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siga a estrada de tijolos amarelos: Ufologia Textos Ufológicos Eram os Deuses Astronautas? Eram os Deuses Astronautas? - Capítulo X: A experiência espacial terrestre

Eram os Deuses Astronautas? - Capítulo X: A experiência espacial terrestre

Tem sentido a cosmonáutica? A quem aproveitam os bilhões investidos?
Guerra ou cosmonáutica?
O que há com os muitos caluniados discos voadores?
Já há 60 anos houve uma explosão nuclear
Será a lua de Marte um satélite artificial?
 
 
AINDA NÃO SE CALOU a discussão sobre se a cosmonáutica faz ou não sentido. Quer-se provar muita ou total destituição de sentido na pesquisa do espaço sideral, com a constatação banal de que não se deve investir pelo Cosmo afora enquanto na Terra ainda houver tantos problemas sem solução.

Esforçando-nos por evitar argumentação científica incompreensível ao leigo, indicaremos aqui apenas algumas das razões mais óbvias e válidas a favor da necessidade absoluta da pesquisa cósmica.

Desde tempos imemoriais a curiosidade e a sede do saber sempre constituíram forças capazes de estimular o homem a viver em permanente pesquisa. As duas perguntas: POR QUE ocorre algo e COMO ocorre? em todos os tempos foram propulsoras da evolução e do progresso. Á inquietação permanente por elas criadas devemos nosso padrão de vida atual. Os confortáveis meios modernos de transporte livraram nos das dificuldades e dos sacrifícios de viagens a que nossos avós ainda estavam sujeitos; o peso do trabalho físico foi sensivelmente aliviado por máquinas. Novas fontes de energia, preparados químicos, refrigeradores, múltiplas máquinas domésticas, etc., etc., acabaram por libertar nos completamente de atividades outrora só realizáveis pelas mãos humanas. O que a ciência criou não resultou em maldição, muito pelo contrário, em bênção para a humanidade. Até sua filha mais aterradora, a bomba atômica, reverterá em benefício da humanidade.

Hoje, a ciência atinge muitos dos seus alvos com botas de sete léguas. Para o desenvolvimento da fotografia até que se obtivessem imagens absolutamente nítidas, foram precisos 112 anos. O telefone já em 56 anos estava inteiramente aperfeiçoado e automatizado. No desenvolvimento do rádio, até a recepção perfeita das emissões nem 85 anos de pesquisa científica foram necessários. Para o aperfeiçoamento do radar, porém, bastaram 15 anos! As etapas das invenções e seus aperfeiçoamentos tornam se cada vez mais breves: a televisão em preto e branco, após 12 anos de pesquisa, foi apresentável e a construção da primeira bomba atômica demandou 6 anos completos! Estes são uns poucos exemplos de progresso técnico no último meio século - progresso magnífico, mas também um tanto assustador. O desenvolvimento atingirá novos alvos de maneira cada vez mais rápida. Os próximos 100 anos realizarão uma parte de leão dos sonhos eternos da humanidade.

Contra advertências e resistências, o espírito humano trilhou sua senda. Contra velhíssimas afirmações dogmáticas - como: a água é o espaço vital do peixe, o ar o elemento dos pássaros - o homem conquistou os espaços que, aparentemente, não lhe eram destinados. O homem voa - contra todas as chamadas leis da natureza, e, em submarinos atômicos, ele vive meses a fio debaixo d'água.

Com sua inteligência criou para si asas e guelras, que o Criador não lhe dera.

Quando Charles Lindbergh decolou para seu vôo lendário, seu alvo foi Paris; não que lhe importasse chegar a Paris; ele queria provar que o homem, sozinho e sem sofrer dano, podia atravessar Atlântico em vôo. O primeiro alvo da cosmonáutica é a Lua. O que essa nova idéia técnico científica, porém, quer provar é que homem pode dominar também o espaço cósmico!

Por que, pois, astronáutica?

Dentro de poucos centenários apenas, o nosso globo estará superpopuloso, irremediavelmente e sem esperança. já para o ano 2050, as estatísticas contam com um número demográfico de 8,7 bilhões! Mais 200 anos, e já serão 50 bilhões; conseqüentemente, pois, 335 seres humanos deverão viver sobre um quilômetro quadrado. Inimaginável! Certas teorias, semelhantes a pílulas sedativas, que falam em alimentação extraída do mar ou até em habitações no fundo do oceano, mais cedo do que gostariam os mais audaciosos otimistas provarão ser ilusória a mobilização de meios inoperantes contra os efeitos da explosão demográfica. Na ilha indonésia Lombok, morreram de fome, nos primeiros seis meses de 1966, mais de dez mil pessoas que, em seu desespero, haviam tentado sobreviver alimentando se de moluscos e vegetais. U-Thant, Secretário Geral da ONU, estima o número de crianças ameaçadas pela fome na India em 20 milhões, estimativa que apóia a afirmação do Prof. Mohler, em Zurique, de que a fome começa a exercer domínio universal.

Está comprovado que a produção dos meios de alimentação no mundo não acompanha o passo do crescimento da população, apesar dos mais modernos recursos técnicos e a despeito de importantes fertilizantes químicos. A época atual deve à Química os preparados para controle da natalidade. Mas, para que servem, se as mulheres não os usam nos países subdesenvolvidos? Pois somente se se lograsse baixar nos próximos dez anos, isto é, até 1980, o surto de natalidade até à metade, a produção de meios alimentícios poderia ocorrer paralelamente ao aumento da população.

Infelizmente, não podemos acreditar nesse caminho racional, porque é difícil demolir a muralha dos preconceitos, dos motivos supostamente éticos e das leis religiosas, enquanto aumenta a desgraça da superpopulação. Será mais humano, ou prescrito por Deus, que ano por ano morram de fome milhões de seres humanos, do que impedir essas pobres criaturas de nascer?

Mas, ainda que o controle da natalidade em algum dia remoto, sob compulsão do destino, se torne vencedor, ainda que os campos de cultura sejam ampliados, e sejam multiplicados os rendimentos mediante assistência hoje ainda ignorada; ainda que a pesca se multiplique e campos de algas no fundo do mar aumentem a alimentação, mesmo que tudo isso e mais ainda se concretize, tudo é um retardamento apenas, um adiantamento de talvez 100 anos. O homem precisa de novo espaço vital. Estamos convencidos de que os homens em algum dia remoto colonizarão Marte e vencerão suas condições climáticas da mesma maneira que o fariam os esquimós se fossem transportados para o Egito. Planetas, alcançados por gigantescas naves cósmicas, serão povoados pelos nossos netos; colonizarão novos mundos como em passado bem recente ocorreu na América e Austrália. Por isso devemos nos dedicar à pesquisa do espaço cósmico! Devemos legar aos nossos netos uma oportunidade de sobrevivência! Cada geração que não cumprir essa tarefa, apressará a entrega da humanidade inteira à morte pela fome.

Não mais se trata de pesquisa abstrata, que só interessa ao cientista. E a quem não se sentir tomado pela obrigação para com a posteridade, seja dito que os resultados da pesquisa cósmica já nos resguardaram da terceira guerra mundial! Não foi a ameaça do aniquilamento total que retirou às grandes potências a possibilidade de decidirem opiniões, exigências e conflitos, mediante uma nova guerra? Não mais é preciso que um russo pise solo americano para transformar o país em deserto, e nenhum americano precisa mais perecer na Rússia, uma vez que após o impacto de muitas bombas atômicas a Terra, de qualquer maneira, se tornaria inabitável e estéril devido à radioatividade.

Pode parecer absurdo, mas só o foguete intercontinental assegurou nos uma paz relativa. De vez em quando até se exterioriza a opinião de que os bilhões investidos na pesquisa cósmica teriam melhor destinação se fossem aplicados na assistência ao desenvolvimento. Essa opinião é errada; pois as nações industriais prestam assistência ao desenvolvimento, não só por motivos caritativos ou políticos; oferecem na, compreensivelmente, também para abrir mercados às suas indústrias. O auxílio que os Estados subdesenvolvidos exigem, é - visto a longo prazo - irrelevante. No ano de 1966, viviam na Índia, estimativamente, um bilhão e seiscentos milhões de ratos, cada um dos quais devora cerca de cinco quilogramas de mantimentos por ano. O Estado, porém, não pode ousar destruir essa peste: o hindu devoto protege os ratos. Na mesma Índia circulam 80 milhões de vacas, que não devem ser ordenhadas nem ser atreladas como animais de tração, e muito menos abatidas para servir de alimento: são animais sagrados. Em país cujo desenvolvimento é inibido por tantos tabus e tantas leis religiosas, várias gerações ainda terão de abolir costumes, ritos e superstições prejudiciais à vida, antes que se inicie verdadeiro progresso. Também aqui, os meios de comunicação da idade da cosmonáutica servem à informação e ao desenvolvimento: jornais, rádio, televisão. O mundo encolheu. Já se sabe e mais se fica sabendo, uns dos outros. Mas, para chegar à definitiva compreensão de que fronteiras nacionais são relíquias de uma época superada, carecemos da cosmonáutica. A técnica por ela incrementada difundirá a compressão de que a pequenez de povos e continentes na imensidão do Universo só pode ser estímulo e impulso para o trabalho em comum na pesquisa do espaço cósmico. Em todas as épocas, a humanidade sempre precisou de um lema inspirador que, ultrapassando os problemas do cotidiano, fizesse com que o aparente mente inatingível fosse alcançado.

Um fator realmente considerável que, na era da tecnologia, fornece um argumento de peso à pesquisa do espaço cósmico, é a formação de novos ramos no campo da indústria, onde centenas de milhares de criaturas humanas que, pela racionalização do trabalho, perderam seus empregos, encontram seu meio de subsistência. A "indústria do espaço cósmico", nos Estados Unidos, já superou a importância decisiva da indústria automobilística e da do aço, como árbitros de mercado. Mais de 4.000 artigos novos devem sua existência à pesquisa cósmica; são, virtualmente, produtos residuais da pesquisa para um escopo superior. Esses subprodutos, sem que o consumidor se preocupe com a respectiva origem, ingressaram como que naturalmente na vida cotidiana.

Computadores eletrônicos, mini transmissores e mini receptores, transistores para aparelhos de rádio e televisores foram inventados na periferia da linha de pesquisas, do mesmo modo que as frigideiras em que os alimentos não mais queimam ou grudam ainda que não se use gordura. Instrumentos de precisão em todos os aviões, instalações de controle terrestre integralmente automatizadas, e pilotos automáticos, assim como, principalmente, os computadores rapidamente desenvolvidos, são partes da pesquisa espacial combatida por tanta gente, partes de um programa de desenvolvimento que exerce influência até na vida particular de cada indivíduo. Coisas de cuja existência o leigo nem suspeita são inúmeras: novos processos de solda e lubrificação em alto vácuo, células fotelétricas e novas fontes minúsculas de energia, que atuam a distâncias incomensuráveis. Da torrente de dinheiro proveniente de impostos, que alimenta a pesquisa do espaço cósmico, refluem, em caudais, para o bolso do contribuinte, as rendas dos grandes investimentos. Nações que, de forma alguma, participarem da pesquisa do espaço cósmico serão esmagadas pela avassalante revolução técnica. Nomes e conceitos tais como Telstar, Echo, Relax, Trios, Mariner, Ranger, Syncom, são marcos na estrada da pesquisa que não pode ser contida.

Como as reservas de energia da Terra não são inesgotáveis, o programa de navegação cósmica algum dia também assumirá importância vital porque teremos de buscar material nuclear de Marte ou de Vênus ou de outro planeta, para poder iluminar nossas cidades e aquecer nossas casas.

Como as usinas atômicas já hoje fornecem a mais barata de todas as energias, a produção industrial em massa dependerá especialmente dessas usinas, quando a Terra não mais fornecer material nuclear. Novos resultados de pesquisa chovem diariamente sobre nós. A tranqüila transmissão do saber adquirido, de pai para filho, está irremediavelmente superada. Para consertar qualquer transmissor de rádio que funcione mediante simples aperto de botão, um especialista deve conhecer a técnica dos transistores e os complicados esquemas que, ás vezes se encontram impressos em lâminas de plástico. Não demorará muito e ele terá de ocupar se também com os novos e minúsculos componentes da micro eletrônica. O que hoje se ensina ao aprendiz, deverá ser continuamente atualizado ao longo de sua carreira profissional. E, se ao tempo dos nossos avós, o mestre possuía saber suficiente para a vida inteira, o mestre do presente ou do futuro constantemente é e será obrigado a acrescentar novos conhecimentos aos antigos. O que valia ontem, amanhã estará superado.

Se bem que só daqui a milhões de anos nosso Sol se apagará e morrerá um dia, há necessidade de invocar o momento terrível em que um estadista perca o controle dos nervos e ponha em funcionamento um aparelhamento atômico aniquilador, capaz de causar tremenda catástrofe. Um fenômeno cósmico qualquer, não definível e não previsível, pode induzir a destruição da Terra. Nunca, porém, o homem conformou se com a idéia de tal possibilidade e, talvez por isso, devotamente procurou em uma das muitas religiões a esperança de uma continuação da vida do espírito e da alma.

Em conseqüência, admitimos como certo que a pesquisa do espaço cósmico não seja produto de sua livre decisão, mas que ele obedeça a uma forte compulsão íntima, ao investigar as perspectivas de seu futuro no Universo. Como nós proclamamos a hipótese de que nas trevas da Antigüidade havíamos recebido visita do Cosmo, também admitimos que não representamos a única inteligência no Universo, antes suspeitamos que existem no Cosmo inteligências mais antigas, mais evoluídas. Se agora ainda afirmamos que todas as inteligências devem dedicar se, por sua espontânea vontade, à pesquisa cósmica, transportamo-nos, por um momento, de fato, ao reino da utopia, sabendo que estamos mexendo em ninho de marimbondos!

Há bem vinte anos, os chamados "discos voadores" têm dado que falar. Na literatura especializada são designados como UFOs, denominação que se originou da expressão americana "unidentified flyng objects" (objetos voadores não identificados). Antes, porém, de entrar no excitante assunto dos misteriosos UFOs, devo mencionar um argumento importante que se usa quando está em debate a justificação das incursões espaciais.

Diz se que a pesquisa no campo da astronáutica não é financeiramente rendosa; que nenhum pais, por mais rico que seja, pode mobilizar os imensos recursos necessários, sem perigo de bancarrota nacional. A pesquisa em si, aliás, nunca deu rendimento; somente o produto da pesquisa é que compensa os investimentos. Da pesquisa sobre astronáutica não é razoável esperar, já na fase atual, rendimento e amortização. Não existe balanço sobre os rendimentos resultantes dos 4.000 "subprodutos" de pesquisa do espaço cósmico. Para nós, está fora de dúvida que ela dará rendimento como raras vezes deu algum produto de pesquisa. Quando ela tiver alcançado seu escopo, não só teremos rentabilidade; no sentido literal das palavras, ela trará para a humanidade a salvação do aniquilamento. Seja me lícito mencionar que toda uma série de satélites COMSAT já é economicamente interessante.

Em novembro de 1967, reportou a "STERN" (revista alemão):

"A maioria das máquinas médicas que salvam vidas provém da América. São o resultado de um aproveitamento sistemático dos êxitos da pesquisa do átomo, da cosmonáutica e da técnica militar. Constituem o produto de um novo tipo de colaboração entre gigantes industriais e hospitais na América, que está levando a Medicina, quase que diariamente, a novos triunfos.

Assim, a Lockheed, produtora dos aviões Starfighter, e a famosa Clínica Mayo se associaram para desenvolver um novo sistema de enfermagem, com base na técnica dos computadores. Os projetistas da Companhia Nortb American Aviation, orientados por idéias médicas, estão tentando desenvolver um "cinto de enfisema", que deverá facilitar a respiração a pacientes com perturbações pulmonares. As autoridades espaciais da NASA sugeriram a idéia de se construir um instrumento para diagnóstico. O aparelho, originalmente idealizado para medir a incidência de microaerôlitos sobre naves cósmicas, registra até os mais discretos espasmos musculares em determinadas moléstias nervosas.

Outro produto residual, salvador de vidas, proporcionado pela técnica americana de computadores, foi o regulador do ritmo cardíaco. Mais de 2.000 alemães já hoje vivem com tal instrumento dentro do tórax. É um microgerador, instalado sob a pele. Partindo dele, os médicos introduzem um fio metálico de ligação através da veia cava até a aurícula direita. Mediante choques elétricos regulares, o coração é estimulado a manter uma pulsação rítmica. Ele bate. Quando o acumulador do regulador de batimentos cardíacos estiver esgotado, uns três anos após, pode ser trocado através de uma operação relativamente simples. No ano passado, a General Electric aperfeiçoou essa pequena maravilha da técnica médica desenvolvendo um modelo de duas marchas. Se o portador daquele regulador deseja jogar tênis ou alcançar um trem, correndo, só é preciso que passe brevemente uma varetinha magnética sobre o local em que se encontra embutido o seu gerador. Imediatamente, o coração passa a trabalhar em ritmo acelerado."

Até aí, a reportagem da STERN. São dois exemplos de resultados laterais da pesquisa do espaço cósmico. Quem tem coragem de dizer ainda que ela é inútil?

Sob o titulo "Estímulo pelo Foguete Lunar", o "ZEIT", em sua edição n.º 47, de novembro de 1967, relata:

"As construções das naves cósmicas desenvolvidas para pousos suaves na Lua, também estão despertando o interesse simultâneo de construtores de automóveis, pois os conhecimentos sobre o comportamento de tais construções, sob condições que induzem sua destruição, podem ser consideravelmente ampliados. Se bem que não seja possível tornar os automóveis absolutamente seguros para os passageiros, em todas as modalidades de colisões e choques, as técnicas de construção, usadas com o melhor dos sucessos na cosmonáutica, podem contribuir para reduzir os riscos em tais desastres. Elevada rigidez aliada a peso reduzido é garantida por meio da construção em colmeia, cada vez mais aplicada nos aviões modernos. Entrementes, também se testa o sistema, praticamente, na construção de automóveis. O piso de um veículo experimental da Rover, movido por turbina a gás, foi fabricado com essa técnica de colmeia".

A enunciados como "Nunca será possível viajar de estrela a estrela", aquele que conhece a fase atual e o desenvolvimento impetuoso da pesquisa, nem mais liga importância. A geração jovem da nossa época ainda verá essas "impossibilidades" tornarem se realidade! Construir-se-ão naves espaciais com motores de propulsão inimaginavelmente poderosos. Em 1967, os russos já lograram efetuar o acoplamento, na estratosfera, de dois veículos cósmicos não tripulados. Uma parte da pesquisa já trabalha em uma espécie de viseira de proteção - semelhante a um arco elétrico - articulada á frente da cápsula propriamente dita, e que se destina a impedir ou desviar a incidência de partículas. Um grupo de físicos eminentes deseja provar a existência dos assim chamados "taquions". Trata se, por enquanto, de partículas ainda hipotéticas que voariam com velocidade superior à da luz e cujo limite inferior de velocidade seria o da luz. Sabe se que os taquions devem existir; falta "apenas" trazer a lume a prova física de sua existência. Entretanto, tais provas já foram fornecidas para a existência do neutrino e da antimatéria. Finalmente, aos mais teimosos críticos no grupo dos adversários da cosmonáutica dever se ia perguntar: acreditam os senhores, realmente, que alguns milhares de homens, talvez os mais inteligentes da nossa época, dedicariam seu trabalho apaixonado a uma pura utopia ou um alvo irrelevante?

Ocupemo-nos, pois, corajosamente, dos UFOs, ainda que correndo o risco de não ser levados a sério. Se não formos levados a sério, ficaremos incluídos - e esse é um bom consolo no círculo de gente altamente respeitável e famosa.

UFOs foram avistados na América, bem como sobre as Filipinas, sobre a Alemanha Ocidental, assim como sobre o México. Concedamos que 98 por cento das pessoas que pensavam ter visto UFOs tenham, na realidade, percebido raios de trajetória de projetis, balões meteorológicos, singulares formações de nuvens, novos tipos ignorados de aviões ou também curiosos jogos de luzes e sombras no céu crepuscular. Indubitavelmente, também grande multidão de pessoas foi assaltada por uma histeria das massas: afirmavam ter visto o que não existia. E, naturalmente, também havia aqueles presunçosos, com vontade de extorquir dinheiro de uma suposta observação, e que, na época das vacas magras, desejavam fornecer manchetes á imprensa. Deduzindo se todos os sonhadores, mentirosos, histéricos e sensacionalistas, resta, ainda assim, um grupo considerável de observadores sóbrios e até tecnicamente familiarizados com o assunto. Pode uma simples dona de casa enganar se, bem como um fazendeiro rude do sertão. Se, porém, por exemplo, uma observação de UFOs é relatada por um experimentado comandante aviador, é difícil recusá-la como asneira. Pois um comandante-aviador é familiarizado com miragens, com descargas esféricas do raio, com balões meteorológicos, etc.; é examinado, a intervalos regulares, quanto à capacidade de reação de todos seus sentidos, portanto também da condição excelente de seus olhos; não pode tomar álcool algumas horas antes e durante o vôo; um veterano comandante de aviões não tem interesse em contar lorotas, porque assim seria fácil demais perder seu emprego, que é bom e bem pago. Se, no entanto, não só um comandante, mas todo um grupo de pilotos de aviões (entre os quais militares), relatar o mesmo fato, então, parece que é preciso escutar.Nós também não sabemos o que são UFOs; não afirmamos que se trate comprovadamente de objetos voadores de inteligências alienígenas, se bem que pouca coisa se pudesse objetar a essa suspeita. Infelizmente, o autor, em suas extensas viagens ao redor do globo, nunca pôde observar um UFO pessoalmente. Podemos, entretanto, reproduzir aqui alguns relatos dignos de crédito e de confiança:

A 5 de fevereiro de 1965, o Ministério Norte Americano da Defesa tornou público estar a divisão especializada em UFOs encarregada de examinar relatórios de dois operadores de radar. Os dois homens haviam detectado, a 29 de janeiro de 1965, sobre sua tela de radar no Campo de Aviação da Marinha, em Maryland, dois objetos voadores desconhecidos, que se aproximavam do campo, vindos do sul, com a velocidade enorme de 7.680 quilômetros horários. 50 quilômetros acima do campo de aviação, os objetos descreveram uma curva fechada e desapareceram rapidamente do alcance do radar.

A 3 de maio de 1964, várias pessoas, entre as quais três meteorologistas, em Canberra (Austrália), observaram um grande objeto voador intensamente radiante, que passava em trajetória nordeste sobre o céu matutino. Interpeladas por delegados da NASA, as testemunhas oculares contavam como "a coisa" havia singularmente vacilado e como um objeto menor se havia atirado ao encontro do grande. O objeto pequeno ter se ia tornado vermelho incandescente e depois apagado, ao passo que a coisa grande teria prosseguido diretamente em direção nordeste até desaparecer de vista. Um dos meteorologistas confessou, resignadamente: "Sempre ridicularizei essas informações sobre discos voadores. O que deverei dizer agora, depois de ter eu mesmo visto tal coisa?"

A 23 de novembro de 1953 detectou se na tela de radar da Base Aérea de Kinross, em Michigan, um objeto voador desconhecido. O Tenente-aviador R. Wilson, que se encontrava em vôo de exercício em um avião a jato F-86, recebeu permissão para perseguir a coisa". A equipe do radar observou como Wilson caçou o objeto desconhecido por 160 milhas. De repente, na tela de radar, os dois corpos voadores fundiram se num só. Chamadas de rádio ao Tenente Wilson ficaram sem resposta. O espaço, que se tornou palco do fenômeno inexplicável, foi "penteado" nos dias seguintes por tropas de reconhecimento, a fim de se descobrirem destroços; o Lago Superior, situado nas proximidades, examinado quanto a vestígios de óleo. Nada foi encontrado. Nenhum vestígio do Tenente Wilson e de seu aparelho!

A 13 de setembro de 1965, o sargento da polícia, Eugene Bertrand, encontrou numa estrada perimetral da cidade de Exeter (New Hampshire, E.U.A.), pouco antes de uma hora da madrugada, uma senhora sentada ao volante de seu carro, que se mostrava grandemente perturbada. Recusou se a continuar a viagem e afirmou que um enorme e brilhante corpo voador de cor vermelha a teria perseguido por mais de dez milhas, até o desvio 101, tendo, então, desaparecido.

O policial, homem maduro e sensato, julgou que a senhora não estivesse regulando muito, quando ouviu pelo rádio de seu carro a mesma comunicação de outra patrulha. Do quartel-general, seu colega Gene Toland lhe ordenou que voltasse imediatamente à Central. Lá, um moço contou-lhe a mesma estória que a senhora lhe havia relatado, acrescentando que se refugiara numa sarjeta, ante uma coisa de incandescência vermelha.

Só a contragosto os homens empreenderam uma excursão de reconhecimento, firmemente convencidos de que toda aquela bobagem acharia uma explicação razoável. Após duas horas de busca infrutífera pelos arredores, puseram-se a caminho de volta. Passaram num pasto, onde havia seis cavalos que, de repente, debandaram em disparada louca. Quase que simultaneamente, a paisagem foi banhada de luz verme]ha incandescente. "Lá! Olhe lá!" exclamou um jovem policial. Sobre as árvores, de fato, flutuava um brilhante objeto vermelho, que se movia lenta e silenciosa mente ao encontro dos observadores. Através do telefone, Bertrand comunicou, excitado, ao seu colega Toland que justamente nesse momento ele estava vendo com seus próprios olhos aquela coisa danada. Agora, também o sítio à beira da estrada e as colinas adjacentes estavam banhados de luz vermelha intensamente radiante. Um segundo carro policial, com o Sargento Dave Hunt, brecou guinchando ao lado dos homens.

"Com os diabos!" gaguejou Dave. "Ouvi você e Toland gritando pelo rádio. Pensei que tivessem enlouquecido... Mas olhe para aquilo!..."

Durante a investigação da ocorrência misteriosa, a que se procedeu mais tarde, compareceram 58 testemunhas oculares qualificadas. Entre elas havia meteorologistas e membros da guarda costeira, homens, portanto, que, como frios observadores, não podem ser tidos como incapazes de distinguir um balão meteoro lógico de um helicóptero, ou um satélite cadente das luzes de posição de um avião. O relatório conteve indicações objetivas, sem dar uma explicação para o objeto voador desconhecido.

A 5 de maio de 1967, o Prefeito Municipal de Marliens, Costa do Ouro, Monsieur Malliotte, descobriu, em um campo de trevo situado à distância de 623 metros da rua, um buraco esquisito: achou vestígios de um círculo de 5 metros de diâmetro e 30 centímetros de profundidade; partindo desse círculo, sulcos de 10 centímetros de profundidade dirigiam-se para todos os sentidos; dava a impressão de que uma pesada grade de metal se tivesse imprimido no solo. À extremidade dos sulcos encontraram se orifícios de 35 centímetros de profundidade, talvez impressos no solo por "pés" na extremidade da rede metálica. De singularidade especial era a ima poeira lilás esbranquiçada, depositada nos sulcos e buracos.

Nós mesmos examinamos esse local perto de Marliens: fantasmas não podem ter deixado esses vestígios!

O que se deve pensar desses relatos? É entristecedor o que muitas pessoas - e, às vezes, até sociedades secretas inteiras - fazem de suas pretensas observações. Obscurecem apenas a visão da realidade. E inibem cientistas sérios de se ocuparem com fenômenos comprovados, por temerem expor se ao perigo do ridículo.

Em uma irradiação da Segunda Televisão Alemã, a 6 de novembro de 1967, sobre o tema "Invasão originada do Cosmo?", um capitão aviador da Lufthansa relatou um fenômeno do qual ele mesmo e quatro homens da tripulação foram testemunhas oculares: a 15 de fevereiro de 1967, cerca de 10 a 15 minutos antes da aterrissagem em São Francisco, viram, a pouca distância de seu avião, um objeto voador de cerca de 10 metros de diâmetro, intensamente luminoso, que, durante certo tempo, voou ao lado deles. Transmitiram suas observações à Universidade de Cobrado que, à falta de explicação melhor, presumiu que o objeto voador era uma parte de foguete anteriormente lançado. O capitão aviador declarou que, após 2 milhões de quilômetros de experiências de vôo, nem ele nem seus colegas poderiam acreditar que um pedaço de metal cadente pudesse manter se no ar durante um quarto de hora, ter tais dimensões e acompanhá-los no seu vôo. Acreditava tanto menos nessa explicação, uma vez que, desde a terra, esse corpo voador não identificado pôde ser observado por quase três quartos de hora. O capitão voador alemão, realmente, não dá a impressão de ser fantasista!

Dois comunicados do "Süddeutsche Zeitung", Munique, de 21 e 23 de novembro de 1965:

"Belgrado (De nosso correspondente).

Objetos voadores desconhecidos (UFOs) têm sido avistados, há alguns dias, sobre diversas regiões do Sudeste europeu. No fim da semana, um astrônomo amador em Agram fotografou três desses objetos celestes luminosos. Enquanto, porém, os peritos ainda davam seus pareceres sobre aquela fotografia, reproduzida através das colunas de vários jornais iugoslavos, novos UFOs foram vistos na região montanhosa do Montenegro, os quais, em vários pontos, teriam provocado incêndios florestais. Esses relatos provêm, principalmente, da localidade Ivangrad, cujos habitantes afirmam, convicta e insistentemente, que observaram, nos últimos dias, em todas as tardes, corpos celestes singulares e intensamente ilumina dos. As autoridades, embora confirmem que na região ocorreram diversos incêndios florestais, não foram capazes, até agora, de indicar uma causa para isso."

"Sófia (UPI).

Sobre a Capital de Sófia surgiu um UFO. Conforme comunica a Agência Noticiosa búlgara BTA, o UFO pôde ser avistado mesmo a olho nu. Segundo a BTA, o corpo voador era maior do que o disco solar, assumindo mais tarde a forma de um trapézio. Consta haver ele irradiado luz forte. Esse corpo voador também foi observado através de um telescópio em Sófia. Um colaborador científico do Instituto Búlgaro para Hidrologia e Meteorologia disse que o corpo voador provavelmente se movia por energia própria. Suspeita se haver voado a 30 quilômetros sobre a Terra."

Há gente que dificulta as pesquisas com uma estupidez sem limites: ora são "contactos", que afirmam estar em ligação com seres extraterrenos; ora são grupos que desenvolvem, com base nos fenômenos até agora não esclarecidos, fantásticas idéias religiosas ou concepções de vida absurdas, ou então afirmam, até, que receberam das tripulações dos UFOs ordens relacionadas com a salvação da humanidade. Nos fanáticos religiosos, o "anjo-UFO" egípcio naturalmente é enviado de Maomé; o asiático, de Buda; e o cristão, diretamente de Jesus.

No 7º Congresso Mundial Internacional dos Pesquisadores de UFOs, realizado durante o outono de 1967, o Prof. Hermann Oberth, a quem chamam de "Pai da Cosmonáutica" e que foi professor de Wernher von Braun, considerou os UFOs ainda como "problema extracientífico"; provavelmente, porém, assim disse Oberth, os UFOs são "Naves espaciais de mundos estranhos" e acentuou textualmente: "Ao que parece, os seres que os dirigem estão muito à frente da nossa cultura e, se formos inteligentes, deles muito poderemos aprender". Oberth, que prognosticou com acerto o desenvolvimento dos foguetes na Terra, suspeita da existência, nos planetas periféricos do sistema solar, de condições para o surgimento da vida. Oberth, homem de pesquisa, exige que também cientistas sérios se preocupem com problemas inicialmente de aparência fantástica: "Os cientistas comportam se como gansos gordos, que não querem digerir mais nada. Idéias novas são simplesmente recusadas por eles, como sem sentido!"

Sob o título "Suspeita tardia", DIE ZEIT relata, a 17.11.1967: "Anos a fio, os soviéticos tiveram um sorriso irônico quanto à histeria ocidental sobre discos voadores. No PRAVDA, há não muito tempo ainda, apareciam desmentidos oficiais de que existissem tais veículos celestes singulares. Agora, o General de Aviação de Guerra, Anatolij Stoljakow, foi nomeado Diretor de uma Comissão incumbida de examinar todos os relatórios sobre UFOs. O "Times" de Londres escreve sobre isso: "Ora, sejam os UFOs produtos de alucinações coletivas, sejam oriundos de visitantes de Vênus, ou devam ser entendidos como revelação divina - tem de haver uma explicação para eles, senão os russos nunca teriam organizado um comitê de investigação".

O acontecimento mais espetacular e enigmático quanto ao fenômeno "matéria procedente do Cosmo", ocorreu às 7 horas e 17 minutos na manhã de 30 de junho de 1908, na Taiga siberiana: uma bola de fogo cruzou o céu e perdeu se na estepe. Viajantes em trânsito pela Estrada de Ferro Transiberiana observaram um corpo brilhante que passou de sul a norte. Um trovão abalou o trem, seguiram se explosões, e a maior parte das estações sismo gráficas do mundo registraram um nítido abalo. Em Irkutsk - à distância de 900 quilômetros do centro do tremor - o pêndulo do sismógrafo oscilou durante cerca de uma hora. Num circulo de 1.000 quilômetros foram ouvidos estrondos. Rebanhos inteiros de renas foram aniquilados; homens, nômades, foram atirados para o ar, junto com suas tendas. Somente em 1921 o Prof. Kulik começou a colecionar relatórios de testemunhas oculares; finalmente também conseguiu reunir meios financeiros para uma expedição científica a essas regiões parcamente colonizadas da Taiga.

Quando, então, no ano de 1927, foi atingida a pedregosa Tunguska, os investigadores estavam convencidos de que iriam encontrar uma cratera formada pela queda de enorme aerólito. Sua suspeita provou ser errônea. Já a 60 quilômetros de distância do centro da explosão viram as primeiras árvores sem copa, e quanto mais se aproximavam do ponto critico, tanto mais erma se tornou a região. Ali estavam árvores completamente podadas, que até pareciam postes telegráficos; na área mais próxima do centro, as árvores de maior porte ainda estavam vergadas para fora. Finalmente encontraram vestígios de um incêndio imenso. Avançando mais para o norte, a expedição se convenceu de que ali deveria ter ocorrido uma poderosa explosão. Quando, numa região pantanosa, se encontraram buracos de todos os tamanhos, suspeitou se de queda de aerólitos; cavaram e perfuraram, nos terrenos pantanosos, sem encontrar qualquer vestígio, qualquer pedaço de ferro, resto de níquel, nem mesmo fragmentos de rocha. Dois anos mais tarde, a busca continuou, desta vez com instrumentos maiores de perfuração e outros recursos técnicos. Perfurou se até a profundidade de 36 metros: nenhum rasto de qualquer material de meteorito foi encontrado.

Mandaram buscar instrumentos sensíveis, que acusam a menor quantidade de metal no solo. Tudo ficou sem resultado. Apesar disso, alguma coisa devia ter explodido nesse ponto, pois milhares o haviam. visto, milhares o haviam ouvido.

Em 1961 e 1963, de ordem da Academia Soviética das Ciências, mais duas expedições foram enviadas à Tunguska. A expedição de 1963 esteve sob a direção do geofisico Solotow. Este grupo de cientistas, equipado com os mais modernos instrumentos técnicos, chegou à conclusão de que na Tunguska siberiana deveria ter acontecido uma explosão nuclear.

A espécie de uma explosão é passível de ser determinada quando forem conhecidas diversas ordens de grandeza física relacionadas com sua produção. Uma dessas grandezas na explosão da Tunguska foi estabelecida através da quantidade de energia radiante emitida. Na Taiga, distante 18 quilômetros do núcleo da explosão, foram encontradas árvores que, no momento da explosão, estavam expostas à radiação e que por isso se incendiaram. Uma árvore vicejante, porém, pode pegar fogo tão somente quando a incidência de energia por centímetro quadrado perfizer cerca de 70 a 100 calorias. O relâmpago explosivo, entretanto, atingiu tal poder que, ainda à distância de 200 quilômetros do epicentro, projetou sombras secundárias!

De tais medições resultou que a energia radiante da explosão deve ter sido aproximadamente de 2,8 x1023 erg. (Explicando: o erg, nas ciências naturais, vale como a chamada "medida de trabalho". Um besouro que pesa 1 grama efetua o trabalho de 1 erg quando sobe num, parede à altura de 1 centímetro.)

Num raio de 18 quilômetros encontraram se, nas copas das árvores, ramos grossos e finos chamuscados. Dali pode se deduzir que se tratava de um calor repentino: conseqüência de uma explosão, não de um incêndio de floresta! Tais carbonizações foram encontradas apenas onde não havia obstáculos que impedissem o caminho da radiação. Portanto, clara e inquestionavelmente deve ter se tratado de radiação. Para causar todos esses efeitos, a energia irradiada deve ter atingido 1023 ergs. Essa energia imensa corresponde à força destruidora de uma bomba atômica de 10 megatons ou

100.000.000.000.000.000.000.000 de ergs! 

Todos os resultados das pesquisas confirmam uma explosão nuclear e relegam interpretações como a queda de um cometa ou a de um grande meteorito, como causa do fenômeno, ao reino da fábula.

Quais as explicações que se oferecem para essa explosão nuclear no ano de 1908?

Em março de 1964, num artigo inserto no renomado jornal Svesda, de Leningrado, foi defendida a tese de que seres inteligentes de um planeta da constelação do Cisne teriam tentado entrar em contacto com a Terra. Os autores, Genrich Altow e Valentina Schuralewa, afirmaram que o impacto na Taiga siberiana teria sido uma espécie de resposta à violenta erupção, semelhante a uma explosão, do vulcão Cracatoa, no Oceano Índico, vulcão esse que, por ocasião de sua erupção em 1853, teria arremessado um feixe considerável de ondas de rádio ao espaço cósmico. Por um engano, os longínquos seres estelares teriam interpretado as ondas de rádio como um sinal procedente do espaço cósmico; por isso teriam dirigido á Terra um raio Laser demasiado forte e este, incidindo sobre a atmosfera terrestre a grande altura, sobre a Sibéria, ter se ia transformado em matéria. Admitimos que essa interpretação é inaceitável, porque nos parece por demais fantástica!

Tampouco podemos aceitar a teoria que tenta explicar o fenômeno pelo choque de antimatéria. Embora admitamos a existência de antimatéria nas profundidades do Cosmo, se ela tivesse sido a causa da explosão nada mais deveria existir na Tunguska, uma vez que o choque de matéria e antimatéria tem como conseqüência a dissolução recíproca.

Além disso, a chance de um pedaço de antimatéria atingir a Terra, após longo trajeto sem colisões com matéria, é muito reduzida.

Preferimos acompanhar a opinião daqueles que suspeitam naquele fenômeno a explosão da pilha de energia atômica de uma nave espacial extraterrestre. Fantástico? Sim, certamente. Mas só por isso tem de ser impossível?

Sobre o aerólito da Tunguska há uma literatura capaz de encher estantes. Há um fato mais a ressaltar: a radioatividade ao redor do centro da explosão, em Taiga, é o dobro - ainda hoje! - do que em qualquer outra parte. Investigações minuciosas nas árvores e seus anéis anuais confirmam um notável aumento de radioatividade desde 1908.

Enquanto não se apresentar uma única prova científica exata, indubitável - e muita coisa mais - com relação a esse caso, ninguém tem o direito de repelir, sem motivação, uma interpretação que se enquadra no âmbito do concebível.

Sobre os planetas do nosso sistema solar temos um conhecimento razoável; a "vida", em sentido terrestre, viria ao caso em proporção muito restrita, e, em última hipótese, somente quanto a Marte. O homem definiu os limites teóricos para a possibilidade de vida, de acordo com seu ponto de vista; esse limite é denominado ecosfera. Em nosso sistema solar, somente Vênus, a Terra e Marte ficam dentro dos limites da ecosfera. Entretanto, cumpre levar em consideração que tais limites da ecosfera emanam das nossas idéias sobre a vida, e que tipos desconhecidos de vida podem existir em condições diferentes das nossas. Até 1962, Vênus era tida como espaço de vida possível, isto é, até que o Mariner II chegasse a 34.000 quilômetros daquele planeta. Segundo as informações transmitidas, nem Vênus entra mais em consideração como portadora de vida no sentido humano. Dos relatórios do Mariner II se depreende que a temperatura superficial de Vênus, tanto ao lado do Sol como da sombra, alcança em média 430 graus centígrados. Tal temperatura não admite a ocorrência de água à superfície; somente lagos de metal fundido poderiam existir. A idéia, que se tornara tão familiar, de Vênus como graciosa irmã gêmea da Terra, já foi superada, se bem que o hidrocarboneto existente possa servir de meio de cultura para bactérias de toda espécie.

Não faz muito tempo, alguns cientistas afirmaram ser inimaginável a vida em Marte. Há menos tempo, a versão era que quase não era imaginável. Depois da bem sucedida missão informativa do Mariner IV, porém, é preciso admitir se, embora hesitantemente, certa escala de possibilidades vitais em Marte. Ainda que não possamos aderir à teoria de vida inteligente em Marte, queremos assim mesmo considerar possíveis certas formas de vida inferior no planeta vermelho. Também situa se no âmbito do possível que nosso vizinho Marte, há incontados milhares de anos, tenha possuído uma civilização própria. Atenção especial merece, em qualquer caso, a lua marciana Fobos.

Marte tem duas luas: Fobos e Deimos (grego: medo e terror). Muito antes de o astrônomo americano Asaph Hall haver descoberto essas luas no ano de 1877, já eram conhecidas. João Kepler, já em 1610, suspeitava que Marte fosse acompanhado por dois satélites. Embora o monge capuchinho Schyrl afirmasse, poucos anos depois, haver visto as luas de Marte, deve ele ter sido vítima de uma ilusão, pois, através dos instrumentos ópticos da sua época, as minúsculas luas de Marte de modo algum seriam perceptíveis. Fascinante, aliás, é a narração que Jonathan Swift dá em 1727, em seu livro "Viagem a Liliput" (é uma das viagens de Gulliver!): ele descreve, não só as duas luas de Marte, mas até indica suas dimensões e órbitas. Citemos um trecho do 3º Capitulo: "Os astrônomos liliputianos despendem muito tempo de sua vida em observar os corpos celestes e usam para isso lentes, que são muito superiores às nossas. Embora seus telescópios não atinjam um metro de comprimento, produzem maior aumento que os nossos de quase cem metros e mostram as estrelas com muito maior brilho. Esta vantagem permitiu-lhes superar os astrônomos da Europa, pois já conseguiram elaborar um catálogo de 10.000 estrelas fixas, quando os nossos não contém mais que um terço desse número. Eles descobriram, entre outras, duas estrelas menores, ou satélites, que giram ao redor de Marte. O mais próximo dista do centro do planeta exatamente três diâmetros deste último; o mais distante, cinco. O primeiro completa seu ciclo num período de 10, o último, num período de 21,5 horas, pelo que os quadrados dos períodos de rotação se aproximam fortemente da terceira potência de sua distância do centro de Marte. Isso mostra que estão sujeitos à mesma lei de gravitação que também rege os outros corpos celestes".

Como pôde Swift descrever os satélites de Marte, uma vez que só 150 anos mais tarde foram eles descobertos? Sem dúvida, os satélites marcianos já antes de Swift haviam sido suspeitados por alguns astrônomos, mas suspeitas nunca são o suficiente para indicações de tamanha precisão. Não sabemos de onde auferiu Swift seus conhecimentos.

Realmente, esses satélites são as menores e mais singulares luas do nosso sistema solar: sua rotação se realiza em órbitas quase circulares sobre o equador! Se eles acaso estiverem a refletir a mesma quantidade de luz que a nossa lua, então Fobos deve ter um diâmetro de 16 quilômetros e Deimos um de 8 quilômetros apenas. Se, no entanto, forem satélites artificiais, polidos, então, de fato, devem ser ainda menores. São as únicas luas do nosso sistema solar, conhecidas até o presente, cuja revolução se completa a velocidade maior do que a de rotação do próprio planeta. Com relação à rotação de Marte, Fobos completa, em um dia marciano, dois ciclos, ao passo que Deimos se move pouco mais velozmente do que Marte em torno de seu próprio eixo.

Em 1862, quando a Terra se encontrava em posição muito favorável em relação a Marte, procurou se em vão pelas luas marcianas, mas só 15 anos mais tarde foram elas descobertas! Surgiu a teoria dos planetóides, suspeitando vários astrônomos que as luas marcianas fossem fragmentos do espaço cósmico, que Marte houvesse aprisionado. Entretanto, a teoria dos planetóides não é sustentável: pois ambas as luas de Marte giram quase que no mesmo nível sobre o equador. A um fragmento do espaço cósmico isso poderia ocorrer por acaso. Mas não a dois. Finalmente, fatos mensuráveis foram trazidos à luz, daí originando se a moderna teoria de satélites verdadeiros.

O renomado astrónomo americano Carl Sagan e o cientista russo Shklovsky corroboram em seu livro "Intelligent Life in the Universe", publicado em 1966, a teoria de que a lua Fobos é um satélite artificial. Como resultado de uma série de medições, Sagan chegou á conclusão de que Fobos deve ser oco, e uma lua oca não pode ser natural.

De fato, as características da órbita de Fobos não apresentam relação alguma com sua massa aparente, enquanto correspondem ás órbitas típicas de corpos ocos. O russo Shklovsky, Diretor da Divisão da Radioastronomia do Instituto Sternberg de Moscou, lança a mesma afirmação, após haver observado que, no movimento da lua marciana Fobos, uma singular aceleração antinatural é constatável. Essa aceleração seria idêntica à que se verifica também em nossos satélites artificiais. Hoje em dia, as teorias fantásticas de Sagan e Shklovsky são levadas muito a sério. Os americanos estão planejando mais sondas marcianas, que também deverão examinar as luas marcianas. Os russos planejam estudar os movimentos das luas marcianas nos próximos anos, operando de diferentes observatórios.

Caso esteja certa a opinião defendida por eminentes cientistas a leste e oeste, de que Marte possuiu em certa época uma civilização evoluída, então surge a pergunta: Por que ela não existe hoje? Teriam as inteligências marcianas necessidade de procurar novo espaço vital? Obrigou os seu planeta pátrio, que cada vez perdia mais e mais oxigênio, a procurarem outras regiões habitáveis no Cosmo? Ou terá uma catástrofe cósmica causado o naufrágio daquela civiluação? E finalmente . Pôde uma parte dos habitantes marcianos salvar se, emigrando para um planeta vizinho? No livro "Worlds in Collision" (Mundos em Colisão, no Brasil), publicado em 1950 e ainda hoje muito discutido nos círculos especializados, o Dr. Emanuel Velikovsky afirma que um cometa gigante teria se chocado com Marte e que dessa colisão se teria formado Vênus. Isso poderia ser com provado se Vênus tivesse alta temperatura superficial, nuvens de hidrocarbonetos e uma rotação anormal. A avaliação dos dados fornecidos pelo Mariner II, confirma as teorias de Velikovsky: Vênus é o único planeta que gira "para trás", o único planeta, por tanto, que não se atém, como Mercúrio, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano ou Netuno, às regras do jogo do nosso sistema solar..

Se, porém, uma catástrofe de origem cósmica pode ser levada em consideração como causadora do aniquilamento de uma civilização sobre o planeta Marte, então tais indícios também reforçam nossa teoria de que a Terra, em obscuros tempos arcaicos, possa ter recebido visitas do espaço. Fica, portanto, de pé a possibilidade especulativa de que grupos de gigantes marcianos quiçá se salvaram na Terra, onde fundaram, em conjunto com os seres semi inteligentes vivendo aqui então, a nova cultura do Homo sopiens. Como a gravitação de Marte é menor do que a da Terra, é de se supor que a constituição física do homem de Marte fosse mais robusta e de porte maior do que a dos habitantes da Terra. Se nessa teoria houver um balo de realidade, então teríamos os gigantes que vieram das estrelas, que eram capazes de mover blocos colossais de pedra, que ensinaram aos homens artes ainda ignoradas e que, finalmente, se extinguiram...

Nunca soubemos tão pouco de tanta coisa, como hoje. Estamos certos de que o tema "Homem e Inteligências Extraterrenas" se conservará em pauta para pesquisas até que todos os enigmas decifráveis tiverem sido solucionados.

Erich von Däniken