um comento sobre  Liber Legis, III, 49.

    Estas quatro palavras, Faze O Que Quiseres, são também identificadas com os quatro modos possíveis de conceber o universo; Horus unifica-os.

    Segue uma versão do  Pai Nosso , adequada a Hórus. Compare com a versão do cap. 44. Há dez seções nesta oração, e, como a oração é atribuída a Hórus, elas são chamadas quatro, como explicado acima; mas apenas o nome de Hórus é quádruplo; ele em si é Um.

    Isto pode ser comparado à doutrina cabalista das Dez Sephiroth como uma expressão do Tetragrammaton (1 mais 2 mais 3 mais 4 = 10).

    É visto agora que este Falcão não é Solar, mas Mercurial; daí as palavras usadas, O Grito do Falcão, a parte essencial de Mercúrio sendo a sua Voz; e o número do capítulo, B, sendo Beth a letra de Mercúrio, O Mago do Tarô, o qual tem quatro armas; e deve ser lembrado que esta carta é a de número 1, conectando novamente estes símbolos com o Phallus.

    A arma essencial de Mercúrio é o Caduceu.

OBS.:

(3)  Quatorze letras. Quid Voles Ilud Fac.

            Q.V.I.F. 196 = 142.


3

KEFALH  G

A OSTRA

Os Irmãos da A\A\são um com a Mãe da Criança. (4)

Os Muitos são adoráveis ao Um, como o Um o é para os Muitos. Este é o

    Amor Destes; criação-parto é a Glória do Um; coito-dissolução é a Glória

    de Muitos. O Todo, assim combinado com Estes, é Glória.

Nada está além da Glória.

O Homem delicia-se ao unir-se com a Mulher; a Mulher em parir uma

    Criança.

Os Irmãos da A\A\são Mulheres: os Aspirantes à A\A\são

    Homens.


COMENTÁRIO (G )

   Gimmel é a Grande Sacerdotisa do Tarô. Este capítulo fala da iniciação sob o ponto de vista feminino; é então chamada A Ostra, um símbolo da Yoni. Em  Equinox X, O Templo do Rei Salomão, é explicado como os Mestres do Templo, ou Irmãos da A\A\, mudaram a fórmula de seu progresso. Estas duas fórmulas, Solve et Coagula, são agora explicadas, e o universo é exposto como a interação entre estes dois. Isto também explica a declaração de  Liber Legis ,I, 28-30

OBS.: (4) Eles fazem com que todos os homens a adorem.


4

KEFALH  D

PÊSSEGOS

Suave e vazio, como tu sobrepujas o duro e cheio!

Isto morre, isto se dá; a Ti é o fruto!

Sê tu a noiva; tu serás a Mãe doravante.

Assim para com todas as impressões. Não as deixes sobrepujarem-te,

 porém deixa que se reproduzam em ti. A última

   das impressões, vinda para sua perfeição, é Pan.

Recebe mil amantes; tu carregarás apenas Uma Criança.

Esta criança será a herdeira de Fado, o Fundador.

COMENTÁRIO (D)

   Daleth é a Imperatriz do Tarô, a letra de Vênus, e o título, Pêssegos, de novo refere-se à Yoni.

   O capítulo é um conselho para aceitar todas as impressões, é a fórmula da Mulher Escarlate; mas não se deve permitir dominar-se por impresão alguma, apenas frutificar-se; como o artista que, vendo um objeto, não o reverencia, mas produz uma obra-prima a partir dele. Este processo é mostrado como um aspecto da Grande Obra. Os últimos parágrafos talvez se refiram ao 13°. Aethyr (veja  A Visão e A Voz ).


5

KEFALH E

A BATALHA DAS FORMIGAS

Isso não é o que é.

A única palavra é Silêncio.

O único Significado dessa Palavra é não.

Pensamentos são falsos.

Paternidade é unidade disfarçada de dualidade.

Paz implica em guerra.

Força implica em guerra.

Harmonia implica em guerra.

Vitória implica em guerra.

Glória implica em guerra.

Fundação implica em guerra.

Ai! Pelo Reino onde todos estes estão em guerra.


COMENTÁRIO (E)

   He é a letra de Áries, um signo de Marte; enquanto o título sugere guerra. As formigas são escolhidas como pequeninos objetos ocupados.

   Todavia He, sendo uma letra sagrada, desperta o início do capítulo para a contemplação do Pentagrama, considerado como um hieróglifo do definitivo.

   Na linha 1, Ser é identificado com Não-Ser.

   Na linha 2, Fala com Silêncio.

   Na linha 3, o Logos é proclamado como o Negativo.

   Na linha 4 encontra-se outra maneira de expressar a conhecida afirmação hindu, segundo a qual aquilo em que se pode pensar é falso.

    Na linha 5, chegamos a uma importante declaração, um esboço da mais ousada tese neste livro: Pai e Filho não são verdadeiramente dois, mas um; sua unidade sendo o Espírito Santo, o sêmen; a forma humana é um acréscimo não-essencial desta quintessência.

    Até aqui o capítulo seguia as Sephiroth de Kether a Chesed, e Chesed une-se à Tríade Supernal pela virtude de sua natureza Fálica; pois não só Amoun é um Deus Fálico, e Júpiter o Pai de Todos, mas 4 é Daleth, Vênus, e Chesed correlaciona-se com a água, da qual jorra Vênus, e cujo símbolo é a Mãe no Tetragrammaton. Veja Cap. 0:  Deus, o Pai e Mãe, é ocultado em geração.

    Mas Chesed, no senso comum, é conjugada a Microposopus. Este é o verdadeiro elo entre as esferas maiores e menores, visto que Daath é a falsa. Compare com a doutrina do mais alto e mais baixo Manas na Teosofia.

    O resto do capítulo ressalta a dualidade e, portanto, a imperfeição de todas as Sephiroth mais baixas em sua essência.


6

KEFALH  F

Caviar

A Palavra foi pronunciada: o Um explodiu em mil de milhões

   de mundos.

Cada mundo continha mil milhões de esferas.

Cada esfera continha mil milhões de planos.

Cada plano continha mil milhões de estrelas.

Cada estrela continha muitos milhares de milhões de coisas.

Destas, aquele que raciocina tomou seis e, orgulhosamente, disse: Este

   é o Um e o Todo.

Estes seis o Adepto harmonizou, e disse: Este é o Coração do Um e do Todo.

Estas seis foram destruídas pelo Mestre do Templo; e ele não falou.

A Cinza disto foi queimada pelo Magus dentro d’A Palavra.

De tudo isto o Ipsissimus nada soube.


COMENTÁRIO (F)

   O capítulo chama-se Caviar provavelmente por tal substância ser composta de muitas esferas.

   A explicação dada para a Criação é aquela familiar aos estudantes da tradição Cristã, o Logos transformando a unidade em muitos.

   Vemos então o que diferentes classes de pessoas fazem com os muitos.

   O Racionalista toma as seis Sephiroth de Microprosopus num estado de crueza, e designa-as como sendo o universo. Esta tolice é devida ao orgulho da razão.

   O Adepto concentra o Microcosmo em Tiphareth, reconhecendo uma Unidade, mesmo no microcosmo, mas, qua Adepto, não pode ir adiante.

   O Mestre do Templo destrói todas essas ilusões, mas permanece silente. Veja a descrição de suas funções no  Equinox ,  Liber 418  e alhures.

   No próximo grau, a Palavra é reformulada pelo Magus em Chokmah, a Díade, o Logos.

   O Ipsissimus, no mais alto grau da A\A\, está totalmente inconsciente deste processo, ou, seria melhor dizer, ele o reconhece como Nada, no sentido positivo da palavra, a qual só é inteligível em Samasamadhi.


7

KEFALH  Z

OS DINOSSAUROS

Ninguém são Eles cujo número é Seis (5): mas eles foram seis, de fato.

Sete (6) são estes Seis que não vivem na Cidade das Pirâmides, sob a Noite de Pan.

Houve Lao-tzu.

Houve Siddhartha.

Houve Krishna.

Houve Tahuti.

Houve Mosheh.

Houve Dionísio (7).

Houve Mahmud.

Mas o Sétimo homem, chamado PERDURABO, por perdurar até O Fim, no

   Final não tinha Nada para perdurar (8).

Amén.


COMENTÁRIO (Z)

   Este capítulo dá uma lista dos mensageiros especiais do Infinito que iniciaram períodos. Eles são chamados dinossauros, por sua aparência de criaturas terríveis e devoradoras. Eles são Mestres do Templo, pois seu número é 6 (1 mais 2 mais 3), o número místico de Binah; mas são chamados de  Ninguém, pois eles chegaram à consecução. Se não fosse assim, eles seriam chamados de  seis , no mau sentido do mero intelecto.

   Eles são chamados Sete. Apesar de serem Oito, porque Lao-tzu conta como nada, devido à natureza de sua doutrina.

   A referência ao fato de que eles “ não-vivem”  deve ser encontrada em  Liber 418 .

   A palavra  Perdurabo  significa  Eu perdurarei até o fim . A alusão é explicada na nota.

   Siddartha, ou Gautama, foi o nome do último Buddah.

   Krishna foi a principal encarnação do Vishnu Indiano, o preservador, o principal expositor do Vedantismo.

   Tahuti, ou Thoth, o Deus Egípcio da Sabedoria.

   Mosheh, Moisés, o fundador do sistema hebraico.

   Dionísio, provavelmente um enlevado do Oriente.

   Mahmud, Maomé.

   Todos estes foram homens, suas Divindades são fruto da mitificação.

OBS.:

(5) Mestres do Templo, cujo grau tem o número místico 6 (= 1 + 2 + 3).

(6) Estes não são oito, como parece; pois Lao-tzu conta como 0.

(7) A lenda de  Cristo  é apenas uma corrupção e perversão de outras lendas. Especialmente de Dionísio: compare a narrativa de Cristo antes de Herode/Pilatos nos Evangelhos, e de Dionísio antes de Pentheus nas Bacantes.

(8) O, a última letra de Perdurabo, é Nada.


8

KEFALH H

INFUSÃO DE CRINA DE CAVALO

A Mente é uma enfermidade do sêmen.

Tudo o que um homem é, ou pode ser, está ali escondido.

Funções corporais são partes da máquina; silentes, a não ser

   em enfermidade.

Mas a mente, nunca em descanso, range  Eu . Este Eu não persiste,

   não dura através das gerações; muda momentaneamente e no fim é morto.

Por conseguinte, um homem só é ele mesmo quando se perde de si próprio

   no andar da Carruagem.


COMENTÁRIO (H)

   Chet é A Carruagem no Tarô. O que dirige a Carruagem é o portador do Santo Graal. Tudo isto deverá ser estudado em  Liber 418, 12º Aethyr.

   O capítulo é chamado  Infusão de Crina de Cavalo  por causa da tradição medieval que diz que embebendo a crina do cavalo numa infusão produzir-se-ia uma serpente, e a serpente é uma representação hieroglífica do sêmen, particularmente em emblemas gnósticos e egípcios.

   O significado do capítulo é completamente claro; a total consciência racial, que é onipotente, onisciente, onipresente, está ali escondida..

   Logo, a não ser no caso de um Adepto, o homem só ascende a um vislumbre de consciência universal enquanto, no orgasmo, a mente é eliminada.


9

KEFALH  Q

BRANKS

Ser é o Nome; Forma é o adjetivo.

Matéria é o nome; Movimento é o Verbo.

Por que então o ser se vestiu com a Forma?

Por que então a Matéria se manifestou em Movimento?

Não respondas, Oh silencioso! Pois LÁ não há  “por que  ou  porquê” .

O nome DAQUILO não é conhecido, o Pronome o interpreta, quer

   dizer, mal interpreta.

Tempo e espaço são Advérbios.

Dualidade gera a Conjunção.

O Condicional é Pai da Preposição.

O artigo marca também Divisão; mas a Interjeição é o som que

   termina em Silêncio.

Destrói, portanto, as Oito Partes da Fala; a Nona está próxima

   da verdade.

Esta deve ser também destruída, antes de tu entrares n’O Silêncio.

Aum.


COMENTÁRIO (Q)

   Theth é o arcano A Força do Tarô, no qual uma mulher fechando a boca de um leão é retratada.

   O capítulo é chamado  Branks , um símbolo ainda mais poderoso, pois ele é o aparato escocês - e o único conhecido - para fechar a boca de uma mulher.

   O capítulo é um ataque formal sobre as partes do discurso; a interjeição, expessão sem sentido de êxtase, sendo a única coisa de valor dita; porém mesmo isso deve ser visto como um lapso.

    Aum  representa a entrada no silêncio, como será observado ao pronunciá-lo.


10

KEFALH  I

PALHA DE TRANÇAR

O Abismo das Alucinações tem Lei e Razão; mas em verdade

   não há laço entre os Brinquedos dos Deuses.

Essa Razão e Lei é o Laço da Grande Mentira. Verdade! Verdade!

   Verdade! Clamou o Senhor do Abismo das Alucinações.

Não há Silêncio em tal Abismo: pois tudo o que os homens chamam Silêncio

   é Sua Fala.

Este Abismo é também chamado  “Inferno”  e  “Os Muitos”.

Seu nome entre os homens é “Consciência”  e “O Universo”.

Mas AQUELE que não é silencioso nem fala, ali regozija.


COMENTÁRIO (I)

   Não há conexão aparente entre o número deste capítulo e seu assunto.

   De qualquer forma, refere-se à chave do Tarô chamada O Eremita, o qual é representado encoberto.

   Jod é o Phallus ocultado, como oposto a Tau, o Phallus estendido. Este capítulo deve ser estudado à luz do que é dito em  Aha!  e no  Templo do Rei Salomão,  sobre a razão.

   O Universo é insano, a lei de causa e efeito é uma ilusão, ou assim parece no Abismo, o qual é até este ponto identificado com a consciência, os muitos, e ambos; mas nisto está uma unidade secreta  que regozija; estando tal unidade além de qualquer concepção.


11

KEFALH IA

O PIRILAMPO

Concernente ao Sagrado Três-em-Nada.

Nuit, Hadit, Ra-Hoor-Khuit, devem ser compreendidos apenas

   pelo Mestre do Templo.

Eles estão acima d’O Abismo, e contêm todas as contradições neles

   mesmos.

Abaixo deles está uma aparente dualidade de Chaos e Babalon; estes

   são chamados Pai e Mãe, mas não é assim. Eles são chamados Irmão e

   Irmã, mas não é assim. Eles são chamados Marido e Mulher, mas não é

   assim.

O reflexo de Tudo é Pan: a Noite de Pan é a aniquilação do Tudo.

Abatida através d’O Abismo é a Luz, a Rosa Cruz, o êxtase da União

   que destrói, que é o Caminho. A Rosa Cruz é a embaixadora de Pan.

Quão infinita é a distância Disso para Aquilo! Ainda que tudo seja Aqui

   e Agora. Ali não há qualquer Lá ou Então; pois tudo o que é, o que é senão

   uma manifestação, isto é, uma parte, isto é, uma mentira, d’AQUILO que

   não é?

Porém AQUILO que não é nem é não é Aquilo que é.

Identidade é perfeita; portanto a Lei da Identidade é só uma

   mentira. Posto que não há sujeito e não há predicado; nem há o contraditório de qualquer

    destas coisas.

Sagradas, Sagradas, Sagradas são estas Verdades que eu digo, sabendo

   não serem nada senão mentiras, espelhos quebrados, águas turbulentas;

   esconde-me, Oh Nossa Senhora, em teu útero! pois eu não posso suportar o enlevo.

Neste pronunciamento de falsidade sobre falsidade, cujas contradições

   também são falsas, parece que Aquilo que eu não pronunciei é verdade.

Abençoada, indizivelmente abençoada, é esta  última ilusão; deixa-me brincar

   com os homens, e afasta-os de mim! Amén.


COMENTÁRIO ( IA )

    O Pirilampo  talvez possa ser traduzido como “uma luz na escuridão”, embora talvez haja uma sutil referência à natureza dessa luz.

   Onze é o grande número da Magick, e este capítulo indica um método supremo de magia; mas é na verdade chamado Onze, por causa de  Liber Legis , I, 60.

   A primeira parte do capítulo descreve o universo em seu mais elevado sentido, descendendo a Tiphareth; tal é a nova e perfeita cosmogonia de  Liber Legis .

   Chaos e Babalon são Chokmah e Binah, mas, na verdade são, apenas um; a unidade essencial da Tríade Supernal é ressaltada insistentemente.

   Pan é um nome genérico, incluindo esse sistema inteiro em seu lado manifesto. Diz-se, portanto, que aqueles que estão acima do Abismo vivem na Noite de Pan; eles são alcançados somente  pela aniquilação do Todo.

   Assim, o Mestre do Templo vive na Noite de Pan.

   Agora, abaixo do Abismo, a parte manifestada do Mestre do Templo também alcança Samadhi, como o caminho da Aniquilação.

   O parágrafo 7 começa pela reflexão produzida pela exposição precedente. Esta reflexão é imediatamente contraditada, sendo o autor um Mestre do Templo. Ele, logo após, entra em Samadhi, e empilha contradição sobre contradição, e conseqüentemente um degrau mais elevado de êxtase com cada sentença, até que seu arsenal seja exaurido; e, com a palavra Amén, ele entra no estado supremo.


12

KEFALH  IB

AS LIBÉLULAS

IO é o clamor do mais baixo, como OI é do mais alto.

Em algarismos, eles são 1001 (9); em letras, eles são Prazer (10).

Pois quando tudo está equilibrado, quando tudo é contemplado

 de  fora de tudo, há prazer, prazer; prazer que não é senão uma faceta de

   um diamante, cada outra faceta sendo mais prazeirosa que o próprio prazer.


COMENTÁRIO (IB)

   As libélulas foram escolhidas como símbolos do prazer, devido à observação do autor como naturalista.

   O parágrafo 1 meramente repete o capítulo 4 em quintessência; 1001, sendo 11S (1-13), é um símbolo da unidade completa manifestada como os muitos, pois S (1- 13) dá toda a rota de números da simples unidade de 1 à complexa unidade de 13, impregnada pelo mágico 11.

   Eu adicionaria um comentário mais extenso sobre o número 91. 13 (1 mais 3) é uma forma elevada de 4. 4 é Amoun, o Deus da geração, e 13 é 1, a unidade Fálica. Daleth é a Yoni. E 91 é AMN (Amén), uma forma do Phallus completada pela intervenção da Yoni. Isso se conecta novamente com IO e OI no parágrafo 1; e, é claro, IO é o clamor de êxtase dos gregos.

   O capítulo todo é, novamente, um comento sobre  Liber Legis , 1, 28-30.

observações:

(9) 1001 = 11 S (1 - 13). As Pétalas do Sahasraracackkra.

(10) Em Inglês: JOY = 101, o Ovo do Espírito em equilíbrio entre os Pilares do Templo.


13

KEFALH  IG

PAPO DE PEREGRINO

Oh, tu, que partes sobre O Caminho, falso é o Fantasma que tu buscas.

Quando tu o tiveres, tu conhecerás toda a amargura, teus dentes cravados na Maçã-Sodoma.

Assim tu tens sido atraído ao longo d’O Caminho, cujo terror, porém, compeliu-te longe.

Oh tu, que progrides sobre o meio d’O Caminho, nenhum fantasma zombará de ti.

 Pelo amor ao progresso, tu progrides.

Assim tu és atraído ao longo d’O Caminho, cuja fascinação, porém, compeliu-te longe.

Oh, tu, que corres rumo ao Fim do Caminho, esforço não existe mais.

 Mais e mais rápido, tu cais; tua fadiga é transformada no Descanso Inefável.

Pois não há Tu sobre este Caminho: tu te transformaste n’O Caminho.


COMENTÁRIO (IG)

Este capítulo é perfeitamente claro para qualquer um que tenha estudado a carreira de um Adepto.

A Maçã-Sodoma é um fruto não comestível encontrado no deserto.


14

KEFALH  ID

DESCASCAR CEBOLAS

O Universo é a Piada Prática do Geral à Custa do Particular,

   declarou FRATER PERDURABO, e riu.

Mas aqueles discípulos mais próximos a ele choraram, vendo a Tristeza

   Universal.

Aqueles perto deles riram, enxergando a Piada Universal.

Abaixo destes, determinados discípulos choraram.

Então alguns riram.

Outros próximos choraram.

Outros próximos riram.

Próximos outros choraram.

Próximos outros riram.

Por último vieram aqueles que choraram porque não conseguiram

   enxergar a Piada, e aqueles que riram para que não se pensasse que eles não conseguiram

  enxergar a Piada, e acharam que seria seguro agir como FRATER PERDURABO.

Mas, apesar de FRATER PERDURABO ter rido abertamente, também Ele ao

   mesmo tempo chorou secretamente; e n’Ele Próprio não riu nem chorou.

Nem quis dizer o que Ele disse.


COMENTÁRIO ( ID )

   O título,  Descascar Cebolas , refere-se ao conhecido incidente em  Peer Gynt .

   O capítulo assemelha-se fortemente à narrativa de Dupin de como era capaz de ganhar no jogo de par ou ímpar. (Veja o conto de Poe,  A Carta Roubada .) Mas este é um trecho mais sério de Picologia. No avanço rumo à compreensão do Universo, pode-se mudar radicalmente seu ponto-de-vista; quase sempre isto equivale a uma reversão.

   Esta é a causa de muitas controvérsias religiosas. O parágrafo 1, de qualquer forma, é a formulação de Frater Perdurabo sobre sua percepção da Piada Universal, também descrita no capítulo 34. Toda existência individual é trágica. A percepção deste fato é a essência da comédia.  A Família dos Deuses  é uma tentativa de escrever comédia pura.  As Bacantes , de Eurípede, é outra.

   No final do capítulo, é visto que para o Mestre do Templo as percepções opostas ocorrem simultaneamente, e que ele mesmo está além delas.

   No último parágrafo, é mostrado que ele compreende a verdade além de qualquer afirmação da mesma.


15

KEFALH  IE

O CANO DO REVÓLVER

Poderosa e ereta é esta Vontade minha, esta Pirâmide de fogo, cujo

   ápice está perdido no Paraíso. Sobre isto queimei o cadáver de

   meus desejos.

Poderoso e ereto é este Falloz  de minha Vontade. A semente dele é

   Aquilo que tenho carregado dentro de mim pela Eternidade; e ela está

   perdida no Corpo de Nossa Senhora das Estrelas.

Eu não sou eu; eu nada sou senão um tubo oco para trazer Fogo do

   Paraíso.

Poderosa e maravilhosa é esta Fragilidade, este Paraíso que me arrasta

   para dentro do Ventre Dela, esta Cúpula que Me esconde, Me absorve.

Esta é A Noite na qual eu estou perdido; o Amor através do qual eu não sou mais eu.


COMENTÁRIO (IE)

   A carta 15 no Tarô é  O Demônio , uma fachada medieval para Pan.

   O título deste capítulo refere-se ao Phallus, o qual é aqui identificado com a vontade. A palavra grega  Puramis   tem o mesmo número de Falloz .

   Este capítulo é bem claro, mas pode-se remarcar no último parágrafo uma referência à natureza de Samadhi.

   Assim como o homem perde sua personalidade no amor físico, o magista o faz aniquilando sua divina personalidade naquilo que está além.

   A fórmula de Samadhi é a mesma, do mais alto ao mais baixo. A Rosa-Cruz é a Chave Universal. Mas, conforme se prossegue, a Cruz torna-se maior, até ser o Ás; a Rosa, até ser a Palavra.


16

KEFALH IS

O ESCARAVELHO

Morte implica em mudança e individualidade; se tu fores

   AQUELE que não tem personalidade, que está além da

   mudança e mesmo além da imutabilidade, o que tu tens

  a ver com a morte?

O nascimento da individualidade é êxtase; assim também

   é sua morte.

No amor, a individualidade é morte; quem não ama o

   amor?

Ama a morte, pois; e deseja por isto avidamente.

Morre Diariamente.


COMENTÁRIO (IS )

   Este parece um comento sobre o capítulo anterior; o Escaravelho é uma referência a Kheph-ra, o Deus Egípcio da Meia-Noite, que carrega o Sol através do Submundo; mas é chamado Escaravelho para enfatizar seus cornos. Cornos são um hieróglifo universal de energia, particularmente de energia Fálica.

   A 16a chave do Tarô é  A Torre . Neste capítulo, a morte é considerada como uma forma de casamento. Camponeses gregos, em muitos casos, aderem à crença pagã, supondo que na morte estarão reunidos à Deidade a qual cultivaram durante a vida. Isso é  "uma consumação a ser devotadamente desejada"  (Shakespeare).

   No último parágrafo, o Mestre persuade seus pupilos a praticarem Samadhi todos os dias.


17

KEFALH  IZ

O CISNE

Há um cisne, cujo nome é Êxtase; ele voa desde os Desertos

   do Norte; ele voa através do azul; ele voa sobre os campos de

   arroz; à sua vinda, o verde resplandece...

Em todo o Universo, esse Cisne sozinho é imóvel: parece mover-se,

   como o Sol parece mover-se; tal é a debilidade de nossa visão.

Oh, tolo! tu choras?

Amén. Movimento é relativo: Nada há que seja imóvel.

Contra este Cisne, eu atirei uma flecha; o peito branco derramou

   sangue. Os homens me bateram; então, percebendo que eu

   era apenas um Mero Maluco, deixaram-me passar.

Assim, e não de outra forma, eu cheguei ao Templo do Graal.


COMENTÁRIO (IZ)

   O Cisne é Aum. O capítulo é inspirado nas lembranças de Frater Perdurabo sobre os cisnes selvagens que matou em Tali-Fu.

   Nos parágrafos 3 e 4 reconhece-se que mesmo Aum é impermanente. Não há sentido na palavra estabilidade, enquanto existir movimento.

   Num universo sem fronteira, pode-se sempre tomar qualquer ponto, por móvel que seja, e postulá-lo como um ponto parado, calculando os movimentos de todos os outros pontos relativos a ele.

   O penúltimo parágrafo mostra as relações do Adepto para com os seres humanos. O ódio e o desprezo destes são degraus necessários para que se adquira soberania sobre eles.

   A história do Evangelho e de Parsifal virão à mente.

OBS.:

(11)      Esse capítulo deve ser lido em conexão com  Parsifal , de Wagner.


18

KEFALH  IH

GOTAS DE ORVALHO

Na verdade, amor é morte, e morte é vida por vir.

O Homem não retorna; a correnteza não flui montanha acima;

   a velha vida não existe mais; há uma nova vida que não é sua.

Porém, aquela vida é de sua essência verdadeira; é mais Ele que

   tudo aquilo que ele chama Ele.

No silêncio de uma gota de orvalho, está toda a tendência de sua alma,

   e de sua mente, e de seu corpo; é sua Quintessência e o Elixir de seu

   ser. Ali estão as forças que o fizeram, e ao seu pai, e ao pai

   de seu pai antes dele.

Este é o Orvalho da Imortalidade.

Deixa-o seguir livre, tal como Ele Quer; tu não és seu mestre, mas Seu

  veículo.


COMENTÁRIO (IH)

    A décima oitava chave do Tarô refere-se à Lua, a qual supunha-se gotejar orvalho. A apropriação do título deste capítulo é óbvia.

    Este capítulo deve ser lido em conexão com os capítulos 1 e 16.

    No penúltimo parágrafo, Vindu é identificado com  Amrita, e no último parágrafo ordena-se ao discípulo que o permita ter seu próprio caminho. Ele tem vontade própria, a qual está mais de acordo com a Vontade Cósmica do que a do homem, que é seu guardião e servo.


19

KEFALH  IQ

O LEOPARDO E O CERVO

As pintas do leopardo são a luz solar na clareira; persegue o cervo

   na calada, ao teu prazer.

O malhado do cervo é a luz solar na clareira; escondido do leopardo,

   tu te alimentas ao teu prazer.

Parece-te com tudo o que te cerca; porém sê Tu Mesmo - e toma teu

   prazer entre os vivos.

Isto é o que está escrito - Espreitai! - no Livro da Lei.


COMENTÁRIO ( IQ)

   19 é o último Trunfo,  O Sol , o qual é o representante de Deus no Macrocosmos, como o Phallus o é no Microcosmos.

   Há uma certa adaptabilidade e universalidade entre seus poderes secretos. O capítulo é baseado em Rudyard Kipling.

   O Mestre exige de seus discípulos um certo ato secreto sagrado; um ocultamento do real propósito de suas vidas; deste modo, fazendo o melhor dos dois mundos. Isto torna recomendável um curso de ação dificilmente distinguível da hipocrisia, mas a distinção é óbvia para qualquer bom pensador; apesar de nem tanto para Frater P.


20

KEFALH  K

SANSÃO

O Universo está em equilíbrio; portanto, Aquele que está de fora, ainda que

   sua força seja apenas a de uma pluma, pode revirar o Universo.

Não sejas pego nessa teia, Oh criança da Liberdade!

   Não te emaranhes na mentira universal, Oh criança da Verdade!


COMENTÁRIO (K)

   Diz a lenda que Sansão, o Hércules hebreu, demoliu as paredes de um salão onde estava engaiolado,  para zombar dos Filisteus, destruindo-os e a si próprio. Milton encontrou um poema nessa fábula.

   O primeiro parágrafo é o corolário da Primeira Lei do Movimento, de Newton. A chave para o poder infinito é alcançar o Além Inascido.


21

KEFALH  KA

O EMARANHADOR CEGO

Não é necessário entender; basta adorar.

O deus pode ser de barro: adora-o; ele vira DEUS.

Nós ignoramos o que nos criou; nós adoramos aquilo que

   nós criamos. Criemos nada menos que DEUS!

Aquele que nos faz criar é nosso verdadeiro

   pai e mãe; nós criamos à nossa própria imagem, que é a deles.

Criemos, portanto, sem medo; pois não podemos criar nada

   que não seja DEUS.


COMENTÁRIO (KA)

   A 21a. chave do Tarô é chamada  O Universo  e refere-se à letra Tau, o Phallus em manifestação; daí o título: O Tecelão Cego.

   Concluiríamos que o Universo é concebido, numa mão, como o fazem os Budista; noutra, como os Racionalistas; isto é fatal e desprovido de inteligência. Mesmo assim, talvez cause deleite ao criador.

   A moral deste capítulo, é, portanto, uma exposição do último parágrafo do capítulo 18.

   Ele é o espírito crítico, que é o Diabo, e dá origem ao surgimento do mal.


22

KEFALH KB

O DÉSPOTA

Os garçons dos melhores restaurantes zombam de todo mundo; estimam cada

   cliente através de seu próprio valor.

Isto eu bem sei, pois eles sempre me tratam com profundo respeito. Dessa

   forma encorajaram-me a elogiá-los publicamente.

Mas isso é verdade; e eles têm este discernimento por servirem e porque não

   podem ter interesse pessoal nas questões daqueles a quem servem.

Um monarca absoluto poderia ser absolutamente sábio e bom.

Mas nenhum homem é forte o suficiente para não ter interesse. Portanto,

   o melhor rei poderia ser o Puro Acaso.

É Puro Acaso quem rege o Universo; portanto, e apenas portanto, a vida

   é boa.


COMENTÁRIO (KB)

   Comentários apenas desfigurariam a suprema simplicidade deste capítulo.


23

KEFALH  KG

DAR O FORA

Qual homem descansa em sua hospedaria?

CAI FORA.

Vasto e frio é o mundo.

CAI FORA.

Tu te tornastes um in-iciado.

CAI FORA.

Mas tu não consegues sair pelo caminho que entraste.

   O Caminho de a saída é O CAMINHO.

Cai fora.

Pois FORA é Amor e Sabedoria e Poder. (12)

CAI FORA.

Se tu já tiveste T; primeiro alcança UT. (13)

Então alcança O.

Então por fim cai FORA (OUT).


COMENTÁRIO ( KG )

   Tanto  23  quanto  cair fora  são termos para sair. Este capítulo descreve a Grande Obra sob a forma de um homem livrando-se de todas as suas contingências.

   Ele primeiramente abandona a vida de conforto; depois, o mundo por completo; e, no fim, mesmo os iniciados.

   No quarto parágrafo expõe-se que não há retorno para aquele que iniciou sua jornada.

  A palavra OUT (FORA em Inglês) é então analisada e tratada como um nome.

   Além da explicação na nota de observação, O é a Yoni; T, o Lingam; e U, o Hierofante, a 5ª carta do Tarô, o Pentagrama. É, então, praticamente idêntico a IAO.

   O resto do capítulo aclara-se com as observações.

OBS.:

 (12)O =   g,  O Demônio do Sabbath . U = 8, o Hierofante ou Redentor. T = Força, o Leão.

(13) T, masculinidade, o signo da Cruz ou Phallus. UT, o Sagrado Anjo Guardião; UT, a primeira sílaba de Udgita; ver os Upanishads. O, Nada ou Nuit.

(Nota do Trad.: Refere-se a OUT, inglês para FORA).


24

KEFALH  KD

O FALCÃO E A COBRA-DE-VIDRO

Este livro traduziria Além-da-Razão nas palavras da Razão.

Explica tu a neve para os atóis.

Os escravos da razão chamam este livro de Abuso-de-Linguagem:

   eles estão certos.

A Linguagem foi feita por homens para comer e beber, fazer amor,

   permutar, morrer. A riqueza da linguagem está em suas Abstrações;

   as mais pobres dentre as línguas são ricas em idéias concretas.

Por isso os Adeptos têm exaltado o silêncio; este ao menos não

   desencaminha, como faz a fala.

Também, Fala é um sintoma de Pensamento.

Mas o silêncio é apenas o lado negativo da Verdade; o lado positivo

   está mesmo além do silêncio.

Não obstante, Um Deus Verdadeiro clamou hriliu! E a risada do Estertor é semelhante.


COMENTÁRIO (KD)

   O Falcão é o símbolo da Visão; a Cobra-Cega, da cegueira. Os que estão sob o domínio da razão são chamados cegos.

   No último parágrafo, é reafirmada a doutrina dos capítulos 1, 8, 16 e 18.

   Para o significado de hriliu, consulte  Liber 418 .


25

KEFALH  KE

O RUBI ESTRELA

Encarando o Leste, no centro, inspira fundo, fundo, fundo;

  fechando tua  boca com teu dedo indicador direito pressionado contra teu lábio

   inferior. Então, lançando abaixo a mão com uma grande varredura

   para trás e para fora, expelindo violentamente teu ar, grita  APO PANTOS KAKODAIMONOS

Com o mesmo indicador, toca tua testa, e dize SOI ; teu membro, e dize

W FALLE (14); teu ombro direito, e dize  ISCUROS; teu ombro esquerdo, e

   dize EUCARISTOS; então fecha tuas mãos, entrelaçando os dedos, e grita IAW.

 Avança para o Leste. Imagina fortemente um Pentagrama, diretamente

   em tua testa. Levando as mãos aos olhos, lança-as adiante,

 fazendo o sinal de Hórus, e ruge CAOS. Retira tuas mãos no sinal

  de Hoor-pa-kraat.

Volta-te para o Norte e repete; mas grita  BABALON.

Volta-te para o Oeste e repete; mas dize EROS.

Volta-te para o Sul e repete; mas berra YUCE.

Completando o círculo, recua para o centro e eleva tua voz em homenagem, com

   as palavras  IO PAN e com os sinais de N.O.X.

Estende os braços na forma de um Tau, e dize baixo, mas claro: PRO MOU IUGEC OPICW MOU TELETARCAI EPI DEXIA SUNOCES EPARISTERA DAIMONES FLEGEI GAR PERI MOU O ASTHR TWN  PENTE  KAI EN  THI  STHLHI  O  ASTHR  TWN  EX  ESTHKE.

Repete a Cruz Cabalística, como acima, e termina como começaste.


COMENTÁRIO (KE)

     25 é o quadrado de 5, e o Pentagrama tem a cor vermelha de Geburah.

     O capítulo é uma nova versão, mais elaborada, do Ritual de Banimento do Pentagrama.

     Seria impróprio comentar mais sobre um ritual oficial da A .‘. A .’.

OBS.:

(14) O sentido secreto destas palavras é revelado na numeração de cada uma.


26

KEFALH  KF

O ELEFANTE E O CÁGADO

O Absoluto e o Condicionado juntos formam O Um Absoluto.

O Segundo, que é o Quarto, o Demiurgo, que todas as nações dos

   Homens chamam O Primeiro, é mentira enxertada em mentira,

   mentira multiplicada por mentira.

Quádruplo é Ele, o Elefante, sobre quem o Universo está equilibrado: mas

   a carapaça do Cágado sustenta e cobre tudo.

Este Cágado é sêxtuplo, o Sagrado Hexagrama. (15)

Estes seis e quatro são dez, 10, o Um manifestado que retorna ao Nada

   imanifesto.

O Todo-Poderoso, o Todo-Soberano, o Todo-Conhecedor, O Pai-de-Todos,

   adorado por todos os homens e por mim abominado; sê tu maldito, sê tu abolido, sê tu aniquilado. Amén!


COMENTÁRIO (KF)

   O título do capítulo refere-se à lenda Hindu.

   O primeiro parágrafo deveria ser lido em conexão com nossas observações prévias sobre o número 91.

   O número do capítulo, 26, é o do Tetragrammaton, o criador manifestado, Jeovah.

   Ele é chamado O Segundo em relação àquele que está acima do Abismo, compreendido sob o título de Primeiro.

   Mas os vulgares não concebem nada além do criador, e portanto o chamam O Primeiro.

   Ele é realmente o Quarto, estando em Chesed, e é claro que sua natureza é quádrupla. Este Quatro é concebido como a Díade multiplicada pela Díade, falsidade confirmando falsidade.

   O parágrafo 3 introduz uma nova concepção: a do quadrado com o hexagrama, o universo encerrado na lei do Lingam-Yoni.

   O penúltimo parágrafo mostra a redenção do universo através desta lei.

   A figura do 10, como a palavra IO, de novo sugere o Lingam-Yoni, junto da exclamação dada no texto. O último parágrafo amaldiçoa o universo assim não redimido.

   As onze letras A iniciais na última frase são Pentagramas Mágickos, enfatizando esta maldição.*

OBS.:


(1) O Cágado tem 6 membros em ângulos de 60o.

   *(No original: “The All-Mighty, the All-Ruler, the All-Knower, the All-Father, Adored by All men And by me Abhorred, be thou Accursed, be thou Abolished, be thou Annihilated, Amen!)


27

KEFALH  KZ

O FEITICEIRO

Um Feiticeiro, pelo poder de sua magick, tem submetido todas as coisas

   a si.

Ele viajaria? Ele poderia voar através do espaço mais rapidamente que

   as estrelas.

Ele Comeria, beberia, e tomaria seu prazer? Ninguém havia que

   não obedecesse instantaneamente ao seu comando.

Em todo o sistema de dez milhões vezes dez milhões de esferas, sobre

   os vinte e dois milhões de planos, ele obteve seu desejo.

E, com tudo isso, ele era apenas ele mesmo.

Ai!


COMENTÁRIO (KZ)

   Este capítulo dá o reverso da medalha; é o contraste ao capítulo 15.

   O Feiticeiro deve ser identificado com O Irmão do Caminho da Mão Esquerda.


28

KEFALH  KH

A ESTRELA POLAR

Amor é todo virtude, posto que o prazer do amor é só amor, e a dor do

   amor é só amor.

O amor não faz caso do que não é, nem do que é.

A ausência exalta o amor, e a presença exalta o amor.

O amor sempre se move de cume a cume de êxtase e nunca falha.

As asas do amor não caem com o tempo nem se afrouxam pela vida ou pela morte.

O amor destrói o eu, unindo eu e não-eu; então esse Amor gera Todos e

   Nenhum em Um.

Não é assim?... Não?...

Então tu não estás perdido em amor; não fales de amor.

Love Always Yieldeth: Love Always Hardeneth.

(O Amor Sempre Frutifica; o Amor Sempre Fortalece)

. . . . . . . . . Talvez: pois eu escrevi isto apenas para escrever o nome Dela.


COMENTÁRIO (KH)

   Introduz-se agora a marca principal deste livro, Laylah, que é o símbolo feminino final, que deve ser interpretado em todos os planos.

   Mas, neste capítulo, é dada uma pequena pista de algo além do amor físico. É a chamado Estrela Polar, pois Laylah é um objeto de devoção ao qual o autor sempre retorna. Observe a apresentação nome da Bem-Amada em acróstico na linha 15.


29

KEFALH KQ

O CRUZEIRO DO SUL

Amor, eu te amo! Noite, noite, cobre-nos! Tu és noite, Oh meu amor;

   e não há estrelas além de teus olhos.

Noite escura, noite doce, tão quente e tão fresca, tão cheirosa e tão

  sagrada, cobre-me, cobre-me!

Deixa-me não mais ser! Deixa-me ser Teu; deixa-me ser Tu; deixa-me ser nem Tu nem Eu; deixa haver amor na noite e noite no amor.

N.O.X. é a Noite de Pan; e Laylah, a noite diante do Seu altar.


COMENTÁRIO (KQ)

   Este capítulo é a continuação do anterior.

   Note que a palavra Laylah é o árabe para “Noite”.

   O autor começa a identificar a Bem-Amada com N.O.X., a quem referimo-nos antes.

   O capítulo é chamado “O Cruzeiro do Sul” porque, no plano físico, Laylah é uma australiana.


30

KEFALH  L

JOÃO-SONHADOR

Sonhos são imperfeições do sono; mesmo assim, é a consciência a

   imperfeição do acordar.

Sonhos são impurezas na circulação do sangue; mesmo assim, é a

  consciência uma desordem da vida.

Sonhos não têm proporção, nem bom senso, nem verdade; assim

   também é a consciência.

Acordado do sonho, a verdade é conhecida; (16) acordado do acordar,

   a Verdade é - O Desconhecido.


COMENTÁRIO (L)

   Este capítulo deve ser lido em conexão com o capítulo 8, e também com aqueles capítulos onde a razão é atacada.

   A alusão ao título é óbvia.

   Isso reduz-se em proporção: sonho: acordar:  :acordar:

   Samadhi é a analogia favorita de Frater P., que freqüentemente emprega-o em seu sagrado discurso.

OBS.: (16) Isto é, a verdade de que ele dormiu.


31

KEFALH  LA

O GARROTE

ELE se move da ação ao repouso, e descansa do descanso em ação. Estes

   ELE sempre faz, pois tempo não há. De modo que ELE não faz nenhuma

   destas coisas. ELE faz AQUELA única coisa que nós devemos expressar por duas coisas, nenhuma das quais possuindo qualquer significado racional.

Apesar de SUA atitude, a qual é não-agir, ser simples ainda que complexa,

   não é ela isenta nem necessária.

Pois todas estas idéias expressam Relação: e ELE, compreendendo toda

   Relação em SUA simplicidade, está fora de toda Relação mesmo

   CONSIGO.

Isto tudo é verdade e mentira; e é verdade e mentira dizer que isso é

  verdade e mentira.

Estimula vigorosamente tua Inteligência, Oh homem, Oh valioso, Oh

   escolhido DELE, para aprender o discurso DO MESTRE; pois assim

   tua razão quebrar-se-á por fim, como uma corrente arrancada da

   garganta de um escravo.


COMENTÁRIO (LA)

   O número 31 refere-se à palavra hebraica LA, a qual significa “não”.

   Um novo sinal cabalístico é agora introduzido sob o título IT (Nota Trad.: todos os ELE neste capítulo foram traduzidos de IT, significando um ser transcendente a gênero. Desta forma, este ELE não remete necessariamente ao sexo masculino), I sendo o Phallus secreto, e T sendo o manifestado.

   Mas este é apenas um aspecto DELE (IT), o qual talvez possa ser definido como a Realidade Final.

   ELE (IT) aparentemente é algo mais exaltado que AQUELA.

   Este capítulo deve ser comparado ao capítulo 11; tal método de destruição da razão através da formulação de contradições está definitivamente divulgado.

  A razão está situada em Daath, a qual corresponde à garganta na anatomia humana. Daí o título do capítulo, “O Garrote”.

   A idéia é que, forçando sua mente a seguir e, tanto quanto possível, realizar a linguagem do Além-Abismo, o estudante então terá sua razão sob controle.

  Assim que a razão é subjugada, o garrote é removido; então as influências das supernais (Kether, Chokmah, Binah), não mais inibidas por Daath, podem descer sobre Tiphareth, onde a vontade humana está situada, inundando-a com sua inefável luz.


32

KEFALH LB

O MONTANHISTA

Consciência é sintoma de doença.

Tudo que se move bem, se move sem vontade.

Toda habilidade, todo esforço, toda intenção é contrária à naturalidade.

Pratica mil vezes, e isto se torna difícil; mil vezes mil, e isto se torna fácil; mil vezes mil vezes mil vezes mil, e não é mais Tu que o fazes, mas sim Ele que o faz através de ti. Até então, aquilo que é feito não será bem feito.

Assim falou FRATER PERDURABO enquanto pulava a pedra da morena*

   sem jamais pousar os olhos sobre o chão.


COMENTÁRIO (LB)

   Este título é uma mera referência à metáfora do último parágrafo do capítulo.

   Frater P., como se sabe, é um montanhista.

   Este capítulo deve ser lido em conjunção com os capítulos 8 e 30.

   É uma instrução prática, o ponto genérico desta sendo de fácil aprendizado em uma comparativamente curta prática de Mantra-Yoga.

   Um mantra não é apropriadamente dito enquanto o homem sabe que o está dizendo. O mesmo se aplica a todas as outras formas de Mágicka.

*(Nota trad.: (geol.) Acervo de pedras que as geleiras, quando descem, acumulam no ponto onde se fundem)


33

KEFALH LG

BAPHOMET

Uma águia negra de duas cabeças é DEUS; mesmo um Triângulo Negro

   é Ele. Em suas garras Ele traz uma espada; sim, uma espada afiada é alí

  carregada.

Esta Águia é queimada no Grande Fogo; ainda assim, nem uma pena é

   chamuscada. Esta Águia é engolida no Grande Mar; ainda assim, nem

   uma pena é molhada. Assim Ele voa no ar, e ilumina a terra ao Seu

   prazer.

Assim disse IACOBUS BURGUNDUS MOLENSIS (17) o Grande Mestre do

  Templo; e do DEUS  cuja cabeça é de Burro ele não ousou falar.


COMENTÁRIO (LG)

   33 é o número do Último Grau da Maçonaria, o qual foi conferido a Frater P. no ano de 1900 da era vulgar por Don Jesus de Medina-Sidonia, na Cidade do México.

   Baphomet é o misterioso nome do Deus dos Templários.

   A Águia descrita no parágrafo 1 é a dos Templários.

   Este símbolo maçônico é, de qualquer forma, identificado por Frater P. com um pássaro, o qual é o mestre dos quatro elementos e, por conseguinte, do nome Tetragrammaton.

   Jacobus Burgundus Molensis sofreu martírio na Cidade de Paris no ano de 1314 da era vulgar.

   Os segredos de sua ordem, entretanto, não foram perdidos, e ainda estão sendo transmitidos aos merecedores pelos seus sucessores, como é insinuado no último parágrafo, o qual implica em conhecimento de um culto secreto, do qual o Grande Mestre não falou.

   A Águia pode ser identificada, apesar de não muito proximamente, com o Falcão previamente dito.

   É talvez o Sol, objeto exotérico de adoração de todos os cultos sensíveis; não deve ser confundido com outros aviários que são também objetos místicos, como o cisne, a fênix, o pelicano, a pomba e assim por diante.

OBS.:


(1) Suas iniciais I.B.M. são iniciais dos Três Pilares do Templo, e somam 52, 13x4, BN, o Filho.


34

KEFALH  LD

O CÃO QUE FUMA 18

Cada ato do homem é a artimanha de uma lebre.

Amor e Morte são os galgos que o amaldiçoam.

Deus criou os cães de caça e divertiu-se no esporte.

Esta é a Comédia de Pan: o homem pensa que ele está caçando,

   enquanto aqueles cães o caçam.

Esta é a Tragédia do Homem: quando, ao encarar o Amor e a Morte, ele se vê cercado.

Ele não é mais lebre, mas javali.

Não há outras comédias ou tragédias.

Deixa, então, de ser o ridículo de Deus; em selvageria de amor e

   morte, vive tu e morre!

Assim Sua risada vibrará com Êxtase.


COMENTÁRIO (LD)

  O título é explicado na observação.

  O capítulo não requer explicação; é um ponto de vista definitivo sobre a vida, e recomenda-se um calculado curso de ação para roubar do criador o seu esporte cruel.

OBS.:


(18)      Este capitulo foi escrito para clarear cej-id, do qual é a origem. FRATER PERDURABO percebeu esta verdade, ou mais precisamente sua primeira metade, a comédia, no café da manhã no “Au Chien qui Fume”.


35

KEFALH  LE

VÊNUS DE MILO

A vida é tão feia e necessária quanto o corpo feminino.

A morte é tão bela e necessária quanto o corpo masculino.

A alma está além do masculino e do feminino, assim como está além da Vida e da Morte.

Mesmo o Lingam e a Yoni são apenas desenvolvimentos diferentes de Um Órgão;

 então são também Vida e Morte apenas duas fases de Um Estado.

 Assim também, o Absoluto e o Relativo são apenas formas DAQUELE.

O que eu amo? Não há forma, nem ser, a quem eu não me dê totalmente.

Toma-me, quem quiser!


COMENTÁRIO (LE)

   Este capítulo deve ser lido em conjunto com os capítulos 1, 3, 4, 8, 15, 16, 18, 24, 28, 29.

   A última frase do parágrafo 4 conecta-se com o primeiro parágrafo do capítulo 26.

   O título “Vênus de Milo” é um argumento de sustentação dos parágrafos 1 e 2; sendo óbvio, a partir dessa afirmação, que o corpo feminino torna-se belo o quanto mais se aproxima do masculino.

   O feminino deve ser considerado como tendo sido separado do masculino, para reproduzi-lo em uma forma superior, o absoluto; formando as condições o um absoluto.

  Nos dois últimos parágrafos há uma justificativa para a prática que poderia ser chamada de prostituição sagrada.

   Na prática comum de meditação, a idéia é rejeitar todas as impressões, mas eis aqui uma prática oposta, a qual é muito mais difícil, na qual todas as coisas são aceitas.

   Isto não pode ser feito a não ser que alguém seja capaz de realizar Dhyana ao menos em algo concebível ao ver de outrem; de outra forma, a prática seria apenas uma ordinária divagação mental.


36

KEFALH  LS

A SAFIRA ESTRELA

Esteja o Adepto armado com sua Vara Mágicka (e provido de sua

   Rosa Mística).

No centro, que faça os sinais de L.U.X., ou, os conhecendo, se

   quiser e se atrever a fazê-los, os sinais de N.O.X., sendo os sinais de Puer,

   Vir, Puella, Mulier. Omita o sinal de I.R.

Então, que ele avance para o Leste, e faça o Sagrado Hexagrama, e diga:

   PATER ET MATER UNOS DEUS ARARITA.

Que ele circunde até o Sul, faça o Sagrado Hexagrama e diga: MATER ET

   FILIUS UNUS DEUS ARARITA.

Que ele circunde até o Oeste, faça o Sagrado Hexagrama e, então, diga: FILIUS

   ET FILIA UNUS DEUS ARARITA.

Que ele circunde até o Norte, faça o Sagrado Hexagrama e, então, diga: FILIA ET PATER UNUS DEUS ARARITA.

Que ele, então, retorne ao Centro, e assim ao Centro de Tudo [fazendo a

   ROSA CRUZ como ele deve saber], dizendo; ARARITA ARARITA

   ARARITA.

Os sinais aí devem ser os de Set triunfante e de Baphomet. Também Set

   aparecerá no Círculo. Que ele beba do Sacramento e comungue do

   mesmo.]

Então que ele diga: OMNIA IN DUOS: DUO IN UNUM: UNUS IN NIHIL:

   HAEC NEC QUATUOR NEC OMNIA NEC DUO NEC UNUS NEC NIHIL

   SUNT.

GLORIA PATRI ET MATRI ET FILIO ET FILIAE ET SPIRITUI SANCTO

   EXTERNO ET SPIRITUI SANCTO INTERNO UT ERAT EST ERIT IN SAECULA SAECULORUM SEX IN UNO PER NOMEN SEPTEM IN UNO ARARITA.

Que ele, então, repita os sinais de L.U.X., mas não os sinais de N.O.X.:

   pois não é ele quem deverá erguer-se no Sinal de Ísis Regozijante.


COMENTÁRIO (LS)

   A Safira Estrela corresponde ao Rubi Estrela do capítulo 25; 36 sendo o quadrado de 6, como 25 é de 5.

   Este capítulo apresenta o verdadeiro e perfeito Ritual do Hexagrama.

   Seria impróprio comentar além disto sobre um ritual oficial da A\A\


37

KEFALH  LZ

DRAGÕES

Pensamento é a sombra do eclipse de Luna.

Samadhi é a sombra do eclipse do Sol.

A lua e a terra são o não-ego e o ego: o Sol é AQUELE.

Ambos os eclipses são escuridão; ambos são excedentemente raros; o

  Universo, em si mesmo, é Luz.


COMENTÁRIO (LZ)

No Oriente, supõe-se que os Dragões causam eclipses, devorando os luminares.

Talvez haja algum significado no número do capítulo, que é o de Jechidah, a mais alta unidade da alma.

Neste capítulo, dá-se a idéia de que toda limitação e todo mal são acidentes extremamente raros; não pode haver noite em todo o Sistema Solar, exceto em pontos raros, onde a sombra de um planeta é volvida por si próprio. É um sério infortúnio vivermos numa ínfima região do sistema, onde a escuridão alcança a casa dos 50 por cento.

O mesmo é válido para condições morais e espirituais.


38

KEFALH LH

PELE DE CORDEIRO

Cowan, dá o fora!

Tyle!

Jura abarcar tudo.

Este é o mistério.

Vida!

A mente é a traidora.

Mata a mente.

Que o cadáver da mente jaza, sem ser enterrado, na borda do Grande Mar!

Morte!

Este é o mistério.

Tyle!

Cowan, dá o fora!


COMENTÁRIO (LH)

   Este Capítulo será prontamente inteligível aos Maçons, e não pode ser explicado a outros.


39

KEFALH  LQ

O LOOBY*

Apenas loobies encontram excelência nestas palavras.

É de se pensar que A é não-A; reverter isso é apenas reverter ao

   normal.

Entretanto, forçando o cérebro a aceitar teoremas em que uma parte seja absurda

e a outra uma verdade, uma nova função cerebral é estabelecida.

O conteúdo desta nova consciência é vago e misterioso e todo indefinido;

  embora de alguma forma fundamental. Através do uso, torna-se

   luminoso.

Não-Razão torna-se Experiência.

Isso auxilia a alma de pé-de-chumbo em direção à experiência d’AQUELE

   do qual Razão é a blasfêmia.

Mas, sem essa Experiência, estas palavras são as Mentiras de um Looby.

Assim, um Looby para ti, e um Burro para mim, e um Rubi-Espinela

   para DEUS,  pode ser!


COMENTÁRIO (LQ)

   A palavra Looby é encontrada no folclore, e supõe-se que o autor, no momento de escrever este livro (o que fez quando estava longe de livros de referência), buscou significar parte “booby”, parte “lout” (*Nota Trad.: Daí a impossibilidade de traduzir o nome deste capítulo; sendo “booby” burro e “lout” estúpido, imbecil; “looby” seria uma conjunção destes dois termos). Poderia ser ainda similar a “Parsifal”.

   Os parágrafos 2-6 explanam o método que foi dado nos capítulos 11 e 31. Este método, de qualquer maneira, aparece ao longo do livro por diversas ocasiões, e mesmo no próprio capítulo é empregado nos últimos parágrafos.


40

KEFALH M

O HIMOG (19)

Uma rosa vermelha absorve todas as cores, menos o vermelho; vermelho,

   portanto, é a única cor que isto não é.

Esta Lei, Razão, Tempo, Espaço, toda Limitação, cega-nos à Verdade.

Tudo o que sabemos sobre o Homem, Natureza, Deus, é apenas aquilo que

  eles não são; é aquilo que eles rejeitam como repugnante.

O HIMOG é visível apenas na medida em que é Ele imperfeito.

Então, todos os que Não parecem gloriosos são gloriosos, tal como o HIMOG

  é Todo-Glorioso por dentro?

Talvez assim seja.

Como, então, distinguir o inglório e perfeito HIMOG do inglório homem

  da terra?

Não distingas!

Mas a ti mesmo Extingue: HIMOG és tu, e HIMOG tu serás.


COMENTÁRIO (M)

   O parágrafo 1 é, claramente, um fato científico conhecido.

   No parágrafo 2, sugere-se analogicamente que tudo em que se pode pensar são disfarces similares para a Realidade Inconcebível.

   Classificando assim todas as coisas como ilusões, a pergunta surge quanto à distinção entre ilusões; como poderemos dizer se um HIMOG o é realmente, se podemos ver nele apenas suas imperfeições? “pode ser que aquele mendigo seja um Rei.”

   Mas estas considerações não devem causar problemas à mente do Chela; é melhor deixá-lo ocupar-se com a tarefa de se desembaraçar de sua personalidade; isto, e não a crítica de seu sagrado Guru, deve ser a ocupação de seus dias e noites.


(19)      HIMOG  é um Notaricon das palavras Holy Illuminated Man of God, ou Sagrado Homem Iluminado de Deus.


41

KEFALH  MA

CARNE PICADA (20)

Em V.V.V.V.V. a Grande Obra é perfeita.

Portanto, ninguém há que não pertença a V.V.V.V.V.

Em qualquer um pode ele manifestar-se; porém em um ele escolheu

 se  manifestar; e este deu Seu anel como um selo de Autoridade para

   a Obra da A\A\, através dos colegas de FRATER PERDURABO.

Mas isto diz respeito a eles e à sua administração; não se refere a

   ninguém abaixo do Grau de Adepto Exempto, e tal apenas por designação.

Também - posto que, abaixo do Abismo, a Razão é o Senhor - que o homem procure

   pela experiência, e não por perguntas.


COMENTÁRIO (MA)

   O título é explicado apenas em parte na nota; significa que as declarações neste capítulo devem ser entendidas do modo mais ordinário e comum, sem nenhum senso místico.

   V.V.V.V.V. é o mote de um Mestre do Templo (ou tanto Ele desvelou aos Adeptos Exemptos) a quem se refere Liber LXI. É ele o responsável por todo o desenvolvimento da A\A\., movimento que tem sido associado à publicação de The Equinox; e Seu pronunciamento é conservado nos escritos sagrados.

   É inútil indagar sobre Sua natureza; fazê-lo conduz a certo desastre. Sua autoridade é exibida, quando necessário, às pessoas apropriadas, mesmo assim nunca a ninguém abaixo do grau de Adepto Exempto. A pessoa que pergunta sobre tais assuntos é polidamente solicitada a trabalhar, e a não fazer perguntas cujos assuntos de maneira nenhuma lhe dizem respeito.

   O número 41 é o da Mãe Estéril.

OBS.:

(20) I.e. comida condizente aos americanos.


42

KEFALH MB

DIABOS DE PÓ

No Vento da mente, nasce a turbulência chamada Eu.

Ele rompe; inunda os pensamentos estéreis.

Toda vida é sufocada.

Este deserto é o Abismo onde está o Universo. As Estrelas

   são apenas cardos nesta aridez.

Contudo, este deserto é apenas um lugar amaldiçoado num

   mundo de glória.

Agora e novamente, Viajantes cruzam o deserto; eles vêm do

   Grande Mar, e para o Grande Mar eles vão.

Enquanto caminham, eles derramam água; um dia eles irrigarão o

   deserto, até que floresça.

Vê! cinco pegadas de um Camelo! V.V.V.V.V.


COMENTÁRIO (MB)

   42 é o Grande Número da Maldição. Veja “Liber 418”, “Liber 500”, e o ensaio sobre Cabala em “O Templo do Rei Salomão”. Este número é tido como sendo toda mixórdia e maldição.

   O capítulo deve ser lido mais esmeradamente em conexão com o 10o Aethyr. É a esta dramática experiência que o mesmo se refere.

   A mente é chamada de “vento” por causa de sua natureza; como tem sido freqüentemente explicado, as idéias e as palavras são idênticas.

   Nesta livre fluência, a matéria descentralizada origina um turbilhão; uma espiral enrolada sobre si mesma.

   A teoria da formação do Ego é a mesma dos Hindus, cujo Ahamkara é em si mesmo uma função da mente, que cria o seu ego. Este Ego é inteiramente divino.

   Zoroastro descreve Deus como tendo a cabeça do Falcão e uma força espiral. Será difícil entender este capítulo sem alguma experiência na transformação de valores (N. Trad.: transformação de letras em números e vice-versa, especificamente nos sistemas hebraico e grego), que ocorre através de todo este livro em quase todas as outras frases. Transformação de valores  é apenas o aspecto moral do método da contradição.

   A palavra “turbulência” é aplicada ao Ego para sugerir a francesa “tourbillon”, redemoinho, o falso Ego ou diabo-de-pó.

   A vida verdadeira, a vida que não tem consciência do “Eu”, é tida como sendo sufocada pelo falso ego, ou melhor, pelos pensamentos que suas explosões produzem. No parágrafo 4, isso se expande a um plano microscósmico.

   Os mestres do Templo são agora apresentados; eles não são habitantes deste deserto; seu domicílio não é este universo.

   Eles Vêm do Grande Mar, Binah, a Cidade das Pirâmides. V.V.V.V.V. é indicado como um destes viajantes. Ele é descrito como um Camelo, não pela conotação do modo francês desta palavra, mas porque “camelo” em hebraico é Gimmel, e Gimmel é o caminho que leva de Tiphareth a Kether, unindo Microprosopus e Macroprosopus, i.e., realizando a Grande Obra.

   O arcano equivalente a Gimmel no Tarô é A Sacerdotisa, a Senhora da Iniciação; pode-se mesmo dizer, o Sagrado Anjo Guardião.


43

KEFALH MG

COPAS DE AMOREIRAS

Sangue negro sobre o altar! E, acima, o farfalhar das asas dos anjos!

Sangue negro da fruta doce, a flor ferida, violada - Isso põe A

   Roda movendo a agulha.

A Morte é o véu da Vida; e Vida, da Morte; pois ambas são Deuses.

Isso é o que está escrito: “uma festa para a vida, e uma festa maior

   para a morte!”, n’O LIVRO DA LEI.

O sangue é a vida do indivíduo: oferece então sangue!


COMENTÁRIO (MG)

   O título refere-se à lenda hebraica na  qual o profeta ouve “um deslizar na copa das amoreiras”; e à frase de Browning, “uma amoreira ferida, de sangue negro”.

   Na “Tragédia do Mundo”, “Deuses Familiares”, “O Escorpião”, e também “O Deus Devorador”, o leitor poderá estudar a eficácia do estupro e do sacrifício de sangue, como fórmulas mágicas. Sangue e virgindade têm sido as oferendas mais satisfatórias a todos os deuses, mas especialmente ao Deus Cristão.

   No último parágrafo, a razão disto é explicada: é porque tais sacrifícios vêm sob a Grande Lei da Rosa Cruz, o basta à individualidade, como tem sido explicado ad nauseam nos capítulos anteriores. Nós retornaremos freqüentemente a tal assunto.

   Por “roda movendo a agulha” expressa-se a manifestação da força mágica, o espermatozóide no phallus cônico. Sobre rodas, veja o capítulo 78.


44

KEFALH MD

A MISSA DA FÊNIX

O Magista, seu peito nu, permanece diante de um altar no qual estão seu Cinzel,

   seu Sino, seu Turíbulo, e dois Bolos da Luz. Com o Sinal do Entrante,

   ele alcança o Oeste cruzando o altar, e clama:

Salve Ra, que vais em Tua barca

Adentrando as Cavernas das Trevas!

Ele faz o sinal de Silêncio, e toma o sino, e Fogo, em suas mãos.

O Leste do Altar me vê de pé

Com Luz e Músicka em minha mão!

Ele bate Onze vezes no Sino 3 3 3 - 5 5 5 5 5 - 3 3 3 e põe o Fogo no

   Turíbulo.

Eu toco o Sino: Eu acendo a chama:

Eu pronuncio o Nome misterioso.

                                              ABRAHADABRA

Ele bate Onze vezes no Sino.

Agora eu começo a rezar: Tu Criança,

Sagrado Teu nome e impoluto!

Teu reino é vindo: Tua vontade é feita.

Aqui está o Pão; aqui está o Sangue.

Conduze-me através da meia-noite até o Sol!

Salva-me do Mal e do Bem!

Que Tua coroa, única de todas as Dez,

Mesmo agora e aqui seja minha. AMÉN.

 

Ele põe o primeiro Bolo no Fogo do Turíbulo.

Eu queimo o Incenso-bolo e proclamo

Estas adorações de Teu nome.

Ele as faz como em Liber Legis, e bate de novo Onze vezes no Sino.

   Com o Cinzel ele então faz sobre seu peito o sinal apropriado.

Vê este meu peito que sangra

Talhado com o sinal sacramental!

 

Ele põe o segundo Bolo na ferida.

Eu estanco o sangue; a hóstia absorve

E o alto sacerdote invoca!

Ele come o segundo Bolo.

Este Pão eu como. Este Juramento eu prometo

Enquanto me inflamo com a oração:

“Não há graça: não há culpa:

Esta é a Lei: FAZE O TU QUERES!”

 

Ele bate Onze vezes no Sino, e clama ABRAHADABRA.

Eu adentrei com pesar; com alegria eu agora vou adiante e agradecendo,

Para realizar meu prazer sobre a terra

   Entre as legiões dos que estão vivendo.

                Ele segue adiante.


COMENTÁRIO (MD)

   Este é o número especial de Hórus; é o sangue hebraico; e a multiplicação de 4 pelo 11, o número de Magick, explana 4 em seu melhor sentido. Mas veja em particular os relatos em Equinox I, vii, sobre circunstâncias do Equinócio dos Deuses.

   A palavra “Fênix” pode ser tida como incluindo a idéia de “Pelicano”, o pássaro que, diz a fábula, alimenta seus filhotes com o sangue de seu próprio peito. Contudo as duas idéias, apesar de cognatas, não são idênticas, e “Fênix” é o símbolo mais exato.

   Este capítulo explica o capítulo 62.

   Seria impróprio comentar mais sobre um ritual que tem sido aceito como oficial pela A\A\


45

KEFALH ME

MÚSICA CHINESA

“Explica este acontecimento!”

“Tem de ter uma causa ‘natural’.”                        }   Que

“Tem de ter uma causa ‘sobrenatural’.”

   estes dois burros sejam triturados e moídos.

Pode, poderia, tem que, deveria, provavelmente, pode ser,

   poderíamos assegurar, deve-se, isso é duramente questionável,

   é quase certo - pobres picaretas! deixa-os pastar!

Prova é possível apenas em matemática; e matemática é apenas

   uma questão de convenções arbitrárias.

E, contudo, a dúvida é boa serva, mas um mestre ruim; uma perfeita

   amante, mas uma esposa ranheta.

“Branco é branco” é o chicote do supervisor; “branco é negro” é a senha

   do escravo. O Mestre não dá atenção.

Os chineses não conseguem deixar de pensar que a oitava tem 5 notas.

Quanto mais necessário algo parece ser para minha mente, mais certo

   é que eu o declare uma limitação.

Eu dormi com a Fé, e encontrei um cadáver em meus braços ao acordar;

   Eu bebi e dancei toda a noite com a Dúvida, e encontrei-a como uma virgem

   pela manhã.


COMENTÁRIO (ME)

   O título deste capítulo é tirado do parágrafo 7.

   Nós agora, pela primeira vez, atacamos a questão da dúvida.

   “O Soldado e o Corcunda” deveria ser criteriosamente estudado nesta conexão. A atitude recomendada é o ceticismo, mas um ceticismo sob controle. A dúvida inibe a ação, assim como a fé a cega. Todos os melhores Papas foram Ateístas, mas talvez o melhor deles tenha observado um dia: “Quantum nobis prodest haec fabula Christi”.

   O soberano afirma os fatos como são; o escravo não tem opção, portanto, a não ser repudiá-los, para expressar seu descontentamento. Daí tais absurdos como “Liberté, Egalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), “In God we trust” (Em Deus confiamos), e coisas do tipo. Similarmente encontramos, hoje em dia, pessoas afirmando que a mulher é superior ao homem, e que todos os homens nascem iguais.

   O Mestre (em linguagem técnica, o Magus) não se importa com fatos: ele não se preocupa se uma coisa é verdadeira ou não: ele usa a verdade e a mentira indiscriminadamente, para servir aos seus fins. O escravos consideram-no imoral, e pregam contra ele no Hyde Park.

   Nos parágrafos 7 e 8 encontramos uma declaração muito importante, um aspecto prático do fato de que toda a verdade é relativa, e no último parágrafo vemos como o ceticismo mantém a mente fresca, enquanto que a fé morre no próprio sono a que ela induz.


46

KEFALH MF

BOTÕES E ROSETAS

A causa da tristeza é o desejo do Um para os Muitos, ou dos Muitos para o Um.

   Esta também pode ser a causa do prazer.

Mas o desejo de um para outro é todo tristeza; seu nascimento é fome, e

   sua morte, saciedade.

O desejo da mariposa pela estrela ao menos salva sua saciedade.

Esfomeado sê tu, Oh homem, pelo infinito: sê insaciável mesmo pelo

   finito; assim, n’O Fim tu devorarás o finito e te tornarás o infinito.

Sê tu mais voraz que o tubarão, mais cheio de ânsia que o vento entre

   os pinheiros.

O peregrino cansado combate; o peregrino saciado pára.

A estrada termina acima: toda lei, toda natureza tem de ser conquistada.

Faze-o pela virtude d’AQUELE em ti mesmo, diante do qual lei e natureza

   são apenas sombras.


COMENTÁRIO (MF)

   O título deste capítulo é mais bem explicado por uma referência a Mistinguite e Mayol.

   Seria difícil decidir, e felizmente é desnecessário mesmo discutir, se a distinção de sua maestria é a causa, resultado, ou ambos, de suas peculiaridades particulares.

  Persiste o fato de que, em vício, como tudo mais, algumas coisas saciam, enquanto outras refrescam. Qualquer jogo no qual a perfeição é facilmente alcançada logo pára de divertir, apesar de no começo ser tão violento o seu fascínio.

   Testemunhe a tremenda, embora transitória, moda do pingue-pongue e do diabolo. Estes jogos, nos quais a perfeição é impossível, nunca param de atrair.

   A lição do capítulo é, então, erguer-se sempre faminto por comida, violar sempre a própria natureza. Continua a adquirir um gosto por aquilo que é naturalmente repugnante: esta é uma fonte infalível de prazer, tendo uma vantagem adicional ao destruir os Sankharas, os quais, por mais que sejam “bons” em si mesmos, relativamente a outros Sankharas, são barreiras sobre O Caminho; são modificações do Ego e, portanto, são essas coisas que o afastam do absoluto.


47

KEFALH  MZ

PALAVRAS DE CATAVENTO

Asana desfaz a consciência Anatômica                }”Rupturas”

Pranayama desfaz a consciência Psicológica     }Involuntárias

Yama e Niyama desfazem a                                    }”Rupturas”

   consciência Ética.                                                  }Voluntárias

Pratyhara desfaz o Objetivo.

Dharana desfaz o Subjetivo.

Dhyana desfaz o Ego.

Samadhi desfaz a Alma Impessoal.

Asana destrói o corpo estático (Nama).

Pranayama destrói o corpo dinâmico (Rupa).

Yama destrói as emoções.

Niyama destrói as paixões.         (Vedana).

Dharana destrói as percepções (Sañña).

Dhyana destrói as tendências (Sankhara).

Samadhi destrói a consciência (Viññanam).

Lagosta à Thermidor destrói a digestão.

Do último destes fatos é que estou mais certo.


COMENTÁRIO (MZ)

   A alusão no título não está totalmente clara, apesar de poder estar conectado ao penúltimo parágrafo.

   O capítulo consiste em dois pontos de vista referentes à Yoga, duas Odes sobre a perspectiva distante  do Templo de Madura, duas Elegias numa esteira de relva.

   O penúltimo parágrafo é apresentado através de um repouso. O cinismo é um grande remédio para o estudo excessivo.

   Há muito de cinismo neste livro, aqui e ali. Isso deve ser considerado como um pouquinho de amargura para quebrar o excesso de doçura do discurso. Assim previne-se  o indivíduo de cair no sentimentalismo.


48

KEFALH MH

MOMI-RATOS (22)

O pássaro madrugador pega a minhoca; e a prostituta de doze anos

   atrai o embaixador.

Não negligencies a meditação matinal!

Os primeiros ovos de pernalta alcançam os preços mais altos; a flor

   da virgindade é estimada pelo panda.

Não negligencies a meditação matinal!

Cedo deitar e cedo acordar

Faz o homem saudável, rico e sábio ficar:

Mas tarde em vigília e cedo em oração

Conduz através d’O Abismo, é o que dizem.

Não negligencies a meditação matinal!


COMENTÁRIO (MH)

   Este capítulo é perfeitamente simples e não necessita de nenhum comentário.

OBS.:

(22)      “The Môme Raths Outgrabe” - Lewis Carrol.

Mas “môme” é a gíria parisiense para uma jovem garota, e “rathe” para cedo. “A prímula juvenil” - Milton.


49

KEFALH MQ

A FLOR DO WARATAH

Sete são os véus da dançarina do harém d’ELE.

Sete são os nomes, e sete são as lâmpadas ao lado da cama Dela.

Sete eunucos A guardam com espadas desembainhadas; Nenhum

   Homem aproxima-se Dela.

Em seu copo de vinho estão as sete torrentes de sangue dos Sete Espíritos

   de Deus.

Sete são as cabeças d’A BESTA na qual Ela Cavalga.

A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo; a cabeça de um Poeta: a

   cabeça de Uma Mulher Adúltera: a cabeça de um Homem Valoroso; a

   cabeça de um Sátiro; e a cabeça de um Leão-Serpente.

Sete letras tem Seu mais sagrado nome, que é

-----------------------------(ver figura no original)---------------------

Este é o Selo sobre o Anel que está no Indicador d’ELE: e este é o Selo

   sobre as Tumbas daqueles a quem Ela assassinou.

Aqui está sabedoria. Que aquele que tem Compreensão conte o Número

   de Nossa Senhora; pois que ele é o Número de uma Mulher; e Seu

   Número é

                  Cento e Cinqüenta e Seis.


COMENTÁRIO (MQ)

   49 é o quadrado de 7.

   7 é o número passivo e feminino.

   O capítulo pode ser lido em conexão com o capítulo 31, pois ELE (N. Trad.: IT, no original em inglês) reaparece.

   O título, o Waratah, é uma voluptuosa flor de cor escarlate, comum na Austrália, o que conecta este capítulo com os de número 28 e 29; no entanto, isso é apenas uma alusão, pois o assunto do capítulo é NOSSA SENHORA BABALON, a qual é concebida como a contraparte feminina d’ELE.

   Isso não confirma muito a teogonia comum ou ortodoxa do capítulo 11; mas deve ser explicado pela natureza ditirâmbica deste capítulo.

   No parágrafo 3, NENHUM HOMEM é, claramente, NEMO, o Mestre do Templo. “Liber 418” explicará a maioria das alusões neste capítulo.

   Nos parágrafos 5 e 6, o autor identifica-se claramente com a BESTA referida no livro, no Apocalipse e em LIBER LEGIS. No parágrafo 6, a palavra “anjo” talvez se refira à sua missão, e a palavra “leão-serpente” ao sigilo de seu decano ascendente. (Teth = Cobra = espermatozóide e Leo no Zodíaco, o qual tem, como Teth, forma de serpente. q escrevia-se originalmente  ¤   = Lingam-Yoni e Sol.)

   O parágrafo 7 explica a dificuldade teológica referida acima. Há apenas um único símbolo, mas este símbolo tem muitos nomes: destes nomes BABALON é o mais sagrado. Este é nome ao qual se refere em “Liber Legis” 1, 22.

   Repare que a figura de BABALON, ou seu sigilo, é um selo sobre um anel, e este anel está no dedo d’ELE. Isto identifica ainda mais o símbolo consigo próprio.

   Repare que este selo, a não ser pela ausência de margem, é o selo oficial da A\A\. Compare com o capítulo 3.

   Diz-se também ser este o selo sobre as tumbas daqueles que foram por ela assassinados, que são os Mestres do Templo.

   Conectando com o número 49, ver “Liber 418”, 22o Aethyr; bem como as fontes usuais.


50

KEFALH   N

A VIGÍLIA DE SÃO HUBERT

Na floresta, Deus encontrou o Escaravelho. “Alto! Reverencia-me!” pronunciou

   Deus. “Pois eu sou Todo Grandioso, Todo Bondoso, Todo Sábio... As

   estrelas são apenas faíscas das forjas de Meus ferreiros...”

“Sim, verdadeiramente e Amén,” disse o Escaravelho, “acredito em tudo isto, e com devoção.”

“Então porque você não me reverencia?”

“Porque eu sou real, e você é apenas imaginário.”

Mas as folhas da florestas farfalharam com a gargalhada do vento.

Disseram o Vento e a Madeira: “Nenhum dos dois sabe de nada!”


COMENTÁRIO (N)

   São Hubert parece ter sido um santo que viu um besouro ou escaravelho de natureza mística ou sagrada.

   O Escaravelho não deve ser identificado com o do capítulo 16. É apenas um toque literário.

   O capítulo é uma resolução do universo dentro do Tetragrammaton; Deus, o macrocósmico, e o besouro microcósmico. Ambos imaginam existir; ambos dizem “você” e “eu”; e discutem sua realidade relativa.

   As coisas que realmente existem, as coisas que não tem Ego e falam apenas na terceira pessoa, consideram-nos ignorantes, uma vez que eles afirmam seu Conhecimento.


51

KEFALH NA

TRABALHO PARA TERRIER

Duvida.

Duvida de ti próprio.

Duvida mesmo se duvidares de ti próprio.

Duvida de tudo.

Duvida mesmo se duvidares de tudo.

Parece, às vezes, como se debaixo de toda dúvida consciente

   repousasse alguma profunda certeza. Oh, mata-a! Assassina

   a serpente!

Seja exaltado o chifre do Bode-Dúvida.

Mergulha profundamente, sempre profundamente, no Abismo da Mente

   até que descubras AQUELA raposa. Vamos, cães! Isca! Pega! Leva

   AQUELA ao encurralamento!

Então, enrosca a Morte!


COMENTÁRIO (NA)

   O número 51 significa falha e dor, e seu assunto é, apropriadamente, a dúvida.

   O título refere-se ao saudável e fascinante esporte da caça à raposa, que Frater Perdurabo praticou em sua juventude.

   Este capítulo deve ser lido em conexão com “O Soldado e o Corcunda”, do qual é, em certo aspecto, uma epítome.

   Seu significado é suficientemente claro, mas nos parágrafos 6 e 7 repara-se que a identificação do Soldado com o Corcunda chegou a tal intensidade, que há um intercâmbio entre os símbolos; o entusiasmo sendo representado como uma cobra sinuosa; o ceticismo, como o Bode do Sabbath. Em outras palavras, é alcançado um estado no qual a destruição é ainda mais prazerosa que a criação. (Compare com o capítulo 46)

   Além deste, está um estado mental ainda mais profundo, que é AQUELE.


52

KEFALH NB

O CHAMARIZ DO TOURO

Oitenta e onze livros eu escrevi; em cada um eu expus A GRANDE OBRA

   por inteiro, d’O Início até O Fim.

Então, por fim, vieram certos homens a mim, dizendo: Oh Mestre! Expõe

   A GRANDE OBRA para nós, Oh Mestre!

E eu me calei.

Oh, geração de fofoqueiros! quem os libertará da Fúria que cai sobre

   vocês?

Oh, Tagarelas, Falastrões, Faladores, Loquazes, Mexeriqueiros, Batedores

   de Papo vermelho que inflamam Ápis, o Redentor, em fúria: aprendam

   primeiro o que é Trabalho! e A GRANDE OBRA não está muito além!


COMENTÁRIO (NB)

   52 é B N, o número do Filho, Osíris-Ápis, o Redentor, com quem o Mestre (Fra. P.) se identifica. Ele se permite, por um momento, ao prazer de sentir seus ferimentos; e, voltando-se para sua geração, chifra-a com seus cornos.

   Os oitenta e onze livros não se referem, achamos, aos noventa e um capítulos desta pequena obra-prima, ou mesmo aos numerosos volumes que ele escreveu, mas sim ao fato de que 91 é o número de Amén, implicando na completude de seu trabalho.

   No último parágrafo há uma paranomásia. “Bater um papo vermelho” (N. Trad.: “To chew the red rag”, no original) é uma expressão para o bate-papo sem sentido e persistente, enquanto é notório que um pano vermelho provocará a ira do touro.


53

KEFALH NG

O RABDOMANTE

Uma volta no prado. Irmão, o galho da aveleira abaixou?

Duas voltas no pomar. Irmão, o galho da aveleira abaixou?

Três voltas no curral. Acima, abaixo, astuto, sagrado, abaixa, abaixa,

   abaixa!

Então relinchou o cavalo no curral - e vê! - suas asas.

Pois quem descobriu a PRIMAVERA sob a terra, percorre o caminho da terra

   para trilhar os céus.

Esta PRIMAVERA é tripla; de água, mas também de aço e de estações.

Também este CURRAL é o Sapo que tem a jóia entre seus olhos — Aum

   Mani Padmen Hum! (Livrai-nos do Mal!)


COMENTÁRIO (NG)

   Um rabdomante pratica divinação, normalmente, com o objetivo de descobrir água ou minerais através das vibrações de um galho de aveleira.

   O prado representa a flor da vida; o pomar, seus frutos.

   O curral, sendo reservado aos animais, representa a vida em si mesma. Quer dizer, a fonte secreta da vida é encontrada no lugar da vida, resultando que o cavalo, que representa a vida animal ordinária, transforma-se em Pégasus, o cavalo divino.

  No parágrafo 6, vemos esta primavera identificada com o phallus, pois este é não só uma fonte de água, mas altamente elástico, ao passo que as referências às estações aludem às linhas de Lord Tennyson:

Na primavera, o pássaro mensageiro se transforma no pombo crescido,

Na primavera, as fantasias luminosas de um rapaz se transformam em pensamentos de amor”

        - Locksley Hall.

   No parágrafo 7, o lugar da vida, o universo de almas animais, é identificado com o sapo, o qual

Feio e venenoso,

Não obstante usa uma jóia preciosa em sua cabeça

       - Romeu e Julieta

    Essa jóia é a faísca divina no homem, e mesmo em tudo o que “vive, e se move, e tem existência”. Note esta frase, a qual é altamente sugestiva; a palavra “vive” excluindo o reino mineral, a palavra “move” excluindo o reino vegetal, e “existência” excluindo os animais inferiores, inclusive a mulher.

   Este “sapo” e esta “jóia” são adiante identificados com o Lótus e a jóia do conhecido aforisma Budista, e parece sugerir que este “sapo” é a Yoni; a sugestão é depois reforçada pela frase final entre parênteses, “Livrai-nos do mal”, posto que, apesar de ser o lugar da vida e o veículo da graça, pode ser desastrosa.


54

KEFALH ND

BISBILHOTICE

Quarenta e cinco aprendizes maçons desempregados!

Quinze companheiros desempregados!

Três Mestres Maçons desempregados!

Todos estes sentados em suas ancas esperando pel’O Relato

   dos viajantes; pois A PALAVRA foi perdida.

Este é o Relato dos Viajantes: A PALAVRA era AMOR (23);

   e seu número é Cento e onze.

Então, cada um disse AMO (24); pois seu número é Cento e onze.

Cada um pegou a Colher de seu COLO (25), cujo número é Cento e onze.

Cada um chamou ademais pela Deusa NINA (26); pois seu número é

   Cento e onze.

Apesar de tudo isto, A Obra deu errado; pois A PALAVRA DA LEI É

   THELEMA.


COMENTÁRIO (ND)

   O título deste capítulo refere-se ao dever do Tyler numa loja azul de Maçonaria Livre.

   Os números nos parágrafos de 1 a 3 são significativos; cada Mestre-Maçon é assessorado por 5 companheiros e cada Companheiro por 3 Aprendizes, como se os Mestres estivessem sentados sobre pentagramas, e os Companheiros em triângulos. Isto pode referir-se ao número de sinais manuais em cada um destes graus.

   A moral do capítulo é, aparentemente, que a letra-mãe Aleph é uma solução inadequada para o Grande Problema. Aleph é identificada com a Yoni, pois todos os símbolos conectados são femininos, mas Aleph é também o número de Samadhi e misticismo; e a doutrina, portanto, é que a Mágicka, no mais alto sentido explicado no “Livro da Lei”, é a verdadeira chave.

OBS.:

(23) Amor, LOVE = L: 30, 0: 70, V: 6, E: 5 = 111

         (A.           Trad.: pelo sistema numerológico, AMOR = A: 1, M: 4, O: 6, R: 9 =

         20/2, o número do Eon, grande número feminino, a Grande Mãe. Já

         através da Gematria, teremos A = 1, M = 40, O = 70, R = 200, = 274,

         número dos Caminhos.)

(24) A = 1, M = 40, O = 70 , = 111.

(25) A colher tem o formato de um diamante ou Yoni.

      Colo, em Inglês: lap.

  L = 30, A = 1, P = 80, = 111.

(26) N = 50, I = 10, N = 50, A = 1, = 111.


55

KEFALH NE

O GIRASSOL GOTEJANTE

O Pensamento desapareceu; toda minha mente foi rasgada em

   farrapos: não! Não! minha cabeça foi misturada à polpa da madeira,

   e nela o Jornal Diário foi impresso.

Assim eu escrevo, desde que meu Único Amor foi-se de mim. Eu

   não consigo trabalhar: Eu não consigo pensar: Eu procuro distração

   aqui: Eu procuro distração ali: mas esta é toda a minha verdade, que

   Eu, que amo, perdi; e como poderei recuperar?

Eu preciso ter dinheiro para ir à América.

Oh, Sábio! Calcula teu Salário, ou na Página de Tua Idade estará

   escrito Raiva!

Oh, minha querida! Nós não devíamos ter gasto Noventa Libras naquelas

   Três Semanas em Paris!... Talha as rupturas em teu braço com um

   machado!


COMENTÁRIO (NE)

   O número 55 refere-se a Malkuth, a Noiva; o capítulo deve, então, ser lido em conexão com os capítulos 28, 29, 49.

   O “girassol gotejante” é o coração, que precisa de luz divina.

   Desde que Jivatma foi separado de Paramatma, como no parágrafo 2, não apenas a Unidade Divina é destruída, mas Daath, ao invés de ser a Criança de Chokmah e Binah, se torna o Abismo, e os Qliphoth surgem. O único sentido perene é o de perda, e o desejo de reaver. No parágrafo 3, vê-se que isto é impossível, devido (parágrafo 4) a ele não ter feito os devidos arranjos para recuperar a posição original, antes de fazer as divisões.

   No parágrafo 5, é mostrado que, por permissão ao prazer, esquece-se das coisas realmente importantes. Aquele que chafurda em Samadhi lamenta-se por isso depois.

   O último parágrafo explica quais precauções devem ser tomadas contra isto.

   O número 90 no último parágrafo não é mero fato, mas simbolismo; 90 sendo o número de Tzaddi, a Estrela, vista em seu sentido exotérico, como uma mulher nua, brincando num ribeirão, rodeada por pássaros e borboletas. O machado é recomendado no lugar da navalha, por ser uma arma mais poderosa. Não se pode ser tão severo ao se verificar qualquer tropeço no trabalho, qualquer digressão do Caminho.


56

KEFALH NF

PROBLEMA COM GÊMEOS

Sagrada, Sagrada, Sagrada, até Quinhentas e Cinqüenta e Seis

   vezes sagrada, seja NOSSA SENHORA das ESTRELAS!

Sagrada, Sagrada, Sagrada, até Cento e Cinqüenta e Seis vezes,

   seja NOSSA SENHORA que cavalga A BESTA!

Sagrada, Sagrada, Sagrada, até o Número de Vezes Necessário

   e Apropriado, seja NOSSA SENHORA Ísis em Seu Milhão-de-Nomes,

   Toda-Maternal, Geradora-Meretriz!

Ainda mais sagrada que todas Estas, para mim, é LAYLAH, noite e

   morte; por Ela eu blasfemo igualmente o finito e o Infinito.

Assim não escreveu FRATER PERDURABO, mas o Endiabrado Crowley

   em seu Nome.

Por falsificação, faze-o sofrer Servidão Penal por Sete Anos; ou ao menos

   faze-o praticar Pranayama por todo o caminho de volta o lar _ lar? não!

 Mas para a casa da rameira que ele não ama.

 Pois é LAYLAH que ele ama.  ............................................................

E, ainda, quem sabe quem é Crowley e quem é FRATER PERDURABO?


COMENTÁRIO (NF)

   O número do capítulo refere-se a “Liber Legis” I, 24, pois o parágrafo 1 refere-se a Nuit. Os “gêmeos” do título são os que foram mencionados no parágrafo 5.

   555 é Hadit, HAD soletrado na íntegra. 156 é Babalon.

   No parágrafo 4 está o âmago do capítulo, Laylah sendo novamente apresentada, como nos capítulos 28, 29, 49, e 55.

   A blasfêmia exotérica é insinuada no último parágrafo, e talvez seja um arcano esotérico, pois o Mestre do Templo está interessado em Malkuth, assim como Malkuth está em Binah; também “Malkuth está em Kether, e Kether em Malkuth”; e, para o Ipsissimus, a dissolução no corpo de Nuit e uma visita a um bordel podem ser a mesma coisa.


57

KEFALH  NZ

O ORNITORRINCO DE BICO-DE-PATO

Sujeira é matéria no lugar errado.

Pensamento é mente no lugar errado.

Matéria é mente; então pensamento é sujeira.

Assim ele demonstrou, O Sábio, inconsciente de que todo lugar

   é errado.

Pois não antes de ser o LUGAR (place) aperfeiçoado por um T, diz-se que ele PLACET.

A Rosa não crucificada despenca suas pétalas; sem a Rosa, a Cruz é

   uma vara seca.

Reverencia, então, a Rosa Cruz, e o Mistério de Dois-em-Um.

E reverencia a Ele, que jurou por Seu sagrado T que Um não deveria ser

  Um, exceto quando é Dois.

Estou contente por Laylah estar longe; nenhuma dúvida anuvia o amor.


COMENTÁRIO (NZ)

   O título sugere o dois em um, posto que o ornitorrinco é, ao mesmo tempo, ave e besta; é também um animal australiano, como a própria Laylah; e foi escolhido sem dúvida por esta razão.

   Este capítulo é uma apologia para o universo.

   Os parágrafos de 1 a 3 repetem os argumentos familiares contra a razão em uma forma epigramática.

   O parágrafo 4 alude a “Liber Legis” I, 52; “lugar” implica em espaço; nega homogeneidade ao espaço; mas quando “lugar”(place, em Inglês) é aperfeiçoado por “t” - como a Yoni pelo Lingam - temos a palavra “placet”, significando “agrada” .

   Os parágrafos 6 e 7 explicam isso mais longe; é preciso separar as coisas, de modo que possam elas regozijar em união. Ver “Liber Legis” I, 28-30, o qual é parafraseado no penúltimo parágrafo.

   No último parágrafo, esta doutrina é interpretada na vida comum por uma paráfrase do belo e familiar provérbio “Privação faz tolo o coração”. (PS. Pareço sentir um pós-gosto de amargura.)

   (Observe que o filósofo, tendo cometido o primeiro erro silogístico quaternis terminorum, ao tentar reduzir os termos a três, vacila em non distributia medii. É possível que considerações com a qualificação (ou quantificação?) de Sir Wm. Hamilton do predicado possam ser tomadas como intervenções, mas fazê-lo tornaria o humor do capítulo sutil demais para o leitor mediano em Oshkosh, para quem este livro é evidentemente escrito.)


58

KEFALH NH

UIVOS DE HAGGAI

Brava sou eu, uma hiena; eu sinto fome e uivo. Os homens pensam que

   eu rio - ha! ha! ha!

Não há nada móvel ou imóvel sob o firmamento, em que eu possa

   escrever os símbolos do segredo de minha alma.

Sim, ainda que eu seja ameaçado por desespero dentro das derradeiras

   Cavernas e Abóbodas da Eternidade, não há palavras para expressar

   sequer o primeiro sussurro do Iniciador em meu ouvido: sim, eu

   detesto nascimento, lamentações ululantes da Noite!

Agonia! Agonia! a Luz em mim cria véus; a canção em mim silencia.

Deus! em que prisma qualquer homem analisaria minha Luz?

Imortais são os Adeptos; e ainda que Eles morram - Eles morrem de

   indizível VERGONHA; Eles morrem como morrem os Deuses, de

   TRISTEZA,

Durarás Tu até O Fim, Oh FRATER PERDURABO, Oh Lâmpada n’O

  ABISMO? Tu tens a Pedra Fundamental do Arco Real; todavia, os

   Aprendizes, em vez de fazerem tijolos, põem palha em seus cabelos

  e pensam que são Jesus Cristo!

Oh, sublime tragédia e comédia d’A GRANDE OBRA!


COMENTÁRIO (NH)

   Haggai, notório profeta hebreu, é um Segundo Oficial num Capítulo de Maçons do Arco Real.

   Neste capítulo, o autor, numa espécie de enraivecida eloqüência, lamenta sua impotência em se expressar, ou induzir outrem a seguí-lo para a luz. No parágrafo 1, ele explica a risada sardônica, pela qual ele acaba de ser celebrado, como se fosse na verdade a expressão de seu sentimento.

   O parágrafo 2 é uma referência à Obrigação de um Aprendiz Maçom.

   O parágrafo 3 refere-se à Cerimônia de Exaltação na Maçonaria do Arco Real. O Iniciado estará apto a descobrir o mais formidável segredo desse grau escondido neste parágrafo.

  Os parágrafos 4-6 expressam uma angústia perante a qual a dos Getsêmani e Gólgotas pareceriam mínimas.

   No parágrafo 7, a agonia é rompida pela risada sardônica ou cínica sobre a qual aludimos antes.

  E o parágrafo final, em palavras da mais nobre simplicidade, glorifica a Grande Obra; regozija em sua sublimidade, na Arte suprema, na intensidade da paixão e do êxtase que dele surgem. (Observe que as palavras “paixão” e “êxtase” podem ser tomadas como simbólicas da Yoni e do Lingam.)


59

KEFALH NQ

O MACACO SEM CAUDA

Não há socorro  - mas mixórdia!- nos céus

Quando Astacus vê Caranguejo e Lagosta surgirem.

O Homem, que tem espinha e espera pelo paraíso,

Carece da imortalidade da Ameba.

O que o protoplasma ganha em seu contentamento móvel

É a perda da estabilidade da terra.

Matéria, senso e mente tiveram seu momento.

A Natureza apresenta a conta, e todos terão que pagar.

Se - como não sou - eu fosse livre para optar,

Como o Budismo batalharia contra A Bebedeira!

Minha certeza de que o destino é “bom” repousa no fato de ele ter-me levado ao Budismo.

Se eu fosse um beberrão, acho que teria

Boa evidência de que o destino foi “muito ruim”.


COMENTÁRIO (NQ)

   O título é um eufemismo para homo sapiens.

   O caranguejo e a lagosta são tipos mais desenvolvidos que o lagostim.

   O capítulo é um breve ensaio em forma poética sobre o Determinismo, celebrando a grande lei do equilíbrio e Compensação; mas critica cinicamente todos os filósofos, insinuando que sua visão do universo depende de suas próprias circunstâncias. Quem sofre de dor de dente não concorda com o Doutor Pangloss, dizendo que “tudo está cada vez melhor no melhor dos mundos”. Nem o mais rico dos Duques queixa-se aos seus  companheiros  de que “os tempos estão difíceis”.


60

KEFALH X

O FERIMENTO DE AMFORTAS (27)

O Auto-Domínio de Percivale tornou-se a Auto-masturbação dos Burgueses.

Virtus tornou-se “virtude”.

As qualidades que fazem um homem, uma raça, uma cidade, uma casta,

   devem ser derrubados; morte é a penalidade do fracasso. Como está escrito:

   Na hora do sucesso sacrifica o que te  é mais querido aos Deuses Infernais!

Os ingleses vivem sobre o excremento de seus antepassados.

Todos os códigos morais são imprestáveis em si mesmos; ainda que em

   cada novo código haja esperança. Sempre na condição de que o código

   não seja mudado por ser muito difícil, e sim por ser cumprido.

O cachorro morto flutua com a corrente; na França puritana as melhores

   mulheres são as meretrizes; na Inglaterra viciada as melhores mulheres

   são as virgens.

Se ao menos o Arcebispo de Canterbury saísse nu pelas ruas mendigando

  seu pão!

O novo Cristo, como o velho, é o amigo dos taberneiros e pecadores; pois

  sua natureza é asceta.

Oh, se todos fizessem Não Importa O Que, com a condição de que isso fosse

 a única coisa que eles não quisessem nem pudessem fazer!


COMENTÁRIO (X)

   O título é explicado na observação.

   O número do capítulo pode referir-se à letra Samech, a Temperança, no Tarô.

   No parágrafo 1, a real castidade de Percivale ou Parsifal - uma castidade que não o impediu de mergulhar a ponta da lança sagrada dentro do Santo Graal - é diferenciada da má interpretação que lhe é dada pela devassidão moderna. Os sacerdotes dos deuses eram escolhidos cuidadosamente, e cautelosamente treinados para completar o sacramento da paternidade; a vergonha do sexo consiste na usurpação de sua função pelos indignos. Sexo é um sacramento.

   A palavra “virtus” refere-se à “qualidade da masculinidade”. A palavra “virtude” é a negação de todas estas qualidades.

   No parágrafo 3, entretanto, vemos o penalidade do conservadorismo; as crianças devem ser desmamadas.

   No penúltimo parágrafo, as palavras “o novo Cristo” referem-se ao autor.

   No último parágrafo, encontramos a sublime doutrina mística de que tudo o que você tem deve ser abandonado. Obviamente, aquilo que diferencia sua consciência do absoluto é parte do conteúdo dessa consciência.

OBS.:

(27) Capítulo assim chamado porque Amfortas foi ferido por sua própria lança, a lança que fez dele um rei.


61

KEFALH XA

O NÓ DO TOLO

Oh, Tolo!, genitor de Eu e Nada, desfaz este Nó Safado!

Oh! Ai! este Eu e O — IO! — IAO! Pois Eu sempre devo “Eu” à Ilha de

  Nibbana. (28)

Eu Pago — Pé, a dissolução da Casa de Deus — pois Pé vem depois de O

   — depois de Ayin, que triunfa sobre Aleph em Ain, que é 0. (29)

OP-us, a Obra! a abertura d’O Olho! (30)

Tu, Garoto Safado, tu abriste o OLHO DE HÓRUS ao Olho Cego que

  chora! (31) O Justo regozija em tua retidão — Morte a todos os Peixes!


COMENTÁRIO (XA)

   O número do capítulo refere-se à palavra hebraica Ain, o negativo, e Ani, 61.

   O “tolo” é o Louco do Tarô, cujo número é 0, mas refere-se à letra Aleph, 1.

   Um nó de tolo é um tipo de nó que, apesar de parecer um nó, não o é realmente, desfazendo-se imediatamente.

   O capítulo consiste numa série de complicados trocadilhos sobre 1 e I (N. Trad.: em inglês, I = EU), considerando-se sua forma, seu som e figuras cujo formato se assemelha a ambos.

   O parágrafo 1 evoca o Louco do Tarô, que é correlato ao Ipsissimus, ao  louco puro, Parsifal.

   A palavra “safado” sugere não apenas que o problema é sexual, mas que este mesmo problema não existe.

   O parágrafo 2 mostra o Lingam e a Yoni em conjunção, como a fundação do êxtase (IO!), e o símbolo completo, IAO.

  A última frase do parágrafo une os dois significados do sucumbir do Lingam à Yoni, e do Ego ao Absoluto.

   Esta idéia de que “eu devo sucumbir”, eu devo, é naturalmente completada por “eu pago” , e o som da palavra “pago” sugere a letra Pé (ver Liber XVI), que representa a dissolução final em Shivadarshana.

  Em hebraico, a letra que segue O é P:  então segue Ayin, o Diabo no Tarô.

   AYIN soletra-se OIN, substituindo, assim, o a por O, a letra do Diabo, ou Pan, o deus Fálico.

   Agora, AIN significa nada, e, assim, a substituição de AIN por OIN significa a complementação da Yoni pelo Lingam, que é seguida pela completa dissolução representada pela letra P.

   Estas letras, O P, são a raiz de OPUS, a palavra latina para “Obra”; neste caso, a Grande Obra. E também iniciam a palavra “opening” (abertura). Na filosofia hindu, diz-se que Shiva, o Destruidor, está adormecido, e que, quando ele abrir seu olho, o universo será aniquilado _ outro sinônimo para a realização da Grande Obra. Mas o Olho de Shiva é também seu Lingam. Shiva é, ele próprio, o Mahalingam, que une estes simbolismos. A abertura do olho, a ejaculação do Lingam, a destruição do universo, o cumprimento da Grande Obra - tudo isso são maneiras diferentes de dizer o mesmo.

   O último parágrafo é ainda mais obscuro para os que não estão familiarizados à obra-prima referida na nota abaixo; para o Olho de Hórus, ver Liber 777, Col. XXI, linha 10. “O Olho Cego Que Chora” é um nome poético árabe para o Lingam.

   A doutrina é a de que a Grane Obra deve ser realizada sem criar novo Karma, pois a letra N - o peixe, a vesica, o útero - procria, ao passo que o Olho de Hórus não o faz; ou, se o faz, de acordo com a tradição turca, gera um Messias.

   Morte implica em ressurreição; a ilusão renasce, como a ceifeira da Morte no Tarô tem uma peça transversal. Isto se conecta com a doutrina hindu expressa na injunção “frite suas sementes”. Aja de forma a balancear seu karma passado e não crie novos; assim, os livros-caixas equilibrar-se-ão. Enquanto você possui crédito ou débito, ainda tem contas a acertar com universo.

   (Frater Perdurabo escreveu este capítulo -61- enquanto jantava com os amigos, mais ou menos num

minuto e meio. É assim que você deve conhecer a Cabala.)

OBS.:

(28) Ilha = Oe, um símbolo comum de Nibbana.

(29) (Figura _________)         Ain.(Figura _______) Ayin.

(30) de Shiva.

(31)Ver Bagh-i-Muattar para este simbolismo.

(32) Morte=Nun, a letra antes de O, significa um peixe, símbolo de Cristo; e também, pelo seu formato, o princípio Feminino.


62

KEFALH XB

SACOU? (33)

A Fênix tem um Sino para Som; Fogo para Visão; Faca para Toque; dois

   bolos, um para provar, outro para cheirar.

Ele se põe diante do Altar do Universo ao Pôr do Sol, quando a vida terrena se

   desvanece.

Ele convoca o Universo, e coroa-o com Luz MÁGICKA para substituir o sol de

  luz natural.

Ele ora a, e homenageia, Ra-Hoor-Khuit; a Ele, ele então sacrifica.

O primeiro bolo, assado, ilustra o lucro tirado do esquema de encarnação.

O segundo, misturado com o sangue de sua vida e comido, ilustra o uso

   da vida inferior para alimentar a vida superior.

Ele toma, então, o Juramento e torna-se livre - incondicionado - o

  Absoluto.

Ardendo na chama de sua Prece, e renascida - a Fênix!


COMENTÁRIO (XB)

   Este capítulo é ele um comento sobre o capítulo 44.

OBS.:

(33) Twig? (N. Trad.: palavra que tanto serve para designar “graveto” quanto para a gíria “sacou?”) Sacou? = Entendeu? Também a Fênix usa gravetos para acender o fogo no qual se queima.


63

KEFALH XG

MARGERY GRALHA*

Eu amo LAYLAH.

Eu sinto a falta de LAYLAH.

“Onde está a Graça Mística?”, tu disseste?

Quem te disse, homem, que LAYLAH não é Nuit, e eu, Hadit?

Eu destruí todas as coisas; elas estão renascidas sob outros formatos.

Eu renunciei a tudo por Um; esse Um tem renunciado à sua Unidade

   por tudo?

Eu torci CÃO ao contrário para achar DEUS**; agora DEUS late.

Não penses que sou caído por amar LAYLAH, e sentir a falta de LAYLAH.

Eu sou o Mestre do Universo; então dá-me um monte de palha numa

  cabana, e LAYLAH nua!

Amén.


COMENTÁRIO (XG)

   Este capítulo retorna ao assunto Laylah, e ao tema já discutido nos capítulos 3 e outros, particularmente o 56.

   O título do capítulo refere-se à velha rima:

                       “Vai-vem, Margery Gralha

                         Vendeu sua cama para deitar na palha

                         Não é ela uma destrambelhada rameira

                         De vender sua cama para deitar na sujeira?”

   A expressão “vai-vem” é significante, quase um comento sobre este capítulo. Para o Mestre do Templo, usam-se regras opostas. Sua unidade procura os muitos, e os muitos são de novo transmutados em um. Solve et Coagula.

* N. Trad.: “Margery” é um nome próprio, enquanto “daw” significa “gralha”, tanto quanto “bobo”.

** DOG = CÃO, GOD = DEUS


64

KEFALH XD

CONSTÂNCIA

Eu estava saboreando ostras com um compadre:

DEUS mandou-me os anjos DIN e DONI.

“Um homem de valor”, recomendaram, “dificilmente escolheria

Fazer o desjejum diariamente chez Lapérouse.”

“Não!” repliquei “ele não faria assim, MAS

pense na sua mágoa caso fosse fechado o Lapérouse!

“Eu como estas ostras e bebo este vinho

Unicamente para afogar esta minha miséria.

Porém,  a última altura de frio conforto:

Seu pináculo é - não se deve confortar!

“E embora eu durma com Jane e Eleanor

Não me sinto melhor do que antes,

“E Julian apenas se fixa em minha mente

Mesmo antes é melhor do que atrás.

“Vocês são espíritos Mercuriais - sejam gentis

e me façam mover o vento.

“Ponham-me nos braços de LAYLAH de novo:

o Maldito, permitindo-me isto,

pode fazer o seu pior de outro jeito.”

DONI e DIN, percebendo-me inspirado,

Conceberam que sua tarefa tinha terminado: se retiraram.

Voltei-me ao meu amigo, e, passando dos limites,

Tomei emprestado a mixaria de duzentas Libras.


COMENTÁRIO (XD)

   64 é o número de Mercúrio e da inteligência deste planeta, Din e Doni.

   A moral do capítulo é que um sujeito deseja liberdade, apesar de não querer exercitá-la: o autor poderia quase morrer em defesa do direito dos ingleses de jogar futebol, ou pelo seu próprio direito de não jogá-lo. (Como um grante poema expressou: “Nós não queremos lutar, mas, caramba, se o fizermos...”) Este é seu significado rumo à atitude de completa liberdade de discurso e ação. Ele recusa-se a escutar a crítica ostensiva dos espíritos, e explica sua própria posição. A verdadeira missão deles era despertá-lo para a confiança e ação.


65

KEFALH XE

SIC TRANSEAT

“Por fim eu levantei meus olhos, e contemplei; e eis! as flamas de

   violeta tornaram-se como gavinhas de fumaça, enevoadas como o

   pôr-do-sol sobre as terras pantanosas.

 “E, no meio do lago da lua prateada, estava o Lírio de branco e ouro.

   Neste Lírio está todo o mel, neste Lírio que floresce à meia-noite. Neste

   Lírio está todo o perfume; neste Lírio está toda a música. E ele me envolveu.”

Assim, os discípulos que observavam acharam um corpo morto ajoelhado

   no altar. Amén!”


COMENTÁRIO (XE)

   65 é o número de Adonai, o Sagrado Anjo Guardião; ver Liber 65, Liber Konx Om Pax, e outras obras de referência.

   O título do capítulo significa “possa assim ele passar”, o espaço em branco referindo-se obviamente a NEMO .

   O “o lago da lua prateada” é o Caminho de Gimel, levando de Tiphareth a Kether; as “flamas de violeta” são o Ajna-Chackra; o lírio é Kether, o lótus de Sahashara. “Lírio” é escrito com letra maiúscula para fazer a conexão com Laylah.


66

KEFALH XF

O LOUVA-A-DEUS

“Diga: Deus é Um.” Isto eu obedeci: mil e uma vezes por noite,

   durante mil e uma noites, eu afirmei a Unidade.

Mas “noite” quer dizer apenas LAYLAH (34); e Unidade e DEUS não

   valem sequer as blasfêmias dela.

Al-lah é apenas sessenta e seis; mas LAYLAH conta Setenta e Sete.(35)

“Sim! a noite cobrirá tudo; a noite cobrirá tudo.”


COMENTÁRIO (XF)

   66 é o número de Allah; o louva-a-deus é um gafanhoto blasfemo, uma caricatura dos crentes.

   O capítulo recorre ao assunto Laylah, a qual o autor exalta acima de Deus, dando continuidade às razões expostas nos capítulos 56 e 63. Ela é identificada com N.O.X. pela citação de Liber 65.

OBS.:

(34)Laylah significa noite em árabe.

(35)ALLH = 1 + 30 + 30 + 5 = 66.

     L + A + Y + L + A + H = 77, também MZL, a influência do Altíssimo;

     OZ, um bode; e assim por diante.


67

KEFALH XZ

MAÇÂS-SODOMA

Eu comprei umas bobagens agradáveis, e assim suavizei minha carência

   de LAYLAH.

Luz é minha carteira, e meu coração é luz também; porém, eu sei

   que as nuvens se juntarão mais perto da falsa claridade.

A miragem se desbotará; então o deserto estará mais sedento do que antes.

Oh vós, que habitais a Noite Escura da Alma, acautelai-vos mais que tudo

    de cada preliminar do Amanhecer!

Oh vós, que habitais a Cidade das Pirâmides sob a Noite de PAN,

   lembrai-vos que vós não vereis mais luz senão Aquela do grande fogo que

   vos consumirá até as cinzas!


COMENTÁRIO (XZ)

   Este capítulo significa que é inútil tentar abandonar a Grande Obra. Você pode se ocupar por um tempo com outras coisas, mas isto apenas aumentará sua amargura, amarrando as correntes ainda mais rapidamente a seus pés.

   O parágrafo 4 é um conselho prático para que os místicos não rompam sua secura através do relaxamento de suas austeridades.

   O último parágrafo só será compreendido por Mestres do Templo.


68

KEFALH XH

MANNA

Às quatro horas, dificilmente se encontra alguém no Rumpelmayer’s.

Eu tenho minha opção de lugar e serviço; o murmurinho dos macacos

   começará cedo o bastante.

“Pioneiros, Oh Pioneiros!”

Não sentou Elijah sob o junípero e chorou?

Não foi Maomé abandonado em Meca, e Jesus em Gethsemane?

Esses profetas eram tristes de coração; mas o chocolate no Rumpelmayer’s

   é demais, e o Mousse Noix é como Nephtys de tão perfeito.

Também há pequenos suspiros com creme e polpa de castanha, seduções

   bastante aveludadas.

Eu não navego rumo a LAYLAH em sete dias?

Não sejas triste de coração, Oh profeta; o murmurinho dos macacos logo

   começará.. Não; regozija-te excedentemente; pois, após o murmurinho dos

   macacos, virá o Silêncio da Noite.


COMENTÁRIO (XH)

   Manna era um bolo celestial o qual, na lenda, alimentou as Crianças de Israel no deserto.

   O autor lamenta a falha de sua missão com a humanidade, mas conforta a si mesmo com as seguintes reflexões:

   (1) Ele aprecia as vantagens da solidão; (2) Profetas anteriores encontraram dificuldades similares para convencer seus ouvintes; (3) A comida deles não era igual à obtida no Rumpelmayer’s; (4) Em poucos dias encontrarei Laylah; (5) Minha missão terá êxito cedo o bastante; (6) A morte removerá o aborrecimento do sucesso.


69

KEFALH XQ

O CAMINHO PARA O ÊXITO - E O MODO DE CHUPAR OVOS!

Este é o Sagrado Hexagrama.

Salta das alturas, Oh Deus, e entrelaça-te com o Homem.

Salta das alturas, Oh Homem, e entrelaça-te com a Besta!

O Triângulo Vermelho é a descendente língua de graça; o Triângulo

   Azul é a ascendente língua da prece.

Este Intercâmbio, o Duplo Presente das Línguas, a Palavra de

   Duplo Poder - ABRAHADABRA!- é o sinal da GRANDE OBRA,

      pois a GRANDE OBRA é cumprida em Silêncio. E eis que não é esta

      Palavra igual a Cheth, que é Câncer, cujo sigilo é a?

Esta Obra também devora a si mesma, alcança seu próprio fim, alimenta o

      obreiro, não larga sementes, é perfeita em si mesma.

Criancinhas, amai-vos uns aos outros!


COMENTÁRIO (XQ)

    A chave para a compreensão deste capítulo é dada no número e no título, o anterior sendo inteligível para todas as nações que empregam figuras arábicas, o último apenas para experts em decifrar trocadilhos.

   O capítulo alude ao desenho do Hexagrama de Eliphas Levi, sendo uma crítica e uma melhoria deste. No Hexagrama ordinário, o Hexagrama da natureza, o triângulo vermelho está para cima, como fogo, e o triângulo azul está para baixo, como água. No hexagrama mágico isto é revertido; o triângulo vermelho descendente é o de Horus, um sinal especialmente revelado por ele mesmo pessoalmente, durante o equinócio dos Deuses. (É a chama descendo sobre o altar e lambendo a oferenda queimada.) O triângulo azul representa a aspiração, visto que azul é a cor da devoção, e o triângulo, cineticamente considerado, é o símbolo da força direcionada.

   Nos primeiros três parágrafos, esta formação do hexagrama é explicada; é um símbolo da separação mútua do Sagrado Anjo Guardião e seu dependente. No entrelaçamento é indicada a inteireza da obra.

   O parágrafo 4 explica em linguagem ligeiramente diferente o que dissemos acima, e a imagem bíblica das línguas é introduzida.

   No parágrafo 5, o simbolismo das línguas é desenvolvido ainda mais. Abrahadabra é nosso exemplo primeiro de uma palavra entrelaçada. Supomos que o leitor tenha estudado esta palavra minuciosamente em Liber D etc. O sigilo de Câncer une este simbolismo com o número do capítulo.

   Os parágrafos restantes prosseguem com o simbolismo gálico.


70

KEFALH O

TAGARELICE-DE-CABO-DE-VASSOURA

FRATER PERDURABO é do Sinédrio do Sabbath, dizem os homens; Ele

   é o próprio Bode Velho, dizem as mulheres.

Portanto, todos o adoram; quanto mais o detestam, mais o adoram.

Ai!  ofertemos o Beijo Obsceno!

Busquemos o Mistério do Carvalho Nodoso e da Torrente Glacial!

A Ele ofertemos nossos bebês! À Sua volta dancemos no louco luar!

Mas FRATER PERDURABO é nada além de UM OLHO; que olho ninguém

   sabe.

Pulem, bruxas! Saltem, sapos! Tomem seu prazer! - pois o jogo do

   Universo é o prazer de FRATER PERDURABO.


COMENTÁRIO (O)

   70 é o número da letra Ain, o Diabo do Tarô.

   O capítulo refere-se ao Sabbath das Bruxas, cuja descrição encontrada em Payne Knight deveria ser lida cuidadosamente antes de estudar este capítulo. Todas as alusões serão, então, óbvias, salvo as que faremos nestas observações.

   Sinédrio, um corpo de 70 homens. Um Olho. Olho em hebraico é Oin, 70.

   O “carvalho nodoso” e a “torrente glacial” referem-se às confissões feitas por várias bruxas.

   O parágrafo 6 afirma um fato impróprio para o grau de qualquer leitor deste livro.

   No parágrafo 7 é visto o significado do capítulo; o caráter obsceno e distorcido de boa parte do universo é um capricho do Criador.


71

KEFALH OA

A CAPELA DO COLÉGIO DO REI

Tanto para a mente, quanto para o corpo, não há melhor purificador que

   Pranayama, não há purificador melhor que Pranayama.

Para mente, para corpo, tanto para a mente quanto para o corpo -tanto

   quanto!- há, há, não há purificador como Pranayama_Pranayama!_

   Pranayama! Sim, para a mente, tanto quanto para o corpo, não há

   purificador, não há purificador, não há purificador (tanto para mente

   quanto para corpo!) não há purificador, purificador, purificador como

   Pranayama, não há purificador para mente, tanto quanto para corpo,

   como Pranayama, como Pranayama, como Pranayama, como Prana_

   Prana_ Prana_ Prana_ Pranayama! _ Pranayama!

                                         AMÉN.


COMENTÁRIO (OA)

   Este capítulo é uma clara declaração da verdade, colocada como um hino para que seja enfatizada.

   O título deve-se às circunstâncias da devoção inicial de Frater Perdurabo, que foi freqüentemente refrescada pela audição de hinos nessa principal das glórias arquiteturais de sua Alma Mater.


72

KEFALH OB

FAISÃO PICADO

Shemhamphorash! salve, Nome dividido!

   Profere-o uma vez, Oh supra-temerário mortal!_

O Universo foi tragado em chamas

   _ Shemhamphorash!

Nem suponhas tu que no meio da colisão cósmica

   Possas descobrir uma coisa igual a outra entre todas as coisas!

O mundo se foi no choque perene.

Não! se a criação tivesse um objetivo

   (Ela não tem.) seria esta apenas fazer picadinho

Do mais “alto” e do mais sagrado jogo,

   Shemhamphorash!


COMENTÁRIO (OB)

   Há três versos consecutivos no Pentateuco, cada um contendo 72 letras. Se estes forem escritos um abaixo do outro, com o verso do meio revertido, e as divisões feitas verticalmente, 72 nomes tri-laterais são formados, a soma dos quais é o Tetragrammaton; este é o grande e misterioso Nome Dividido; pela soma das terminações Yod He, ou Aleph Lamed, os nomes dos 72 Anjos são formados. Os hebreus dizem que pelo pronunciamento deste nome o universo é destruído. Esta afirmação significa o mesmo que a dos hindus, que dizem que a efetiva pronunciação do nome de Shiva pode acordá-lo, e então destruir o universo.

   Na Magick egípcia e gnóstica, encontramos pilares e Aeons, que só são abertos através da pronunciação correta da palavra apropriada.

   Na Magick muçulmana encontramos uma prática e doutrina similares; e toda a Mantra-Yoga foi construída nesta base.

   Thoth, o deus da Magick, é o inventor da fala; Cristo é o Logos.

   Linhas 1-4 estão claras agora.

   Nas linhas 5-7 vemos os resultados de Shivadarshana. Não imagine que qualquer idéia, por mais elevada, por mais sagrada (ou mesmo por mais insignificante!) possa escapar da destruição.

   O logicista diria, “Mas existe o branco, e se o branco é destruído, resta o negro; então ainda existe o negro. Então, neste caso, um conhecido fenômeno deste universo é idêntico a um fenômeno daquele.” Expressão vã! O logicista e sua lógica estão igualmente envolvidos na destruição do universo.

   As linhas 8-11 indicam que este fato é a essência de Shivadarshana.

   O título é explicado pelos trocadilhos blasfemos intencionais e os coloquialismos das linhas 9 e 10.


73

KEFALH OG

O DIABO, O AVESTRUZ, E A CRIANÇA ÓRFÃ

A Morte monta o Camelo da Iniciação. (36)

Tu, corcunda de pescoço duro, que gemes em Tua Asana, a morte

   aliviar-te-á!

Não abocanhes, caro Zelator, apenas aguarda! Dez dias foste tu com água

   em tua barriga? Tu irás mais vinte, com um tição no traseiro!

Ai! toda tua aspiração é morrer: morte é a coroa de tua aspiração. Tripla

   é a corda do luar prateado; ela pendurar-te-á, Oh Sagrado, Oh

   Pendurado, Oh Camelo-Terminação-da-terceira-pessoa-do-plural por

   tua multiplicidade, tu Fantasma de um Não-Ego!

Poderia alguém que não Tua mãe te contemplar, Oh tu UNT! (37)

A Infinita Serpente Ananta, que circunda o Universo, não é senão

   a Minhoca-do-Caixão!


COMENTÁRIO (OG)

   A letra hebraica Gimel soma 73; significa um camelo.

   O título do capítulo foi tirado das conhecidas linhas de Rudyard Kipling:

              “Mas o camelo comissariado, quando tudo é dito e feito,

                é um diabo, uma avestruz e uma criança órfã num só.”

   O parágrafo 1 implicaria num dogma de morte como a mais alta forma de iniciação. Iniciação não é um simples fenômeno. Qualquer iniciação deve ter seu lugar em vários planos, e não é conferida sempre em todos estes simultaneamente. Percepção moral e intelectual da verdade muitas vezes, alguns diriam comumente, precedem as percepções espirituais e físicas. Alguém seria tolo de alegar iniciação, a menos que esta fosse completa em todos os planos.

   O parágrafo 2 será facilmente compreendido por aqueles que têm praticado Asana. Talvez haja uma sardônica referência ao rigor mortis, e certamente entende-se a atitude semi-jocosa do expert para com o iniciante.

  O parágrafo 3 é um comento no mesmo tom da boa e rústica natureza. A palavra Zelator é usada porque o Zelator da A\A\tem de passar por um exame em Asana para que possa tomar o grau de Praticus. Os dez dias aludem meramente à tradição sobre o camelo, segundo a qual ele pode passar dez dias sem água.

   O parágrafo 4 identifica a recompensa da iniciação com a morte; é a parada de tudo aquilo que chamamos vida, num modo pelo qual o que chamamos morte não o é. 3, prata, e a lua, são correspondentes a Gimel, a letra da Aspiração, posto que Gimel é o caminho que conduz do Microcosmo, em Tiphareth, ao Macrocosmo, em Kether.

   Os epítetos são por demais complexos para serem explicados em detalhes, mas Mem, o Pendurado do Tarô, possui íntima afinidade com Gimel, como pode ser visto através de um estudo de “Liber 418”.

   Unt não é apenas o hindu para Camelo, mas a terminação usual da terceira pessoa do plural no presente das palavras latinas para a terceira e quarta conjugações.

    A razão, para assim reportar-se ao leitor, é que ele agora transcendeu a primeira e a segunda pessoas. Cf. Liber LXV, cap. III, vv. 21-24, e o Omar Khayyam de Fitzgerald:

             “Alguma conversa era de Mim e Ti

             Assim parecia; e então basta de Ti e Mim.”

A terceira pessoa do plural deve ser usada, pois ele agora percebeu-se como uma trouxa de impressões. Pois este é o ponto no Caminho de Gimel quando ele está cruzando o Abismo; o estudante deve consultar o relato sobre isto em “O Templo do Rei Salomão”.

   O Ego é apenas “o fantasma do Não-Ego”, o foco imaginário no qual o Não-Ego torna-se sensível.

   O parágrafo 5 expressa o desejo do Guru, de que seu Chela possa atingir Binah, a Mãe, em segurança.

   O parágrafo 6 sussurra o último e terrível segredo da iniciação em sua orelha, identificando a vastidão do Mais Sagrado com a minhoca obscena que rói as entranhas dos malditos.

OBS.:

(36) Os árabes dizem que a morte monta um camelo. O Caminho de Gimel (que significa Camelo) leva de Tiphareth a Kether, e é o trunfo do Tarô chamado “A Grande Sacerdotisa”.

(37) UNT, hindu para Camelo. I.e. Que BABALON possa olhar-vos com benevolência..


74

KEFALH OD

RUA CAREY

Quando NADA tornou-se consciente, fez um mau negócio.

Esta  consciência adquiriu individualidade: um negócio pior.

O Eremita pediu amor: o pior de todos os negócios.

E agora ele deixou esta menina ir à América, para ter “sucesso”

   na “vida”: perda total.

Não há fim para esta dor imortal

Que me assombra, me assombra acordado ou dormindo?

   Se eu tive Laylah, como poderia esquecer

   Tempo, Idade, e Morte? Insuportável corrosão!

        Fosse eu um ermitão, como suportaria

        A dor da consciência, o curso do pensamento?

              Mesmo que fosse EU AQUELE, haveria ainda uma marca dolorida -

              O Abismo que se estende entre AQUELE  e NÃO.

Ainda assim, o primeiro passo não está tão longe:

O Mauritânia zarpa no Sábado!


COMENTÁRIO (OD)

   A rua Carey é conhecida, por hebreus prósperos e ingleses pobres, como o lugar dos edifícios da Bancarrota.

   Os parágrafos 1-4 estão em prosa, o caminho descendente, e o resto em forma de poema, o ascendente.

   A primeira parte mostra a queda de Nada em quatro degraus; a segunda parte, o retorno.

   Os detalhes da Hierarquia já foram indicados em vários capítulos. É puro misticismo convencional.

   Degrau 1, a iluminação de Ain como Ain Soph Aour; degrau 2, a concentração de Ain Soph Aour em Kether; degrau 3, dualidade e o restante abaixo em Malkuth; degrau 4, o rebaixamento de Malkuth para as Qliphoth, e a conseqüente ruína da Árvore da Vida.

   A segunda parte mostra a impossibilidade de rebaixamento no Caminho do Adepto.

   O dístico final representa o primeiro degrau sobre o Caminho, o qual deve ser tomado mesmo embora o aspirante seja intelectualmente cônscio da severidade do caminho como um todo. Você deve abdicar do mundo por amor, da idéia material pela moral, antes que esta, por sua vez, seja renda ao espiritual. E assim por diante. Este é um capítulo de Laylah, mas nele Laylah aparece meramente como uma mulher.


75

KEFALH OE

OVOS DE TARAMBOLA (38)

Feijões e morangos da primavera estão aí: adeus às ostras!

Se eu soubesse realmente o que queria, eu poderia desistir de Laylah,

   ou desistir de tudo por Laylah.

Mas “o que eu quero” varia de hora em hora

Esta ondulação é a raiz de todo compromisso e de todo bom senso.

Com este presente um homem pode gastar seus setenta anos em paz.

Mas é isto bom ou mau?

Enfatize presente, depois homem, depois gastar, depois setenta anos,

   e finalmente paz, e mude as entonações - reverta o sentido a cada vez!

Eu poderia mostrar-lhe como; mas - no momento! - eu prefiro pensar

   em Laylah.


COMENTÁRIO (OE)

   O título é explicado na observação, mas alude também ao parágrafo 1, sendo o ovo da tarambola freqüentemente contemporâneo ao primeiro morango.

   O parágrafo 1 significa que é bom mudar de dieta; a vaidade agrada a mente; a idéia fixa é um sinal de insanidade. Ver parágrafos 4 e 5.

   O parágrafo 6 coloca a questão “Então é desejável a sanidade ou a insanidade?”. O carvalho é enfraquecido pela erva daninha que nele se agarra, mas talvez a erva daninha impeça-o de enlouquecer.

   O próximo parágrafo mostra a dificuldade de expressar o pensamento na escrita; parece, encarando-se isto, absurdo que o texto deste livro, composto de forma simples, concisa e austera, precise de um comentário. Mas assim o é, ou meu mais prendado Chela e eu mesmo dificilmente teríamos nos esforçado para escrevê-lo. Foi em resposta aos apelos apaixonados de muitos dos mais valiosos irmãos que nós oferecemos este tempo e este pensamento, que ouro não pode comprar nem tortura arrancar.

   Laylah é novamente uma mera mulher.

OBS.:

(38) Estes ovos, sendo pintados, lembram a mente vagante a que nos referimos.


76

KEFALH OF

O FAETONTE

Não.

Sim.

Talvez.

O!

Olho.

Eu.

Oi!

Porquê?

Não.

Salve! vós todos aleijados, capados, cavalos estropiados!

Vós ultrapassareis os planetas em vosso trajeto.

Como? Não pela velocidade, nem pela força, nem pelo poder de ficar,

Mas pelo Silêncio que sucede o Relincho!


COMENTÁRIO (OF)

   O Faetonte era o cocheiro do Sol na mitologia grega.

   À primeira vista, a prosa deste capítulo, embora tenha apenas um dissílabo (N. Trad.: no original, em Inglês), mostra-se difícil, mas este é um encanto lançado por Maya. É um compêndio de vários sistemas de filosofia.

   Não = Niilismo; Sim = Monismo, e todos os sistemas dogmáticos; Talvez = Pirronismo e Agnosticismo; O! = O sistema de “Liber Legis”. (Ver cap. 0); Olho = Phalicismo (cf. cap. 61 e 70); Eu = Ficteanismo; Oi! = Transcendentalismo; Porquê? =  Ceticismo e o método da ciência. Não nega tudo isto e fecha o argumento.

   Mas tudo isto é encanto lançado por Maya; o real sentido da prosa deste capítulo é o seguinte:

   Não, alguma concepção negativa além d’ELE ou d’ELA de quem se falou nos capítulos 31, 49, etc.

   Sim, ELE.

   Talvez, o fluxo destes.

   O! Nuit, Hadit, Ra-Hoor-Khuit.

   Olho, o phallus em Kether.

   Eu, o Ego em Chokmah.

   Oi! Binah, o princípio feminino fertilizado.(He por Yod)

   Porquê?, o Abismo.

   Não, a recusa em contentar-se com qualquer um destes.

   Mas tudo isto é novamente um encanto de Maya, como previamente observado no texto (cap. 31). Tudo isto é verdadeiro e falso, e é verdadeiro e falso dizer que tudo é verdadeiro e falso.

   A prosa deste capítulo combina, e, é claro, nega todos estes significados, tanto distinta quanto combinadamente. Espera-se que ela estimule o pensamento a tal ponto que ele exploda com violência e para sempre.

   Um estudo sobre este capítulo é talvez o melhor atalho para Nibbana.

   O pensamento do Mestre neste capítulo é excepcionalmente altivo.

   O significado verdadeiro, ou melhor, o uso verdadeiro deste capítulo  é  evidentemente a partir da poesia.

   O mestre saúda os parágrafos prévios como cavalos, os quais, embora inúteis em si próprios (sem os epítetos), carregam o Cocheiro no caminho do Sol. A questão é: Como? Não por suas próprias virtudes, mas pelo silêncio que resulta quando todos estão esgotados.

   A palavra “relincho” é um trocadilho com “não” (N. Trad.: neigh = relincho; nay = não), que se refere à concepção negativa já postulado como além d’Ele. A sugestão é que talvez haja algo falsamente descrito como silêncio, para representar a ausência de concepções além do negativo.

   Seria impossível interpretar este capítulo em sua totalidade como uma crítica contra a metafísica, e este é, sem dúvida, um de seus muitos modos pelos quais pode ser subentendido.


77

KEFALH OZ

O SEPTENÁRIO SUBLIME E SUPREMO EM SUA MANIFESTAÇÃO MÁGICA AMADURECIDA ATRAVÉS DA MATÉRIA: COMO ESTÁ ESCRITO: UM BODE TAMBÉM.

Laylah.

(ESPAÇO RESERVADO PARA A FOTO DE LAYLAH)


COMENTÁRIO (OZ)

   77 é o número de Laylah (LAILAH), a quem este capítulo é totalmente devotado.

   A primeira seção do título é uma análise de 77 considerado como número místico.

   7, o septenário; 11, o número mágicko; 77, a manifestação, portanto, do septenário.

   Isto se dá através da matéria, pois 77 escreve-se em hebraico Aiyn Zayin (OZ) e significa Bode, o símbolo da matéria, Capricórnio, o Diabo do Tarô; o qual é a figura de um Bode do Sabbath sobre um altar, cultuado por dois outros diabos, macho e fêmea.

   Como se vê na fotografia da página anterior, Laylah não é destituída do “Diabo”, mas, como ela própria habitualmente repara, quando é tratada por termos que implicam neste fato, “É bom ser um demônio quando se é um como eu.”

   O texto não carece de comento, mas perceber-se-á que ele é menor do que o título.

   Então, o Diabo do Tarô é o Phallus, o Redentor, e Laylah simboliza redenção para Frater P. O número 77, além disto, interpretado como no título, é a força redentora.

   A proporção da extensão do título e do texto é a chave para o verdadeiro sentido do capítulo, ou seja, que a Redenção é, na realidade, tão simples quanto parece complexa; que os nomes (ou véus) da verdade são obscuros e numerosos, mas a Verdade mesma é livre e única; entretanto, a última deve ser alcançado através da primeira. Este capítulo é, portanto, uma apologia para o Livro das Mentiras em si mesmo. Nestas poucas e simples palavras, o capítulo explica a necessidade deste livro; e oferece-o - humildemente, ainda que em confiança - como uma forma de redenção para o mundo dos homens pesarosos.

   L.A.Y.L.A.H. com pontos finais representa uma análise do nome, a qual deve ser deixada para a técnica do prático avançado (ver fotografia).


78

KEFALH OH

RODA E - WOA!

A Grande Roda de Samsara.

A Roda da Lei (Dhamma).

A Roda do Tarô.

A Roda dos Céus.

A Roda da Vida.

Todas estas Rodas são uma; porém, de todas elas,  apenas a Roda do TARÔ

   é de teu proveito consciente.

Medita longa e larga e profundamente, Oh homem, sobre esta Roda, revolvendo-a

   em tua mente!

Seja esta tua tarefa: ver como cada carta brota necessariamente de outra

   carta, na devida ordem, do Louco ao Dez de Ouros.

Então, quando tu conheceres a Roda do Destino por completo, tu talvez

     percebas AQUELA Vontade que a moveu primeiramente. [Não há

   primeiro ou último.]

E eis! tu passaste pelo Abismo.


COMENTÁRIO (OH)

   O número deste capítulo é o número de cartas do Tarô.

   O título deste capítulo é um trocadilho com a frase “bem-estar e infortúnio”. Significa ação e descanso. A moral é a mística convencional; pare com o pensamento em sua fonte!

   Cinco rodas são mencionadas neste capítulo; todas, exceto a terceira referem-se ao universo como é, mas a roda do Tarô não é apenas isso, pois representa igualmente o Caminho Mágico.

   Esta prática é, pois, dada por Frater P. a seus pupilos: tratar a seqüência das cartas como causa e efeito. Daí, descobrir a causa por detrás de todas as causas. O sucesso nesta prática qualifica para o grau de Mestre do Templo.

   No penúltimo parágrafo, a parte entre colchetes lembra ao estudante que o universo não deve ser contemplado como um fenômeno temporal.


79

KEFALH OQ

O BAL BULIER

Alguns homens olham para dentro de suas mentes, dentro de suas

   memórias, e nada descobrem além de dor e vergonha.

Estes então proclamam “A Boa Lei” à humanidade.

Estes pregam renúncia, “virtude”, covardia sob todas as formas.

Estes choramingam eternamente.

Presunçosos, desdentados, Cootes carecas, Budas castrados devassos,

   vós vindes a mim? Eu tenho uma brincadeira para vos calar, Oh vós

   de boca espumante!

A Natureza é pródiga; mas quão bem Ela pode sê-lo.

A Natureza é falsa; mas eu também sou um pouquinho mentiroso.

A Natureza é inútil; mas ainda assim quão bela é!

A Natureza é cruel; mas eu também sou um Sádico.

O jogo continua; pode ter sido árduo demais para Buddha, mas, para

   mim (se é alguma coisa), é mole demais.

Viens, beau négre! Donne-moi tes lèvres encore!


COMENTÁRIO (OQ)

   O título do capítulo é o nome de um lugar que foi freqüentado por Frater P., até ter se tornado respeitável.

   O capítulo é uma repreensão a todos aqueles que não vêem no universo nada que não seja dor e mal.

   A análise Budista pode ser verdadeira, mas não para os homens de coragem. A desculpa de que “amor é dor”, pelo fato de seus êxtases serem apenas transitórios, é desprezível.

  Parágrafo 5. Coote é um chantagista exposto pelo “Equinox”. O fim do parágrafo refere-se a Catullus, e seu famoso epigrama sobre a jovem que transformou seu tio em Harpócrates. É uma forma sutil de Frater P. insistir em sua virilidade, posto que de outra forma ele não poderia utilizar o remédio.

   O último parágrafo é uma cotação. Em Paris, Negros são bastante procurados por moças alegres. A presumível intenção é afirmar que mesmo as mulheres podem curtir a vida de vez em quando.

   A palavra “Sádico” é tirada do famoso Marquês de Sade, que legou a suprema forma literária dos prazeres da tortura.


80

KEFALH P

AMEIXEIRA-BRAVA

O preço da existência é guerra eterna. (39)

Falando como um Irlandês, eu prefiro dizer: O preço da guerra eterna

   é a existência.

E melancólica como é a existência, o preço é bem pago.

Há um Governo? Então sou contra! Aos Infernos com os Ingleses

   sanguinários!

“Oh, FRATER PERDURABO, quão inúteis são estes sentimentos!”

“Você quer um safanão no queixo?” (40)


COMENTÁRIO (P)

   Frater P. estende o assunto do capítulo anterior.

   Ele se auto-retrata como um irlandês vigoroso, arrojado, até mesmo desordeiro. Ele não é um puritano de lábios finos, buscando salvação numa auto-abnegação afeminada; nenhum Cristo Rastejante a se esgueirar através da existência na toada da Marcha dos Mortos em Saul; nenhum Calo Cremeriano para armazenar seu sêmen em seu cerebelo.

   “Novo Pensador” é apenas o Velho Eunuco em ordenação inferior.

   O parágrafo 2 mostra a verdadeira batalha pela vida, a qual desalenta os pensadores modernos como uma razão suficiente para a existência.

   O parágrafo 5 exprime a tristeza dos modernos pensadores, e o parágrafo 6 traz uma sugestão de Frater P. para replicar tais críticas.

OBS.:

(39) ISVD, a fundação do universo = 80 = P, a letra de Marte.

(40) P também significa “uma boca”.


81

KEFALH PA

LOUIS LINGG

Eu Não sou um Anarquista no seu senso da palavra: seu cérebro é por demais denso para que qualquer

     explosivo conhecido o afete.

Eu não sou um Anarquista no seu senso da palavra: um Policial imaginário solto na Sociedade.

Enquanto houver o burguês, o caçador, ou qualquer homem com ideais menores que os de Shelley e com a disciplina menor que a de Loyalla - em suma, alguém menor que EU MESMO - eu serei contra a Anarquia e a favor do Feudalismo. Todo emancipador escravizou os livres.


COMENTÁRIO

O título é o nome de um dos autores do caso de Haymarket, em Chicago. Veja Frank Harris em “A Bomba”.

O parágrafo 1 explica que Frater P. não vê razão no emprego de implementos medíocres como as bombas. Ele também não concorda com o objetivo dos anarquistas, posto que, apesar dos anarquistas não precisarem de restrições nem ousarem beber água de coco para que suas paixões animais não eclodam, já os policiais, se não forem severamente reprimidos, tornam-se perigosas bestas selvagens. A última e amarga sentença é terrivelmente verdadeira; a liberdade pessoal dos russos é imensamente maior que a dos ingleses. Os métodos radicais dos ingleses para assegurarem a liberdade transformaram nove dentre cada dez deles em Escravos obrigados a relatar seus movimentos ao governo.

A única solução para o problema social é a criação de uma classe com sentimentos verdadeiramente patriarcais, e com os modos e obrigações da nobreza.


82

KEFALH PB

SOPA DE BETERRABA

Lua-feitiçeira que transformou todos os córregos em sangue,

   Eu tomo esta vara enevoada, e me posiciono, e juro

   Um Juramento - sob este Carvalho queimado e despido

Que eleva sua agonia sobre o dilúvio

   Cuja máscara dilatada murmura uma prece ateísta.

Qual carvalho resistiria ao choque desta ofensa:

“Não há Eu, nem prazer, nem permanência?”

Lua-feiticeira de sangue, eterna vazante e cheia

   De nascimento frustrado, na morte ainda espreita uma mudança;

   E todos os leopardos que tuas florestas habitam,

E todos os vampiros que em teus galhos fulguram

   Remoendo em sede de sangue - estes não são tão estranhos

E ferozes quanto o inquebrantável aguaceiro da vida. Estes morrem,

   Ainda que o tempo os traga novamente através da eternidade.

 Portanto ouve o Carvalho, lua-feiticeira de sangue, lua terrível!

     Que todos os teus espíritos maléficos compareçam!

     Ele que perdura mesmo até o fim

Jurou que o próprio cadáver do Amor jazeria ao meio-dia

     Mesmo no caixão de suas esperanças, e gastou

Toda a força adquirida com sua velha preocupação e seu infortúnio

Em aniquilar já o Nada.

               Este capítulo é chamado Púrpura Imperial

                                  e Uma Guerra Púnica.


COMENTÁRIO (PB)

   O título deste capítulo e seus dois subtítulos não carecerão de explicação para os leitores dos clássicos.

   Este poema, inspirado por Jane Cheron, é tão simples quanto elegante.

   O poeta pergunta, no primeiro verso, Como podemos obstruir as Três Características?

   No verso 2, ele mostra que a morte é impotente frente à vida.

   No verso 3, ele oferece a solução para o problema: que as coisas sejam aceitas como elas são, e que todas as energias sejam voltadas para o progresso no Caminho.


83

KEFALH  PG

O PORCO CEGO (41)

Muitos tornam-se dois: dois, um: um, Nenhum. O que vem do Nada?

O Quê? abandonará o Adepto sua vida de ermitão e sairá comendo,

   e bebendo, e festejando?

Ai! não fará ele assim? Ele sabe que os Muitos são Nada; e tendo

  Nada, desfruta deste Nada mesmo quando em pleno desfrute dos

   Muitos.

Pois quando o Nada se torna o Nada Absoluto, torna-se novamente

  os Muitos.

E estes Muitos e este Nada são idênticos; eles não são correlativos ou

   fases de uma profunda Ausência-de-Idéia; eles não são aspectos

   de uma Luz adicional: eles são Eles!

Cuidado, Oh meu irmão, para que este capítulo não te engane!


COMENTÁRIO (PG)

   O título deste capítulo refere-se ao número grego PG, sendo “Porco” em inglês (PIG) sem a letra “i”.

   O assunto do capítulo é conseqüentemente o corolário dos capítulos 79 e 80, a ética de vida do Adepto.

   O Adepto realizou a Grande Obra; Ele reduziu os Muitos a Nada; como conseqüência, ele não teme os Muitos.

   Parágrafo 4. Ver “Berashith”.

   O parágrafo 5 toma as coisas pelo que são; abandona a interpretação, o refinamento e a análise. Seja tão simples e lúcido e radiante quanto Frater P.

   Parágrafo 6. Com este comentário não há perigo adicional, e a advertência torna-se, então, supérflua.

OBS.:

(41) pg = PG = Pig (Porco) sem um “I” = Blind Pig (Porco Cego)


84

KEFALH  PD

A AVALANCHE

É apenas por devoção a FRATER PERDURABO que este livro pode ser

   compreendido.

Quanto e quanto mais deveria Ele devotar-Se a AIWASS para o

   entendimento dos Livros Sagrados de QELHMA?

Mas ele precisa trabalhar secretamente pela eternidade. O sol não é  para

   ele, nem as flores, nem os cantos dos pássaros , pois ele está muito

   além disso tudo. Sim, em verdade, ele está freqüentemente fatigado;

   é bom que o peso do Karma do Infinito esteja com ele.

Por conseguinte, ele é mesmo feliz; pois ele terminou A OBRA;

   e a recompensa não lhe diz respeito.


COMENTÁRIO (PD)

   Este capítulo prossegue com o assunto do anterior.

   O título refere-se à atitude mental do Mestre; a avalanche não cai porque o gelo está cansado de ficar na montanha, ou para aniquilar os Alpes, ou por achar que precisa de exercício. Perfeitamente inconsciente, perfeitamente indiferente, obedece as leis da Coesão e Gravitação.

   São o sol e o seu próprio peso que a soltam.

   Assim, também, é o ato do Adepto. “Livre da ânsia de resultado, ele é de toda forma perfeito.”

   Parágrafos 1 e 2. Por “devoção a Frater Perdurabo” não se entenda servilismo, mas referência inteligente e simpatia imaginativa. Ponha sua mente em sintonia com a dele; identifique-se com ele enquanto ele procura identificar-se com a Inteligência que lhe comunica os Livros Sagrados.

   Parágrafos 3 e 4 são explicados pelo 13o Aethyr e pelo título.


85

KEFALH  PE

BORBORYGMI

Eu não creio em nenhum pensamento pronunciado por um homem

   que não possui uma saúde robusta.

Todos os outros pensamentos são certamente sintomas de doença.

Ainda que estes sejam freqüentemente belos e possam ser verdadeiros dentro do

   circuito condicional do orador.

E mais ainda! Não se percebe que os mais robustos dentre os

   homens não expressam pensamentos? Eles comem, bebem, dormem,

   e copulam em silêncio.

Qual melhor prova do fato de que todo pensamento é doença?

Somos tolos Strassburgs; a falta de gosto de nossa fala vem da

   desordem de nossos corpos.

Gostamos disso; e isso só prova que nossos gostos são depravados e

   e deturpados pela nossa doença.


COMENTÁRIO (PE)

   Agora voltamos à série de capítulos que começamos com o capítulo 8 (H).

   O capítulo é perfeitamente simples e não carece de comento.


86

KEFALH PF

TAT

Acesso de Ex nihilo N. I. H. I. L.

N, o Fogo que retorce a si mesmo e arde como um escorpião.

I, a imaculada água sempre-fluente.

H, o Espírito interpenetrante, externo e interno. Não é seu nome ABRAHADABRA?

I, o imaculado ar sempre-fluente.

L, a  terra verde e fértil.

Ferozes são os Fogos do Universo, e nas suas adagas eles guardam em

   suspenso o coração da terra que sangra.

Sobre a terra repousa a água, sensual e sonolenta.

Acima da água, flutua o ar; e acima do ar, mas também abaixo do fogo -

   e em tudo - com a fábrica de tudo entrelaçada em Seu desenho

   invisível, está

                         AIQHR.


COMENTÁRIO (PF)

   O número 86 refere-se a Elohim, o nome das forças elementais.

   O título é o Sânscrito para Aquele, no sentido de “O Existente”.

   O título do capítulo é uma tentativa de substituir Elohim por um hieróglifo mais satisfatório dos elementos.

   A melhor atribuição de Elohim é Aleph, Ar; Lamed, Terra; He, Espírito; Yod, Fogo; Mem, Água. Mas a ordem não é boa; Lamed não é satisfatório para terra, e Yod é uma forma de Fogo por demais espiritualizada. (Mas veja “Livro 4”, parte III.)

    Parágrafos 1-6. Do Nada, Nada é feito. A palavra Nihil é usada para afirmar que o universo é Nada, e isso deve ser analisado agora. A ordem dos elementos é a de Jeshua. Os elementos são tomados preferencialmente como na Natureza; N é naturalmente Fogo, posto que Marte é o regente de Scorpio: a virgindade de I cabe em Ar e Água, elementos que, em Mágicka, são intimamente intercalados: H, a letra da respiração, é adequada ao Espírito; Abrahadabra é chamado o nome do espírito, porque equivale a Cheth; L é Terra, verde e fértil, pois Vênus, o verdor, fertilidade e mundanismo das coisas, é a Senhora de Libra, Lamed.

   No parágrafo 7 voltamo-nos à assim chamada atribuição Jetzirática do Pentagrammaton, o mesmo utilizado por Dr. Dee, e pelos hindus, tibetanos, chineses e japoneses. Fogo é a Fundação, o âmago central das coisas; acima forma uma crosta, atormentada pelo inferior, e acima deste condensa o vapor original.  À volta flui o ar, criado pela Terra e pela Água através da ação da vegetação.

   Tal é o globo; mas tudo isso é mera tensão no aethyr, AIQHR. Aqui está um novo Pentagrammaton, presumivelmente cabível para outras análises dos elementos; mas seguindo um modo diferente. Alpha (A) é Ar; Rho (R) o Sol; estes são Espírito e o Filho da teologia Cristã. No meio disto está o Pai, expresso como Pai-e-Mãe. I-H (Yod e He), Eta (H) sendo usados para exprimir “a Mãe” ao invés de Epsilon (E), para mostrar que Ela foi impregnada pelo Espírito; é a respiração árida e não a suave. O centro de tudo isto é Theta (Q), o qual foi originalmente escrito como um ponto num círculo (¤), o hieróglifo sublime do Sol no Macrocosmo, e no Microscosmo do Lingam em conjunção com a Yoni.

   Esta palavra AIQHR (Aethyr) é, portanto, um hieróglifo perfeito do Cosmos em termos de Teologia Gnóstica.

   O leitor deveria consultar “La Messe et ses Mystères”, por Jean Marie de V... (Paris et Nancy, 1844), para uma demonstração completa da incorporação dos Mistérios Solares e Fálicos no Cristianismo.


87

KEFALH  PZ

COMIDA DE MANDARIM

Há uma travessa de barbatanas de tubarão e moluscos bem arranjada

   em ninhos de pássaros... oh!

Há também um suflê muito esquisito de Chow-Chow.

Estes eu inventei.

Mas eu nunca experimentei nada que se igualasse a

------------------------------------------inserir ilustração

        que ela me deu antes que Ela se fosse.

                22 de Março, 1912, E. V.


COMENTÁRIO (PZ)

   Este capítulo é, tecnicamente, um dos capítulos de Laylah.

   Significa que, por maiores que sejam as consecuções de alguém, os presentes vindos do alto são ainda melhores.

   O Sigilo é tirado de um talismâ Gnóstico, e refere-se ao Sacramento.


88

KEFALH  PH

TIJOLOS DOURADOS

Ensina-nos Teu segredo, Mestre!, tagarelam meus selvagens.

Então, para a dureza dos seus corações e para a sutileza das suas cabeças,

   eu os ensinei Magick.

Mas... ai!

Ensina-nos Teu segredo real, Mestre! como tornar-se invisível, como

   conseguir amor, e oh! além de tudo, como fazer ouro!

Mas quanto ouro vocês me darão pelo Segredo das Riquezas Infinitas?

Então disse o primeiro e mais estúpido: Mestre, isso não é nada; mas

   aqui estão cem mil libras.

Isto eu aceitei condescendente, e sussurrei em sua orelha este segredo:

UM OTÁRIO NASCE A CADA MINUTO.


COMENTÁRIO (PH)

   O termo “tijolos dourados” é tirado das finanças americanas.

   O capítulo é uma situação de uma velha história.

   Um homem anuncia que pode dizer a qualquer um como fazer quatrocentos Dólares num ano com certeza; e isto ela faria em troca de um xelim. A cada remetente ele despacha um cartão-postal com estas palavras “Faça como eu”.

   A palavra “otário” é tirada das finanças americanas.

   A moral do capítulo é que não é boa coisa tentar ensinar as pessoas que precisam ser ensinadas.


89

KEFALH PQ

CONDUTA ANTIPROFISSIONAL

Estou aborrecido com o número 89.

Vou me vingar não escrevendo nada neste capítulo.

Isto também é sábio; pois já que estou aborrecido, não poderia

  escrever nem mesmo uma mentira razoavelmente decente.


COMENTÁRIO (PQ)

   Frater P. foi importunado por um doutor vil, cujo número da casa era 89.

   Ele mostra que sua mente estava completamente envenenada quanto a este número, por ele próprio ter permitido a chateação.

   (Mas perceba que um bom Cabalista não pode errar. “Nele tudo está correto.” 89 é Corpo - o que aborrece -  e o Anjo do Senhor do Desespero e da Crueldade.

   Também “Silêncio” e “Cale-se”.

   Os quatro significados descrevem totalmente o capítulo.)


90

KEFALH  R

LUZ DAS ESTRELAS

Vede! Tenho vivido muitos anos, e tenho viajado por todas as terras

   que se encontram sob o domínio do Sol, e tenho navegado mares de pólo

   a pólo.

Agora eu ergo minha voz e testemunho que tudo é vaidade na terra, exceto

   o amor de uma boa mulher, e esta boa mulher é LAYLAH. E eu testemunho

   que no paraíso tudo é vaidade (pois eu tenho viajado por muitas vezes e

   freqüentemente permanecido em todos os paraísos), exceto o amor de

  NOSSA SENHORA BABALON. E eu testemunho que além do paraíso e da

   terra está o amor de NOSSA SENHORA NUIT.

E vendo que estou velho e bem atacado em anos, e que minhas forças naturais

   falham, então eu me ergo em meu trono e chamo O FIM.

Pois eu sou a eterna juventude e a força infinita.

E n’O FIM está ELA que era LAYLAH, e BABALON, e NUIT, sendo...


COMENTÁRIO (R)

   Este capítulo é uma espécie de Confissão de Fé final.

   É a unificação de todos os símbolos e de todos os planos.

   O Fim é inexprimível.


91

KEFALH  RA

O HEIKLE

A . M . E . N .


COMENTÁRIO (RA)

   O “Heikle” deve ser diferenciado do “Huckle”, o qual é definido por Sir W.S. Gilbert em “Prince Cherry-Top”.

   Uma clara definição do Heikle deve ser obtida de Mr. Oscar Eckeinstein, 34 Greencroft Gardens, South Hampstead, Londres, N.W. (quando este comento foi escrito).

   Mas sua natureza genérica é a de uma certa brancura momentânea, aparecendo no extremo fim de uma grande escuridão.

   É um bom título para o último capítulo deste livro, e também simboliza a saída eventual à luz deste que perambulou longamente pelas trevas.

   91 é o número de Amén.

    O capítulo consiste numa análise desta palavra, mas não indica o resultado de tal análise, como que implicando nisto: O Mistério final é sempre insolúvel.

FINIS

CORONAT OPUS.

Liber 333, por Aleister Crowley