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siga a estrada de tijolos amarelos: Thelema Rituais Thelemitas Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial

Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial

goetiacrowley.jpgÉ eminentemente alegre ao estudante da literatura mágicka que não seja um completo tolo -- e rara é tal combinação --  notar a crítica dirigida pelos filisteus contra a cidadela de sua ciência. Verdade é que desde de nossa infância somos levados não somente a acreditar literalmente nas histórias bíblicas, como também  em 'Alf Laylah wa Laylah' (As Mil e Uma Noites), e somente a adolescência pode nos curar, pois nela já somos responsáveis o bastante para, colocar ambos os clássicos em seus lugares, como documentos interessantes do ponto de vista do folclore e da antropologia, e não mais do que isso.

Mesmo quando aprendemos que a bíblia, quando acompanhada de um atento estudo de seu texto, pode  nos levara a uma contemplação de seu arcano Cabalístico, ainda assim somos hesitantes em aplicar similar importância cósmica para o volume acompanhante, mesmo que nós tenhamos a sorte de possuir  a edição autêntica de Burton.

Para mim então, permanece a idéia de elevar o 'Alf Laylah wa Laylah' ao seu lugar de direito uma vez mais.  (Nota do tradutor: O clássico "As Mil e Uma Noites" cita diversas vezes o Rei Salomão como um grande mago que dominava e comandava gênios e espíritos de toda espécie e assim adquiriu invejável sabedoria e riqueza. Salomão foi também a suposta fonte de onde jorrou o sistema mágico conhecido como Goétia, que por sua vez  também promete ao praticante o domínio sobre estes Espíritos)

Não estou preocupado em renunciar a realidade objetiva de todos os fenômenos mágicos; se eles são ilusões, eles são pelo menos tão reais quanto muitos dos fatos inquestionáveis de nossas vidas diária; e se nós seguirmos Hebert Spencer, eles são pelo menos evidência de alguma causa.

Agora esse fato é nossa base. Qual é a causa de minha ilusão de ver um espírito em um triângulo da Arte?

E qualquer vago conhecedor ou especialista em  psicologia, irá dizer : 'A causa repousa em seu cérebro.'

Crianças inglesas são ensinadas (ao passo do Ato Educativo) que o Universo está num espaço infinito, enquanto crianças hindus são instruídas que repousamos no "Akasha", o que, afinal de contas é  mesma coisa.

Alguns europeus que vão um pouco mais a fundo aprendem por Fichte, que o Universo fenomenal é a criação do Ego; estudantes sob orientação de gurus hindus, aprenderão que o o "Akasa", é a significação de "Citakasa". O "Citakasa" está situado no "Terceiro Olho", ou seja, no cérebro. Poderíamos ir mais além assimilando este fato ao Realismo, mas isso só complicaria as coisas.

Sendo verdade para o Universo ordinário, que todos os sentidos e impressões são dependentes de mudanças cerebrais, nós devemos incluir aqui todas as ilusões, as quais são afinal de contas sentidos-impressões tanto quanto as 'realidades' o são, na classe dos 'fenômenos dependentes das mudanças no cérebro'.

Fenômenos mágicos, contudo, fazem parte de uma categoria especial, uma vez que são manifestações desejadas, e que são causadas por uma série de fenômenos "reais", chamados de Magia Cerimonial.

Estes fenômenos consistem em:

1. Visão
O círculo, quadrado, triângulo, recipientes, luminárias, vestimentas, e acessórios, etc.

2. Som
As invocações

3. Olfato
Os perfumes

4. Paladar
Os sacramentos

5. Tato
Como no número 1.

6. Mente
A combinação de todos esses e a reflexão em seus significados.

Essas impressões não usuais (1-5), produzem mudanças cerebrais não usuais; portanto sua síntese (6) é de um tipo não usual. Sua projeção de volta ao aparentemente mundo fenomenal é, portanto, não usual.

Nisto então consiste a realidade das operações e efeitos da magia cerimonial e eu concebo que a apologia é ampla, e aplicável desde aos 'efeitos' referentes aos fenômenos que aparecem ao próprio mago, como a aparição do espírito, sua conversação e possíveis choques pela imprudência, como mesmo o êxtase que jaz em uma mão enquanto a morte ou a loucura jazem em outra.

Mas poderia algum desses efeitos descritos neste nosso livro Goetia, serem obtidos? E se assim o fosse, poderia você dar uma explicação racional das circunstâncias que levariam a isso?

Sim, eu posso e o farei.

Os espíritos de Goetia são porções do cérebro humano.

Seus selos portanto representam, métodos de estimulação ou regularização destes pontos específicos (através do sentido da visão). Os nomes de Deus são vibrações calculadas para estabelecer:

(a). Controle geral do cérebro. (Estabelecimento das funções relativas ao mundo sutil)
(b). Controle mais detalhado sobre a psique. (Hierarquia ou tipo do Espírito)
(c). Controle de uma porção em especial da psique. (Nome do Espírito)

Os perfumes ajudam este proceder através do sentido do olfato. E em geral o olfato irá somente cuidar do controle de uma área grande da psique, mas existe uma atribuição de perfumes para letras do alfabeto, permitindo a pessoa, por uma fórmula cabalística, soletrar o nome do Espírito por seu odor.

Não necessito entrar mais em discussões particulares sobre esses pontos; o leitor inteligente pode facilmente preencher o que está faltando.

Se é assim então eu repito as palavras de Sahlomo : "O Espírito Cimieries ensina lógica", o que quero dizer é : aquelas porções
de minha mente que servem a faculdade lógica podem ser estimuladas e desenvolvidas seguindo-se o processo chamado de "A invocação de Cimieries" E isto é uma declaração puramente materialista e racional; e é independente de qualquer hierarquia objetiva. A filosofia não tem nada a dizer; e a ciência pode somente suspender o julgamento pendendo a uma apropriada e metódica investigação dos fatos alegados.

Infelizmente, não podemos parar por aqui. Salomão prometeu-nos que podemos

(1) obter informação ;
(2) destruir nossos inimigos;
(3) entender as vozes da natureza;
(4) obter tesouros;
(5) curar doenças, etc.
Eu peguei esses cinco poderes ao acaso; o espaço disponível me proíbe explicá-los todos.

(1) Traz fatos do subconsciente;
(2) Aqui nós vamos a um fato interessante. É curioso notar o contraste entreos nobres significados e os aparentemente abomináveis fins dos rituais mágickos. Estes últimos são máscaras de verdades sublimes. 'Destruir nossos inimigos' é realizar a ilusão da dualidade, para excitar a compaixão. (AH! Senhor Waite, o mundo da magia é um espelho no qual aquele que vê estrume é estrume.)
(3) Um naturalista cuidadoso irá entender muito sobre as vozes dos animais se tiver estudado bastante. Mesmo uma criança sabe a diferença entre o miado e o ronronar de um gato. A faculdade pode ser grandemente desenvolvida.
(4) Capacidade para negócios pode ser estimulada.
(5) Estados anormais do corpo podem ser corrigidos e os tecidos envolvidos trazidos de volta à tona em obediência a correntes disparadas do cérebro.

E assim é para todos os outros fenômenos. Não há efeito que seja verdadeiramente e necessariamente miraculoso.

Nossa Magia Cerimonial refina-se então para uma série de experiências fisiológicas empíricas e minucioszs, e quem conduzi-los inteligentemente não precisam temer o resultado. Eu possuo toda a saúde e todo tesouro, e lógica que necessito; não tenho tempo a perder. 'Há um leão no caminho' (Provérbios 26:13). Para mim essas práticas são inúteis; mas para o benefício dos outros menos afortunados eu as dou ao mundo, junto com essas informações e apologia.

Eu confio no fato de que a explanação permitirá a muitos estudantes que não tenham até agora, por uma objetividade pueril em sua visão da questão, obtido resultado e sucesso. Que a apologia possa impressionar nossos desdenhosos homens da ciência que estudam o bacilo que devia dar lugar aos 'baculum', do pequeno para o grande - o quão grande alguém somente percebe quando alguém identifica a vara com o Maha Linga (Grande Falo), sobre o qual Brahma subiu voando à razão de 84000 yojanas por segundo por 84.000 mahakalpas e no qual Vishnu desceu voando à razão de 84000 crores de yojanas por segundo por 84000 crores de mahakalpas - ainda que nenhum deles tenha alcançado um fim.

Mas eu alcancei um fim.

CASA BOLESKINE
Foyers, N.B., Julho, 1903

 

Aleister Crowley sobre GOETIA (Tradução Frater Priapus)